Por Allan Kunha
| Foto: @andretedimphotography |
Existem shows que são apenas apresentações ao vivo. E existem aqueles que parecem um encontro entre passado, nostalgia e realização pessoal. O Angra Reunion no Espaço Unimed foi exatamente isso: uma celebração de diferentes fases da banda, reunindo músicos que marcaram gerações e entregando uma noite carregada de emoção para fãs que esperaram décadas por um momento assim. Mais do que um simples show, foi uma experiência quase catártica para quem cresceu ouvindo esses discos e sonhando em ver determinadas formações dividindo o mesmo palco novamente.
O evento estava marcado para começar às 21h e prometia quase três horas de duração. Houve um pequeno atraso por conta dos ajustes finais, e a casa estava completamente lotada, mas, no geral, tudo correu bem. O público do ANGRA é bem diverso em questão de idade: tinha desde adolescentes de 15 anos acompanhados pelos pais fãs da banda, passando pela galera na faixa dos 35 anos que viveu intensamente a era Rebirth e Temple of Shadows, até os veteranos de 40, 45 anos, que acompanharam a primeira fase desde Angels Cry.
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O show já começou de maneira absurda com "Nothing To Say", levando o público à loucura logo em seguida com "Angels Cry". Porém, durante "Tide of Changes", o clima esfriou um pouco. Foi aquele momento em que muita gente aproveitou para ir ao banheiro ou buscar cerveja. Como o Dee Snider costuma dizer: existem as músicas que todo mundo quer ouvir e aquelas usadas para “tirar a água do joelho”. E, por mais bonita que "Tide of Changes" seja, a plateia claramente não estava ali por ela — ainda mais sem a voz do “Mago”. Mesmo sendo uma homenagem muito bonita à fase Lione, interpretada com competência pelo Alírio Netto, a escolha acabou não funcionando tão bem naquele momento inicial do show. O público queria outra coisa.
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A segunda parte começou com as luzes se apagando e o palco sendo tomado por tons de azul, numa clara referência ao momento mais aguardado da noite. Quando "In Excelsis" começou a tocar e surgiram as silhuetas dos “4 Cavaleiros do Zodíaco Apocalíptico” — nosso tesouro Kiko Loureiro, Felipe Andreoli, Rafael Bittencourt e Edu Falaschi — na linha de frente, acompanhados pelo “Ktulu” Aquiles Priester em sua nave baterística ao fundo do palco... F*DEU. Ninguém estava preparado para essa "Nova Era". Simplesmente tocaram o álbum Rebirth na íntegra.
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É difícil colocar em palavras a emoção de ouvir ao vivo músicas que marcaram toda uma geração do começo dos anos 2000. E o mais bonito era ver o Edu com um sorriso gigantesco no rosto o tempo inteiro. Atrás dele, o “Polvo” destruía tudo na bateria, enquanto Rafael, Felipe e Kiko tocavam em um nível absurdo. Foi emocionante de verdade. Dava para perceber claramente que os fãs daquela era clássica estavam profundamente emocionados.
Um detalhe que me chamou atenção: enquanto eu estava focado nas guitarras, acabei me surpreendendo ao perceber como Bruno Valverde toca pesado, mesmo usando traditional grip, uma técnica mais associada ao jazz e fusion. O cara simplesmente destrói.
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Realizei o sonho de ver o ANGRA com a formação clássica executando Rebirth na íntegra e, ao mesmo tempo, pude testemunhar a excelência da nova formação com Alírio Netto. Sério, o quanto esse cara canta ainda não está escrito. Ele honra o legado do nosso eterno maestro Andre Matos enquanto constrói sua própria história de maneira brilhante. Vocais impecáveis, presença de palco e muito respeito ao material clássico. Um verdadeiro mestre. Até agora estou sem palavras.
Destaques do show:
ACT I: Nothing To Say, Angels Cry, Wuthering Heights (perfeição!), Carolina IV e Make Believe.
ACT II: O REBIRTH INTEIRO, MERMÃO! (Visions Prelude ainda rolou como música de créditos no final).
ACT III: Reaching Horizons (voz e violão do Rafa), Silence and Distance, Late Redemption e, claro, o encerramento perfeito com Unfinished Allegro + Carry On.
Por enquanto é isso… provavelmente eu volto para falar mais alguma coisa. Ou não. Vai saber.

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