| Foto: @andretedimphotography |
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| Reencontro de titãs. Foto: @anderscarvalho |
Sempre que digo que, pelo menos no Brasil, o ANGRA é maior que o SEPULTURA, muita gente torce o nariz e trata como exagero. Mas, olhando para o que a banda ainda movimenta por aqui — fãs fiéis, shows cheios e um público que acompanha cada fase — não vejo tanto absurdo assim. No Bangers Open Air, essa impressão ficou ainda mais forte, pelo menos pra mim.
Logo após o encerramento do show do WITHIN TEMPTATION, corri de volta para a frente do setor de imprensa, um dos poucos pontos onde ainda dava para assistir com um mínimo de tranquilidade. Ou pelo menos era o plano. No caminho, precisei cruzar a área em frente ao Hot Stage, e aí a realidade foi outra: um mar de gente espremida, praticamente impossível de atravessar.
Enquanto o ANGRA iniciava a intro, eu ainda estava preso naquele aperto. Quando começaram os primeiros acordes de "Nothing to Say", mal consegui prestar atenção, minha prioridade era sair vivo da muvuca. Só depois de ativar o "modo sobrevivência", consegui me livrar e achar um lugar minimamente decente.
Já mais tranquilo, deu pra perceber que a banda começou do jeito certo: no talo. "Nothing to Say", com Alírio Netto nos vocais, abriu o set com energia alta e um público cantando junto. Na sequência, "Angels Cry" elevou ainda mais o clima, e aí não teve jeito, entrei no coro também.
| Alirio Netto e Rafael Bittencourt. Foto: @diegoccamara |
Depois de um início assim, o mínimo que se esperava era manter o pé no acelerador. Eu já estava pronto pra uma sequência com "Evil Warning", "Time" e outros clássicos. Mas aí veio o balde de água fria: Fabio Lione sobe ao palco. Até aí, ok. Pensei que viriam os melhores momentos da fase dele como "Black Hearted Soul", "Newborn Me", "War Horns" (que, pra mim, é facilmente uma das melhores dessa fase). Era o caminho mais certeiro. Só que a banda resolveu ir por outro lado.
Em vez de manter a energia, entraram músicas mais lentas, que quebraram o ritmo do show. Isso é algo que me incomoda no ANGRA: com tanto material forte com Lione, por que insistir justamente nas mais arrastadas? A sensação é de uma escolha que desmonta o que a própria banda construiu minutos antes.
| Fabio Lione. Foto: @anderscarvalho |
A coisa só voltou a engrenar de verdade em "Carolina IV". Mas, a essa altura, a adrenalina do começo já tinha ficado pra trás. E assim se encerrou o primeiro ato.
Poucos minutos depois, começou o que provavelmente era o momento mais esperado: Kiko Loureiro, Aquiles Priester e Edu Falaschi se juntaram a Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para o segundo ato. Quando todos finalmente apareceram no palco, a plateia foi ao delírio. Era um momento histórico não só pro ANGRA, mas pra quem acompanha a banda há anos.
| Kiko Loureiro, Edu Falaschi e Rafael Bittencourt. Foto: @diegoccamara |
Quando "Nova Era" começou, o festival inteiro cantou junto. Bonito de ver. Mas aqui entra meu lado chato: Edu Falaschi claramente não estava num bom dia. Não sei se era questão de retorno ou qualquer outro fator, mas a voz não estava legal. Lembrei na hora de uma entrevista que fiz com ele em 2011, antes do Rock in Rio, quando ele brincou sobre não poder ficar doente pra não comprometer o show. Pois é… dessa vez, alguma coisa não encaixou.
A voz não melhorou ao longo do set. Sempre que as músicas exigiam mais, especialmente nas partes mais altas, a coisa não vinha. Ainda assim, seguiram com "Waiting Silence", "Millennium Sun", "Heroes of Sand", "Spread Your Fire" (uma das melhores dessa fase), "Acid Rain" e fecharam com "Rebirth".
O terceiro ato começou com uma bela homenagem a Andre Matos, com um vídeo antigo dele ao piano introduzindo "Silence and Distance". Confesso que quase fui às lágrimas — Andre é um dos poucos artistas cuja morte realmente me abalou. A banda seguiu com a música ao vivo, com três guitarras no palco (Kiko Loureiro, Marcelo Araújo e Rafael Bittencourt), além de Alírio e Edu dividindo os vocais. E aqui não tem como não notar: a diferença de potência entre as vozes é bem evidente.
Na sequência, veio mais uma balada, "Late Redemption", novamente com vocais divididos.
| Os três tenores: Edu Falaschi, Fabio Lione e Alirio Netto. Foto: @lecasuzukiphoto |
O show deu uma pausa e emendou a intro "Unfinished Allegro", que puxou "Carry On". Nesse momento, todo mundo estava no palco: Fabio, Alírio e Edu nos vocais; Bruno Valverde e Aquiles na bateria; Felipe Andreoli no baixo; além de Rafael, Kiko e Marcelo nas guitarras. Foi interessante de ver e talvez tenha sido o clímax da noite.
Os três vocalistas fizeram jus ao Andre Matos? Não. Mas, sendo bem honesto, ninguém esperava isso. "Carry On" sempre foi uma música muito específica na voz dele, e tá tudo bem.
| Familia reunida (ou quase). Foto: @marcosoliveirapht |
Dito isso, a maioria ali claramente não se importou com nada disso. Tenho amigos que se emocionaram de verdade com esse show — o que talvez indique que eu esteja sendo crítico demais, quase um "Régis Tadeu" da vida.
No geral, o Bangers Open Air 2026 foi uma experiência muito positiva. Sinceramente, tenho pouco a reclamar do festival. Vi bandas que gosto, reencontrei amigos (o que, pra mim, é mais importante), e mesmo com o corpo destruído depois, valeu cada segundo. Sair do interior do Paraná pra viver isso foi mais do que válido.
Que venha o Bangers Open Air 2027, estarei lá, sem pensar duas vezes.
Por Júlio Feriato
| Nevermore no Bangers: memorável. / Foto: @_mariodavid_ |
| Berzan Önen, vocalista do Nevermore. / Foto: lecasuzukiphoto |
| Vista panorâmica do Sun Stage com Crazy Lixx. Foto: @guiurban |
| Os sessentões do Winger. / Foto: @diegopadilha |
| Sharon den Adel. / Foto: @ayumikranzini |
| Foto com a galera. / Foto: Foto: @ayumikranzini |
Por Júlio Feriato
| Lauren Hart, vocalista do Arch Enemy. / Foto: @diegoccamara |
No último fim de semana de abril, São Paulo capital recebeu mais uma edição do Bangers Open Air que, somando os anos em que ainda se chamava Summer Breeze Brasil, chega à sua quarta realização cercado de elogios.
Para driblar as críticas ao line-up do ano passado, a organização desta vez acertou ao apostar em uma mistura equilibrada entre nomes consagrados e bandas mais recentes, reunindo atrações como JINJER, AMARANTHE, WITHIN TEMPTATION, PRIMAL FEAR, TANKARD, VIOLATOR, CRYPTA, TORTURE SQUAD, KRISIUN, IN FLAMES e várias outras. Nos headliners, o ARCH ENEMY fechou o sábado (25) e o ANGRA encerrou o domingo (26), em apresentações que empolgaram o público. No geral, foi bonito de ver — com ressalvas, claro, porque nenhum evento é perfeito, mas com saldo mais do que positivo.
Cobrir um festival desse porte, porém, não é tarefa simples. Com quatro palcos espalhados pelo Memorial da América Latina, o evento exigia fôlego e planejamento. Na área dos palcos principais, Hot Stage e Ice Stage, havia opções de alimentação, bebida e merchandise — com preços salgados, chegando a R$ 200 em camisetas e R$ 400 em moletons — além do Lounge, voltado a quem buscava mais conforto (mas sem acesso para avaliação da imprensa).
Do outro lado, os palcos Sun Stage e Waves Stage reuniam bandas consideradas “menores”, ainda que algumas merecessem tocar nos palcos principais. Diante de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, foi inevitável fazer um recorte pessoal na cobertura, priorizando os shows de maior interesse — até porque, por mais imparcial que eu tente ser, também sou fã.
DIA 25 - SÁBADO
| Johanna Sadonis, do Lucifer. / Foto: @diegoccamara |
Mas não vou mentir: peguei um certo ranço depois da situação e acabei assistindo só ao começo do show. Também pesa o fato de que o som da banda nunca me convenceu muito. Ao vivo, até entregam bem, e vale dizer que tinha uma galera considerável que chegou cedo justamente para vê-los, mas, pra mim, não foi o suficiente para segurar até o fim.
| Foto: @paauloalexandria |
Preferi subir a rampa e seguir para o Hot Stage, onde o KORZUS já estava tacando o terror, no melhor sentido possível. Era o segundo show da banda com os guitarristas Jean Patton (ex-PROJECT46) e Jessica Falchi (ex-CRYPTA), e, não tem muito o que dizer: KORZUS ao vivo é sempre garantia. Se tem uma banda que entrega exatamente o que promete, é essa. Cheguei bem na hora em que rolava o novo single “No Light Within”. Confesso que não tinha curtido tanto quando saiu o clipe, mas ao vivo a música ganhou outra força — uma pena que essa energia toda não tenha sido tão bem captada na versão de estúdio.
| Tom S. Englund, vocalista/guitarrista do Evergrey. / Foto: @diegoccamara |
Logo na sequência, o Hot Stage já recebia o EVERGREY. Nunca dei muita bola pra banda, mas depois de vê-los ao vivo na primeira edição do Summer Breeze Brasil, passei a entender melhor o apelo, mesmo sem me tornar fã. Ainda assim, não fiquei até o fim. O sol estava castigando e a ideia era poupar energia para o show do VIOLATOR, que aconteceria “além da rampa”.
Depois de um breve pit stop na sala de imprensa — que, diga-se, estava bem equipada, com água, refrigerante, energéticos, petiscos e frutas à disposição dos profissionais —, recarreguei as energias e voltei à missão. Era hora de subir novamente a rampa e seguir para o outro lado para conferir o show do VIOLATOR.
| Violator no Sun Stage. / Foto: @bel.santosfotografia |
| Tatiana Shmailyuk, do Jinjer. / Foto: @diegoccamara |
| Crypta no Sun Stage. / Foto: @bel.santosfotografia |
| Foto: @bel.santosfotografia |
| Anders Fridén, vocalista do In Flames. / Foto: @diegoccamara |
| Arch Enemy no Bangers Open Air. / Foto: Marcos Hermes _MHermes |

O Bangers Open Air 2025, realizado entre 2 e 4 de maio, no Memorial da América Latina, em São Paulo, marcou definitivamente a transição do festival para uma nova fase. Agora desvinculado do nome Summer Breeze Brasil, o evento manteve o padrão de produção elevado das edições anteriores, ao mesmo tempo em que buscou afirmar uma identidade própria. A estrutura foi ampliada, a programação ganhou mais personalidade e o público respondeu com forte presença ao longo dos três dias.
Com um line-up que transitou entre o heavy metal tradicional, o power metal, o thrash, o death e o gothic metal, o festival apostou novamente na diversidade como pilar central, ainda que isso tenha trazido desafios de equilíbrio e logística.
Em um festival com múltiplos palcos, dezenas de atrações e três dias de programação praticamente ininterrupta, é simplesmente impossível assistir a todos os shows. Diante de conflitos de horário e da própria dimensão do evento, esta resenha não pretende dar conta de tudo o que aconteceu no festival, mas sim destacar as apresentações mais marcantes da edição, independentemente do tamanho do nome envolvido ou de seu status dentro do mercado.
Dia 1 (02/05)
| Foto: Gustavo Diakov / @xchicanox |
A abertura oficial do festival ficou marcada pela estreia brasileira do Armored Saint, um nome aguardado há décadas pelos fãs do metal tradicional. Apesar de problemas técnicos que comprometeram os vocais em parte do show, a banda manteve uma postura firme, apostando na entrega direta e na proximidade com o público. O momento em que John Bush desceu para cantar junto à grade simbolizou bem o espírito da apresentação: menos perfeição técnica, mais conexão.
Foto: Diego Padilha / MHermes Arts |
Na sequência, Doro Pesch transformou o palco em um espaço de celebração coletiva. Seu repertório equilibrado entre clássicos do Warlock e faixas da carreira solo funcionou com naturalidade, sustentado por uma comunicação constante e afetiva com o público. O ponto alto veio com “Für Immer”, cantada em coro, reforçando o caráter quase ritualístico do show.
| Foto: Bel Santos |
Encerrando a noite, Glenn Hughes apresentou uma das performances mais consistentes do festival. Aos 73 anos, o músico mostrou domínio absoluto do palco e da própria voz, conduzindo o público por um repertório focado em sua fase no Deep Purple. Sem artifícios ou exageros, entregou um show baseado em técnica, emoção e respeito à própria trajetória.
Dia 2 (03/05)
Já Powerwolf apostou fortemente no aspecto teatral. O palco, a iluminação e a encenação foram parte essencial da experiência, criando um espetáculo visual que funcionou bem ao vivo. A banda conseguiu equilibrar peso, melodia e entretenimento sem comprometer a identidade musical.
| Foto: Jéssica Marinho |
Fechando o dia, o Sabaton apresentou um show narrativo, com forte apelo visual e repertório bem distribuído. A apresentação foi precisa, com momentos de destaque tanto pela execução quanto pela interação com o público, encerrando o sábado em clima de euforia.
Dia 3 (04/05)
| Foto: Igor Aleixo @aleixoox / Rolling Stone Brasil |
O encerramento ficou por conta do W.A.S.P., que apostou em um formato comemorativo, executando o álbum de estreia na íntegra. Mesmo com limitações físicas evidentes, Blackie Lawless conduziu o show com segurança, apoiado por uma banda coesa. A participação de Aquiles Priester na bateria deu novo fôlego à apresentação, que terminou em clima festivo.
Considerações finais
A estrutura do festival funcionou bem na maior parte do tempo. A circulação entre palcos foi fluida, a visibilidade melhorou em relação a edições anteriores e o Memorial da América Latina voltou a se mostrar adequado para eventos desse porte. O principal ponto de atenção ficou na qualidade irregular do som, que variou bastante entre os palcos e apresentações.
Outro aspecto que merece revisão é a duração dos shows, especialmente de atrações principais, além dos conflitos de horário que dificultaram a experiência do público em alguns momentos.
O Bangers Open Air 2025 demonstrou maturidade, ambição e um compromisso claro com a diversidade do metal. Embora ainda existam ajustes a serem feitos, o festival avançou em organização, identidade e curadoria, consolidando-se como um dos eventos mais relevantes do gênero no Brasil.
Até ano que vem!