01 maio 2026

Minha experiência no BANGERS OPEN AIR 2026 - Parte 1

 Por Júlio Feriato

Lauren Hart, vocalista do Arch Enemy. / Foto: @diegoccamara

No último fim de semana de abril, São Paulo capital recebeu mais uma edição do Bangers Open Air que, somando os anos em que ainda se chamava Summer Breeze Brasil, chega à sua quarta realização cercado de elogios. 

Para driblar as críticas ao line-up do ano passado, a organização desta vez acertou ao apostar em uma mistura equilibrada entre nomes consagrados e bandas mais recentes, reunindo atrações como JINJER, AMARANTHE, WITHIN TEMPTATION, PRIMAL FEAR, TANKARD, VIOLATOR, CRYPTA, TORTURE SQUAD, KRISIUN, IN FLAMES e várias outras. Nos headliners, o ARCH ENEMY fechou o sábado (25) e o ANGRA encerrou o domingo (26), em apresentações que empolgaram o público. No geral, foi bonito de ver — com ressalvas, claro, porque nenhum evento é perfeito, mas com saldo mais do que positivo.

Cobrir um festival desse porte, porém, não é tarefa simples. Com quatro palcos espalhados pelo Memorial da América Latina, o evento exigia fôlego e planejamento. Na área dos palcos principais, Hot Stage e Ice Stage, havia opções de alimentação, bebida e merchandise — com preços salgados, chegando a R$ 200 em camisetas e R$ 400 em moletons — além do Lounge, voltado a quem buscava mais conforto (mas sem acesso para avaliação da imprensa). 

Do outro lado, os palcos Sun Stage e Wavez Stage reuniam bandas consideradas “menores”, ainda que algumas merecessem tocar nos palcos principais. Diante de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, foi inevitável fazer um recorte pessoal na cobertura, priorizando os shows de maior interesse — até porque, por mais imparcial que eu tente ser, também sou fã.

DIA 25 - SÁBADO

Johanna Sadonis, do Lucifer. / Foto: @diegoccamara

Cheguei cedo naquele dia e acabei pegando a passagem de som do LUCIFER, primeira atração do Sun Stage. Em um momento meio infeliz (e totalmente desnecessário, diga-se), tentei fazer uma foto da vocalista Johanna Sadonis, e ela, prontamente, fez um gesto claro pedindo para não ser fotografada. Constrangido, respondi com um “joinha” e guardei o celular na hora. Ainda deu tempo de ouvir um sonoro “put down your fucking cell phones!” vindo do palco. Preferi fingir que não era comigo e segui andando. Situação meio sem graça, mas que também serve de lembrete: nem todo momento, especialmente em passagem de som, é convite aberto pra foto.

Mas não vou mentir: peguei um certo ranço depois da situação e acabei assistindo só ao começo do show. Também pesa o fato de que o som da banda nunca me convenceu muito. Ao vivo, até entregam bem, e vale dizer que tinha uma galera considerável que chegou cedo justamente para vê-los, mas, pra mim, não foi o suficiente para segurar até o fim.

Foto: @paauloalexandria

Preferi subir a rampa e seguir para o Hot Stage, onde o KORZUS já estava tacando o terror, no melhor sentido possível. Era o segundo show da banda com os guitarristas Jean Patton (ex-PROJECT46) e Jessica Falchi (ex-CRYPTA), e, sinceramente, não tem muito o que dizer: KORZUS ao vivo é sempre garantia. Se tem uma banda que entrega exatamente o que promete, é essa. Cheguei bem na hora em que rolava o novo single “No Light Within”. Confesso que não tinha curtido tanto quando saiu o clipe, mas ao vivo a música ganhou outra força — uma pena que essa energia toda não tenha sido tão bem captada na versão de estúdio.

Tom S. Englund, vocalista/guitarrista do Evergrey. / Foto: @diegoccamara 

Logo na sequência, o Hot Stage já recebia o EVERGREY. Nunca dei muita bola pra banda, mas depois de vê-los ao vivo na primeira edição do Summer Breeze Brasil, passei a entender melhor o apelo — mesmo sem me tornar fã. Ainda assim, não fiquei até o fim. O sol estava castigando e a ideia era poupar energia para o show do VIOLATOR, que aconteceria “além da rampa”.

Depois de um breve pit stop na sala de imprensa — que, diga-se, estava bem equipada, com água, refrigerante, energéticos, petiscos e frutas à disposição dos profissionais —, recarreguei as energias e voltei à missão. Era hora de subir novamente a rampa e seguir para o outro lado para conferir o show do VIOLATOR.

Violator no Sun Stage. / Foto: @bel.santosfotografia

Sempre achei o VIOLATOR uma banda “injustiçada”. Apesar de fazerem bastante sucesso fora do Brasil - inclusive com um DVD gravado no Chile e disco ao vivo gravado na China — e terem um som consistente, parece que por aqui ainda não conseguiram “virar” de vez. Em entrevistas, o vocalista Poney já comentou que essa permanência no underground é, em grande parte, uma escolha da própria banda. Para se ter uma ideia, eles chegaram a recusar um contrato com a gravadora alemã Nuclear Blast. Mas esse é assunto para outra pauta.

Antes do início do show, enquanto a banda passava o som, muitos fãs já se concentravam na frente do palco, aguardando o começo da apresentação. Poney, no entanto, circulava tranquilamente pelo meio do público, conversando e tirando fotos com quem se aproximasse. Ficou claro ali que o cara é acessível, humilde e tem uma relação próxima com os fãs.


Sem muita enrolação, o show começou com “Ordered to Thrash”, seguida por “Hang the Merchants of Illusion” e “Endless Tyrannies”. Quem conhece a banda sabe bem qual é a posição política e a visão de mundo dos integrantes. Por isso, não surpreendeu quando, entre uma música e outra, Poney fez discursos anti-imperialistas, críticas à extrema direita e manifestações de apoio à Palestina, cuja bandeira, inclusive, estava exposta no palco. 

O clímax veio com o anúncio de “False Messiah”: Poney repetiu várias vezes, com muita autoridade, o coro “Foda-se Jair Messias Bolsonaro”, torcendo o nariz de muitos reaças que acompanhavam de longe. O VIOLATOR deixou claro que não segue a ideia de que “música e política não se misturam”. No caso deles, mistura sim, e sem pedir licença.

Infelizmente, não deu para acompanhar o show até o fim. O horário já se aproximava da apresentação do JINJER no Hot Stage, e lá fui eu novamente atravessar a rampa de volta. E olha, não foi nada fácil chegar até lá. A multidão que seguia no mesmo sentido era enorme, somada ao sol escaldante que castigava o público. Quem não levou protetor solar ou algum tipo de proteção acabou sofrendo bastante. Mas, ainda assim, provavelmente ninguém sofreu mais do que a cantora Tatiana Shmailyuk, do JINJER .

Tatiana Shmailyuk, do Jinjer. / Foto: @diegoccamara
No início, ela até parecia levar numa boa. Mas, com o passar do tempo, ficou claro o incômodo com o sol forte batendo direto no rosto o tempo todo. Honestamente, deu até dó. Convenhamos também que a “vestimenta” escolhida para a apresentação — um vestido rosa — não ajudou muito. Provavelmente, o calor ficou ainda mais intenso com essa roupa. Enfim, escolhas.

Quanto ao show em si, confesso que não sou um grande fã da banda. Conheço as músicas mais famosinhas, como “Pisces”, e só. Ainda assim, quis conferir como o JINJER funciona ao vivo e, sendo bem sincero, não me convenceu tanto. É verdade que o calor estava pesado até para quem é fã mais fervoroso, e isso claramente atrapalhou o andamento do show.

Além disso, o repertório escolhido me pareceu um pouco “arrastado” em vários momentos. Por outro lado, conversando com pessoas que realmente acompanham a banda, essa percepção passou longe de ser um problema. Para quem curte, o JINJER ao vivo entrega consistência, e Tatiana, sem dúvida, manda muito bem no palco.

Logo após o show do JINJER, e sem muita demora, teve início, no Ice Stage, a apresentação do Killswitch Engage. Mas, honestamente, eu não estava nem um pouco a fim de assistir. Primeiro, porque já estava cansado demais. Segundo, porque a banda realmente não me desce. Já os vi ao vivo no Monsters of Rock 2013 e na primeira edição do Summer Breeze Brasil, o que, para mim, já foi mais do que suficiente.

Crypta no Sun Stage. / Foto: @bel.santosfotografia
Diante disso, preferi aproveitar o tempo para recarregar as energias e me preparar para enfrentar novamente aquela rampa maldita, desta vez rumo ao show da CRYPTA, que começou pontualmente às 17h20, no Sun Stage.

Vale lembrar que, antes delas, quem subiu ao palco foi o TORTURE SQUAD, escalado para substituir o FEAR FACTORY no line-up poucos dias antes do evento. Infelizmente, não consegui acompanhar essa apresentação.

Já no show da CRYPTA, o espaço estava praticamente lotado para ver as garotas, que, como de costume, deram conta do recado. Se não me falha a memória, essa apresentação no Bangers foi a segunda com a nova guitarrista, a norte-americana Victoria Villarreal, efetivada na banda cerca de uma semana antes. Como ela já havia participado de uma turnê pelos Estados Unidos como guitarrista convidada, o entrosamento com o grupo já estava bem consolidado.

O show começou com “Death Arcana”, faixa que não aparecia no repertório ao vivo há algum tempo, seguida por “Lullaby for the Forsaken” e “Poisonous Apathy”. Sem muito rodeio, foi um show incrível. O som estava limpo, Fernanda, como de costume, teve uma entrega absurda no palco, e o público respondeu à altura.

A única ressalva fica por conta de um ponto específico: na minha opinião, a CRYPTA já tem status para se apresentar nos palcos principais do Bangers, e não entendo por que isso ainda não aconteceu.

Após esse belíssimo show, encerrei minha passagem por aquele lado do Bangers. Queria muito ter assistido às apresentações do TANKARD e do ONSLAUGHT, que também tocaram por ali, mas os horários coincidiam com os shows do IN FLAMES e do ARCH ENEMY. Por uma questão de gosto pessoal, acabei optando por essas duas últimas.

Como falei lá no comecinho, é impossível conseguir acompanhar tudo o que acontece em um festival como esse. Por exemplo, não vi nenhuma atração que rolou no Waves Stage, que ficava no mesmo lado do Sun Stage, porém em uma área coberta e até mais confortável, já que funcionava dentro de um auditório.

Por ali também havia diversas barracas de lojas, estandes, lanchonetes e praça de alimentação. Outro ponto que chamava atenção era o estande do Canal Amplifica, onde pessoas aleatórias se reuniam para tocar covers e interagir. Ou seja, ir ao Bangers é uma experiência completa, desde que você tenha disposição para conseguir aproveitar ao máximo tudo o que o festival oferece.

Anders Fridén, vocalista do In Flames. / Foto: @diegoccamara

Quando finalmente consegui atravessar para o outro lado, o BLACK LABEL SOCIETY já estava no meio do set. Mas, para ser sincero, acabei nem acompanhando. O cansaço já pesava e, naquele momento, o melhor a fazer era me preservar para o que vinha a seguir: o IN FLAMES.

Depois de me recuperar por alguns minutos, segui direto para a frente do Ice Stage. A expectativa estava lá no alto. Afinal, é uma das minhas bandas favoritas, e eu carregava essa vontade desde a última vez que vi um show deles em 2008. 

A banda deu início ao show pontualmente às 19h15, abrindo com a já clássica “Pinball Map”. O público, como era de se esperar, cantou em uníssono. No repertório, não faltaram outros hits, como “The Quiet Place”, “Cloud Connected” e “Only for the Weak”.

Um ponto que me chamou a atenção foi o vocalista Anders Fridén, que aparentava estar bastante cansado - o que não comprometeu em nada a performance da banda como um todo. Comentando esse detalhe com um amigo, ele levantou a hipótese de que o IN FLAMES vinha em uma sequência intensa de shows, praticamente um por dia, há pelo menos um mês. Se for esse o caso, dá para entender o desgaste.

Infelizmente, nenhuma música dos álbuns mais antigos entrou no setlist. Eu ainda tinha a expectativa de ouvir ao menos alguma faixa de Colony, mas a banda acabou priorizando o repertório da fase pós-anos 2000. O encerramento veio com “I Am Above” e “Take This Life”, fechando o set em alta e com boa resposta do público. 

Um momento curioso foi quando, antes de sair do palco, Anders resolveu mandar algumas mensagens ao público, com frases como “sejam sempre gentis com as pessoas” e “sejam bons para seus pais” e outras desse tipo. Foram recados simples, quase até ingênuos, algo pouco comum vindo de uma banda de metal, mas que deram um tom leve e diferente ao encerramento da apresentação.

Os palcos principais ficam lado a lado, então, quando um show termina, cerca de cinco minutos depois já começa outro no palco vizinho. Assim que o IN FLAMES encerrou, tratei de procurar um lugar mais confortável. Mesmo na pista premium, o acúmulo de gente era grande, especialmente quando chega a hora da principal atração da noite. E, naquele caso, estou falando do ARCH ENEMY.

Arch Enemy no Bangers Open Air. / Foto: Marcos Hermes _MHermes
Era a estreia da nova vocalista Lauren Hart em terras brasileiras, então a expectativa do público era grande. E, como diz o ditado, a banda “já chegou chegando”. O set começou com “Yesterday Is Dead and Gone”, seguida de “The World Is Yours”.

Sobre Lauren, dá para dizer que ela é como um lobo em pele de cordeiro. À primeira vista, parece até “fofa”, mas, quando começa a cantar, a impressão muda completamente. Nem loba é, vira praticamente uma leoa no palco. E olha, ela deu conta do recado. Dominou o público como uma veterana e recebeu de volta todos os louros possíveis da multidão, que ficou até o fim do evento para assistir à banda.

A música nova — aquela que gerou toda a polêmica envolvendo Kiko Loureiro — também foi bem recebida. Ainda assim, o repertório não deixou de fora clássicos como “Bury Me an Angel”, “Ravenous” e “War Eternal”.

Um dos momentos mais marcantes veio quando Lauren se emocionou e chegou a derramar algumas lágrimas, em resposta ao carinho do público, que gritava seu nome a todo momento. Um sinal claro de que ela foi mais do que aprovada pelos fãs da banda.

O show chegou ao fim com a clássica “Nemesis”, seguida de “Fields of Desolation”. Com essa apresentação, o ARCH ENEMY mostrou por que é um dos principais nomes do death metal melódico sueco. No fim das contas, não adianta soar bem só no estúdio; ao vivo é que a banda prova seu peso, e isso eles fizeram sem dificuldade.

Continua...

03 abril 2026

DISMEMBER: o nascimento do clássico "Like an Everflowing Stream"

Por Krampus

Foto promocional do álbum "Like an Everflowing Stream".

No início dos anos 1990, a Suécia consolidava seu nome como um dos principais polos do death metal mundial. Com uma sonoridade própria — marcada por guitarras densas e atmosfera sombria —, bandas como ENTOMBED e CARNAGE ajudaram a definir os rumos do gênero. Nesse cenário efervescente, o DISMEMBER surgia como um dos nomes mais promissores da cena.

Assim como seus compatriotas do NIHILIST e do ENTOMBED, o DISMEMBER já lançava demos desde 1988. No entanto, enquanto o ENTOMBED estreou em 1990 pela Earache Records, o DISMEMBER levou cerca de 11 meses a mais para lançar seu primeiro álbum pela Nuclear Blast.

Carnage.

A demora pode ser explicada por diferentes fatores: desde o tempo necessário para a contratação pela gravadora até o envolvimento de seus integrantes — Matti Kärki, David Blomqvist e Fred Estby — com o primeiro disco do CARNAGE, "Dark Recollections". Vale lembrar que algumas faixas originalmente ligadas ao repertório do DISMEMBER, como "Self Dissection" e "Death Evocation", acabaram sendo registradas nesse álbum.

Naquele período, a cena sueca de death metal era marcada por intensa colaboração entre músicos. Kärki, por exemplo, chegou a substituir Johan Liiva — que posteriormente integraria o ARCH ENEMY. Já Michael Amott deixou o CARNAGE rumo ao CARCASS, enquanto outros integrantes circularam por bandas como o próprio ENTOMBED. Era um cenário de trocas constantes, típico de um movimento ainda em formação.


É nesse contexto que surge "Like an Everflowing Stream" — doravante referido como LAEFS —, um dos lançamentos fundamentais do death metal sueco. Ao lado de "Left Hand Path", do ENTOMBED, e de "Dark Recollections", do CARNAGE, o disco ajudou a consolidar o som característico da região. Em comparação ao trabalho do CARNAGE, de produção mais branda, LAEFS se destaca por sua abordagem mais crua, agressiva e visceral.

Embora compartilhe três integrantes com o CARNAGE, o DISMEMBER apresenta aqui uma sonoridade renovada. Em relação a "Left Hand Path", o álbum soa mais sombrio e ameaçador, apostando em contrastes entre velocidade e cadência. Faixas como "And So Is Life" evidenciam o uso inteligente de melodias e variações rítmicas, enquanto elementos pouco usuais, como vocais em coro, ampliam a atmosfera das composições.

Outro destaque é "Dismembered", cuja introdução longa e sinistra cria tensão antes de evoluir para passagens intensas, marcadas por blast beats e mudanças de andamento. Já "Bleed for Me" revela resquícios do punk sueco, ainda que em menor grau, enquanto "Skin Her Alive" flerta com o thrash metal, podendo facilmente ser associada a nomes como Darren Travis ou Mille Petrozza.

Sem a necessidade de analisar faixa a faixa, fica evidente que o DISMEMBER entregou um trabalho mais sombrio e consistente do que muitos de seus contemporâneos. Até mesmo escolhas estéticas típicas da época, como os efeitos vocais em "Defective Decay", soam coerentes dentro do contexto do início dos anos 1990.

Recentemente, a banda anunciou seu retorno com a formação original, reacendendo o interesse dos fãs por um dos nomes mais importantes do death metal escandinavo.

Selo: Back On Black
Data de lançamento: 28 de março de 2010 [originalmente de 1991]

Formação:
Fred Estby – Bateria, Letras;
Matti Kärki – Vocal, Letras;
David Blomqvist – Guitarra Rítmica (solo na faixa 1);
Robert Sennebäck – Guitarra Rítmica;
Richard Cabeza – Baixo;
Participação especial de
Nicke Andersson [baterista do Entombed ] – Guitarra Solo (faixas 2-8).

Lista de faixas:
1 Override of the Overture
2 Soon to Be Dead
3 Bleed for Me
4 And So Is Life
5 Dismembered
6 Skin Her Alive
7 Sickening Art
8 In Death's Sleep
9 Deathevocation
10 Defective Decay
11 Torn Apart
12 Justifiable Homicide


01 abril 2026

EXORCIST: A GÊNESE ASSUSTADORA DE "NIGHTMARE THEATRE"

Por Krampus


Nos anos 90, meu grupo de amigos — mais de 30 jovens fanáticos por metal — estava totalmente imerso no movimento underground. Se a capa fosse brutal ou ofensiva e a música combinasse, estávamos dentro. Logo as comportas se abriram e inúmeras bandas "novas" surgiram, como Bathory, Possessed, Mayhem e Exodus, e a cada álbum o gênero se expandia, ficando mais intenso.

Um dia, nos deparamos com um álbum que marcou mais do que talvez todos os outros que vieram antes dele, com seu som demoníaco e uma narrativa que, mais de trinta anos depois, ainda me fazem elogiá-lo aos quatro ventos. Esse álbum era de uma "banda" desconhecida chamada Exorcist, e se chamava Nightmare Theatre. Curiosamente, a história de como essa obra-prima surgiu pode ser mais interessante do que o próprio disco...

Veja bem, no início dos anos 80, havia um vocalista e compositor em Nova York chamado David Defeis. Ele era o líder de uma pequena banda independente de power metal chamada Virgin Steele, que nunca alcançou o sucesso das bandas que mencionei anteriormente, mas lançava álbuns excelentes no estilo do Queensrÿche e do Iron Maiden do início de carreira.

No entanto, depois de "pegar emprestado" dinheiro do seu empresário para conseguir a qualidade de álbum que ele e a banda desejavam, esse empresário começou a querer parte do dinheiro de volta. Querendo que seu cliente "cantasse com os anjos" em vez de "dormir com os peixes", ele propôs uma ideia irrecusável para Defeis: compor alguns álbuns para ele, encontrar alguns músicos, gravar tudo rapidamente e produzir três discos que ele pudesse vender além dos trabalhos do Virgin Steele — tudo sem que ninguém soubesse que era, na verdade, o David.

Embora o fato de artistas fingirem ser outros não fosse exatamente uma novidade (vide os dois primeiros álbuns dos Monkees, com músicos e compositores "de verdade"), era algo inédito no mundo do metal. Mas Defeis, numa situação delicada, aceitou o acordo para quitar a dívida. Junto com o guitarrista do Virgin Steele, Edward Pursino, ele se propôs a gravar três álbuns de metal em um mês. Isso mesmo, UM mês! Com cada um tentando ser distinto, diferente e definitivamente fora do estilo Virgin Steele, eles entraram rapidamente no estúdio para criar esse material, tudo sob a forte pressão de se livrarem das pessoas que os cobravam.


O primeiro disco foi de uma banda já estabelecida chamada Piledriver. Liderada pelo vocalista Gord Kirchin, a formação tinha um estilo meio parecido com o do The Mentors, com machões que exaltavam sexo, drogas e bebidas. O álbum Stay Ugly foi escrito por Defeis e Pursino depois de ouvirem o primeiro disco da banda, chamado Metal Inquisition, e tentarem dar continuidade ao trabalho de onde ele havia parado. Composto e gravado em menos de uma semana, acabou sendo um sucesso moderado — um bom começo para essa farsa, mas o melhor ainda estava por vir.

O segundo álbum deveria ser um projeto totalmente novo. Uma obra-prima de black metal no estilo do Venom e dos então novatos do Bathory, da Suécia. Defeis ficou encarregado de compor o material, contratar músicos para se juntarem a Pursino, além de supervisionar e produzir o projeto.


Criado num ambiente operístico com forte tradição de contar histórias, Defeis decidiu que seu trabalho teria um conceito: os julgamentos das bruxas de Salem, no século XVII, e a possessão demoníaca que os acompanhava. No entanto, quando chegou a hora de gravar sua obra satânica, tanto o baixista quanto o vocalista contratados desistiram imediatamente devido às suas crenças cristãs. Pressionado pelo tempo, Defeis percebeu que, naquele momento, o único disponível para os vocais era ele mesmo. Então, ele assumiu o microfone e rapidamente transformou sua voz natural de mais de três oitavas naquela voz infernal. E em menos de uma semana, outro álbum estava gravado: Exorcist.

Curiosamente, o que realmente me impressiona neste álbum é a sua qualidade, considerando o pouco tempo que levou para ser criado. Vocais malignos e exagerados que rosnam de dor, solos de guitarra incendiários e até mesmo as partes de baixo e bateria soam como se a banda estivesse tocando aquele material há anos, e não como se fosse uma novidade. Na verdade, ele tinha algo que a maioria dos álbuns daquela época não podia afirmar: era realmente assustador, como um filme de terror da Hammer dos anos 70. Para quem nunca ouviu, imagine se, digamos, o Mercyful Fate fosse "obrigado" a fazer um álbum como o Venom. Ou o Iron Maiden fazendo o seu melhor para imitar o Bathory.


Aliás, fizeram um ensaio fotográfico para a banda "falsa" com quatro caras que não estavam no álbum! Tudo isso sob a pressão de garantir que ninguém reconhecesse que eram, na verdade, os membros do Virgin Steele. E acredite, eles conseguiram. Se esse segredo nunca tivesse sido revelado, nem eu acreditaria que eram as mesmas pessoas. Verdadeiramente uma das histórias mais estranhas do heavy metal underground dos anos 80: eles criaram uma "banda" que, depois que o projeto terminou, chegou às lojas, vendeu bem e desapareceu rapidamente, sem que ninguém jamais desconfiasse que ela não existia de verdade.

Infelizmente — e digo infelizmente mesmo —, como muitas gravadoras daquela época, a Cobra Records faliu antes do fim da década. Por causa disso, Nightmare Theatre nunca foi lançado em CD (apenas alguns bootlegs remasterizados a partir do vinil). Mais de 30 anos se passaram, e só recentemente Defeis admitiu ser o responsável pelo Exorcist. Para nossa sorte, quando ele devolveu as gravações originais desses três álbuns, entregou cópias mixadas, guardando a master original para si, pensando que, quem sabe um dia, pudesse relançar o álbum. Em 2016, ele decidiu que finalmente era a hora certa.

Dito isso, o que eu tenho em casa é a versão mais recente em LP, mas deixe-me contar a vocês como o conjunto de dois CDs foi lançado: completo com luva protetora, novas notas/fotos de encarte e algo que eu jamais imaginei ser possível: não uma, nem duas, mas três versões diferentes do álbum, cada uma ligeiramente diferente das demais. A primeira versão é o álbum original com o qual cresci, remasterizado para os padrões atuais; a segunda é uma mixagem mais alta com algumas pequenas adições; e a terceira, na qual certas partes foram estendidas e regravadas, inclui efeitos assustadores adicionais. No geral, é uma ótima apresentação.

Também há novas faixas "descobertas" do Exorcist, mas que na verdade são novas faixas de Defeis gravadas no clima da banda, que finalmente permitiram que ele fosse ele mesmo, com sua voz característica do Virgin Steele, junto com sua metade sombria "Damian Rath" (sob a qual ele foi creditado no álbum original). Essas novas faixas são interessantes, incluindo duas regravações de "Death By Bewitchment" e "Queen Of The Dead", nas quais ele parece estar fazendo um dueto com ambas as suas versões!

Nightmare Theatre é, sem dúvida, uma obra-prima do thrash/black metal dos anos 80. O fato de um álbum que ouvi pela primeira vez na adolescência me impactar tanto mostra que é algo realmente especial. Um conceito e narrativa únicos (quase dois anos antes de Abigail, do King Diamond), interlúdios aterrorizantes e faixas de metal abrasadoras que ficarão na sua cabeça para sempre.

Por fim, gostaria de acrescentar que, se o Sr. Defeis algum dia ler isto, eu gostaria de lhe agradecer. Sei que o Virgin Steele é seu xodó, seu ganha-pão, mas de todo o seu trabalho, nada me marcou tanto quanto Nightmare Theatre. Uma obra conceitual verdadeiramente original para uma era do metal que jamais morrerá. Ainda soa tão atual e assustadoramente original quanto em 1986. Sua remasterização pessoal ficou excelente.

Espero que, com isso, uma nova geração de fãs o descubra, fazendo com que você perceba que até mesmo grandes momentos podem surgir da adversidade. Como você, e como a criança no final do álbum, diz: "Tudo graças ao Exorcist, Deus o abençoe."

Ah, e quanto ao "terceiro" álbum de que eu estava falando? Esse projeto final se chamava Original Sin e era para ser uma banda só de mulheres, composta e interpretada por três caras e a própria irmã do David nos vocais principais! Soa como uma continuação musical do Nightmare, mas com uma vocalista gótica, o que por si só já é uma história à parte.

Gravadora: High Roller Records
Ano de lançamento original: 1986 [Reedição analisada em 2018]

Formação:
Damien Rath – Vocal, Baixo
Marc Dorian – Guitarras, Baixo
Jamie Locke – Baixo Geoff Fontaine – Bateria 

Lista de faixas: 
01 – Black Mass 
02 – The Invocation 
03 – Burnt Offerings 
04 – The Hex 
05 – Possessed 
06 – Call for the Exorcist 
07 – Death by Bewitchment 
08 – The Trial 
09 – Execution of the Witches 
10 – Consuming Flames of Redemption 
11 – Megawatt Mayhem 
12 – Riding to Hell 
13 – Queen of the Dead 
14 – Lucifer's Lament 
15 – The Banishment 

24 março 2026

MAJOR MOMENT: O DESAFIO DE SOAR ALÉM DO ALGORITMO

 Por Júlio Feriato


Confesso que tenho um certo preconceito com bandas que surgem em anúncios pagos do Instagram — quase sempre soa artificial demais. Mas, como toda regra tem exceção, o MAJOR MOMENT acabou furando essa bolha. A banda lançou no ano passado seu primeiro disco, The Pain That Makes Us Grow, e está para lançar seu sucessor In Love & War, mostrando que talvez haja mais consistência ali do que eu imaginava à primeira vista.

Formada em 2018 na cidade de Boston (EUA), o som do MAJOR MOMENT pode ser definido como uma mistura entre LACUNA COIL e nomes do metal alternativo como LINKIN PARK e PARAMORE (a própria banda se diz influenciada por eles). 

Capa de The Pain That Makes Us Grow.

A música tem um apelo pop muito forte, e eles acertam em composições “chiclete”, com refrões que ficam grudados na cabeça. Músicas como “Toxic” e “The Flood” deixam claro esse jogo entre o pop e o peso, mostrando como a banda sabe dosar bem melodias grudentas com passagens mais intensas.

A dupla de vocalistas Andrey Borzykin e Sasha Razumova (curiosamente, ambos são russos) funciona muito bem, criando aquele contraste já conhecido entre vocal masculino e feminino, mas sem soar datado. Pelo contrário, há uma certa modernidade na forma como as vozes se complementam, principalmente nas alternâncias entre partes mais suaves e explosões mais pesadas.

O material segue uma linha bastante acessível, com produção polida e foco claro em alcançar um público amplo. Para alguns ouvintes mais puristas, isso pode soar excessivamente comercial — e, sendo sincero, em alguns momentos realmente flerta com esse limite. Ainda assim, é difícil negar a eficiência das faixas: há um cuidado evidente com melodias, estrutura e impacto imediato.

A banda já deu alguns bons indícios do que está por vir com os videoclipes de “Promises” e “Not That Broken”, além do lyric video de “All For None”, que mostram uma bela evolução em relação ao que foi apresentado em The Pain That Makes Us Grow. Há um amadurecimento perceptível tanto na parte estética quanto na musical. As composições parecem mais seguras, os refrões continuam fortes, mas soam menos padronizados, e a produção ganha ainda mais peso e refinamento.


É como se o MAJOR MOMENT estivesse começando a encontrar uma identidade mais própria, deixando de soar apenas como um conjunto de influências bem executadas. Se o álbum completo mantiver esse nível, há boas chances de a banda dar um passo importante dentro do cenário — principalmente entre aqueles que buscam um metal moderno, acessível e com forte apelo melódico.

No fim das contas, meu preconceito inicial acabou sendo deixado de lado. Talvez não seja o tipo de som que eu colocaria como prioridade no dia a dia, mas reconheço que é um trabalho competente — e, principalmente, honesto dentro daquilo que se propõe.

 

26 fevereiro 2026

SANCTUARY: Into The Mirror Black é um clássico que atravessou gerações

Por Júlio Feriato
Formação clássica do Sanctuary.
É curioso como o tempo avança sem pedir licença e, muitas vezes, sem que a gente perceba. A sensação é de que foi ontem. Mas não foi.

Já se passaram décadas desde aquela tarde em que saí da minha cidade com alguns amigos rumo a uma loja de discos numa cidade vizinha. O motivo? Uma prateleira generosa dedicada ao heavy metal, um verdadeiro oásis para um bando de adolescentes barulhentos e apaixonados por música pesada.

Eu já conhecia a loja, mas, daquela vez, havia um objetivo muito claro: comprar Into The Mirror Black, do SANCTUARY. Dias antes, tínhamos assistido ao clipe de "Future Tense" no saudoso Fúria Metal, da MTV. Foi o suficiente para nos deixar completamente obcecados. Imagine a cena: metaleiros de 14, 15 anos, hipnotizados diante da televisão, impactados por aquela avalanche sonora e visual. E, claro, pela figura magnética de Warrel Dane, com o cabelo quilométrico, a presença imponente e aquela voz dramática, única, inconfundível. Era impossível sair ileso daquela experiência.

Confesso: foi ali que nasceu a inspiração para este que vos escreve deixar o cabelo crescer. Porque, naquela época, mais do que ouvir heavy metal, eu queria viver aquilo. E vivi.

Mas este texto não é apenas memória afetiva. É também celebração. São 36 anos de um disco que se tornou um dos grandes clássicos do heavy metal mundial e, no meu caso, um dos álbuns mais ouvidos da vida.

Eu já conhecia o SANCTUARY por Refuge Denied, outro trabalho que amo. Mas foi em Into The Mirror Black que a banda decidiu dar um passo além. A produção ficou a cargo de Howard Benson, que entregou uma sonoridade mais limpa e definida do que no debut, sem diluir o peso. É um disco que soa mais encorpado, mais maduro. As composições apresentam arranjos mais trabalhados, com nuances progressivas — não no virtuosismo intrincado de um Dream Theater, mas em estruturas menos óbvias, mudanças de dinâmica e um refinamento que amplia o impacto das músicas.

A cozinha ganhou força. O baixo de Jim Sheppard, por exemplo, aparece com muito mais personalidade, ajudando a construir a atmosfera sombria que permeia o álbum.

Mas o grande destaque é, sem qualquer dúvida, Warrel Dane.

Se em Refuge Denied ele flertava com agudos mais estridentes, claramente influenciados por King Diamond, aqui ele assume de vez a própria identidade. Os agudos continuam presentes, mas surgem mais controlados, mais técnicos, mais emocionais do que teatrais. A evolução entre um disco e outro é evidente. Warrel já sabia exatamente o que estava fazendo: dominava a interpretação, a intensidade, o drama. Em muitos momentos, é difícil não pensar que ele sozinho já valia pela banda inteira.

A bela capa, sombria e quase onírica, dialoga perfeitamente com as letras introspectivas e existenciais — uma característica que se tornaria ainda mais marcante na trajetória posterior de Warrel.

Entre as faixas, “Future Tense” acabou se tornando o cartão de visitas por causa da forte exposição na MTV. Mas reduzir o álbum a esse single seria uma injustiça. O disco é coeso, maduro e inspirado do início ao fim. Ainda assim, algumas músicas sempre falaram mais alto por aqui: "Eden Lies Obscured", "Epitaph" e "Season of Destruction" (sempre achei que esta merecia um videoclipe). Foram elas as responsáveis por incontáveis noites de air guitar no meu antigo quarto, quando o mundo lá fora podia esperar e tudo o que importava era aumentar o volume e deixar o disco girar.


Mas, mesmo com toda essa maestria, o SANCTUARY foi mais um nome vencido pela ganância da indústria musical. Para entender isso, é necessário relembrar o contexto em que esse disco foi inserido.

Lançado em 1990 pela Epic Records, o álbum surgiu em um momento de transição no cenário pesado: o thrash vivia seu auge comercial, o glam ainda dominava a programação da MTV e o grunge começava a ganhar forma em Seattle. No meio desse choque de estilos, o SANCTUARY apostou em algo mais sombrio, técnico e emocional — um heavy metal denso, tradicional na essência, mas já apontando para estruturas mais elaboradas.

Nos bastidores, porém, o cenário era menos harmônico. Havia pressão da gravadora por um som mais acessível e divergências internas sobre os rumos musicais da banda. As tensões durante e após a turnê acabaram contribuindo para o fim do grupo pouco tempo depois. Das cinzas surgiria o NEVERMORE, que aprofundaria muitas das ideias estéticas e temáticas plantadas aqui.

Apesar dos elogios da crítica, Into The Mirror Black não alcançou grande sucesso comercial. Talvez tenha sido pesado demais para o mainstream da época e sofisticado demais para parte do público tradicional. O tempo, porém, fez justiça. Atualmente, o álbum é reverenciado como uma das obras mais consistentes do metal técnico do início dos anos 1990.

Olhando em retrospecto, Into The Mirror Black soa como um disco lançado na encruzilhada de uma era. Carrega o peso do passado, antecipa caminhos do futuro e mantém uma identidade muito própria. Talvez seja por isso que continue tão atual. E talvez seja por isso que, para muitos de nós, ele não seja apenas um clássico, mas parte da nossa própria história. Pelo menos da minha, é.

18 fevereiro 2026

BANGERS OPEN AIR: DIVULGADA A GRADE DE ATRAÇÕES


A organização do Bangers Open Air divulgou a programação oficial com a ordem das atrações para a edição 2026, marcada para 25 e 26 de abril. 

Ao todo serão 44 shows distribuídos em quatro palcos: Hot Stage, Ice Stage, Sun Stage e Waves Stage.

Confira:

Clique para ampliar imagem


Ingressos: a venda segue acontecendo neste link informado pela organização.

Esta será a segunda edição do festival com o nome Bangers Open Air; as duas edições anteriores foram realizadas sob a marca Summer Breeze Brasil.

10 fevereiro 2026

BANGERS OPEN AIR 2026: CARTAZ OFICIAL É DIVULGADO

A organização do Bangers Open Air divulgou o cartaz oficial da edição que acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. 

A nova arte confirma as bandas ARCH ENEMY, KRISIUN e AMBUSH no line-up, substituindo TWISTED SISTER, ELUVEITIE e COBRA SPELL.


Segundo a organização do evento, o cronograma com os horários das apresentações deverá ser divulgado ainda nesta semana. Inicialmente anunciado como um dos headliners, o TWISTED SISTER se reuniria para celebrar 50 anos de carreira, mas a apresentação — assim como outros compromissos futuros — foi cancelada em razão de problemas de saúde enfrentados pelo vocalista Dee Snider. 

Entre os destaques da edição de 2026 está o ANGRA, que prepara um show especial para o festival, conforme detalhado em nota oficial.

Ainda não garantiu seu ingresso? CLICA AQUI.