01 julho 2022

ANGEL WITCH: ex-integrante fala sobre os primórdios da banda


O ANGEL WITCH será headliner do primeiro dia do "Setembro Negro Festival", que acontecerá em São Paulo este ano. Portanto, nada melhor do que fazer um "esquenta" e ler esta excelente entrevista com o baixista Kevin Riddles, que fez parte da banda lá no comecinho, entre 1978 e 1981. Confira. 


O Angel Witch foi formado em 1976, apenas alguns anos após o lançamento do álbum de estreia do Led Zeppelin, e, junto com o Iron Maiden, foram os principais membros do que se tornaria o movimento NWOBHM. 

O baixista Kevin Riddles estava lá no início e a gente conversou com Kevin para falar sobre suas memórias daquela época, a inspiração para o projeto BAPHOMET e como seu cachorro uma vez mijou nas novas botas de Ronnie James Dio.

Há um romantismo da New Wave Of British Heavy Metal nos dias de hoje, mas as bandas daquela época sabiam que faziam parte de um movimento? “Nós não tínhamos a menor ideia”, disse Kevin Riddles ao MetalTalk. “Não é um Scooby Doo. Nós éramos apenas uma banda de shows como Maiden, como Samson, como o resto deles. Estávamos lutando por shows como você sempre faz.”

Os shows do Music Machine começaram a acontecer em uma noite de segunda-feira, e Angel Witch estava lá junto com Saxon, Samson, Iron Maiden e Praying Mantis. “Então a Sounds apareceu, fez aquela revisão e cunhou a frase, mas não percebemos que éramos parte de algo especial e diferente na época.” O álbum auto-intitulado Angel Witch é agora considerado um clássico da época. “Devo dizer que estava orgulhoso disso na época”, diz Kevin. “Éramos apenas uma banda de trabalho. Adorávamos fazer os shows que estávamos fazendo, e quanto mais longe de casa pudéssemos fazê-los, melhor. Nós nos sentíamos como uma banda de rock 'n' roll de verdade.”


Riddles estava trabalhando em uma loja de música em Lewisham. “Kev Heybourne costumava entrar e comprar cordas, palhetas e esse tipo de coisa e sentar e passar uma hora ou mais, tocando nos vários amplificadores Marshall que costumávamos ter”, lembra Riddles e Heybourne tomou nota. “Eu estava demonstrando um amplificador de baixo para alguém do outro lado da loja, e Kev estava tocando no marshall combo.”

Heybourne estava emergindo dos restos de Lúcifer. “Ele disse, eu tenho uma pequena banda. Nós ensaiamos no The Green Man toda terça à noite. Você gosta de vir junto? Naquela época, eu não tinha feito nada musicalmente. Eu morava em Harlow em Essex e dirigia para Lewisham todos os dias. Minha base era em Harlow, e não havia muita coisa acontecendo lá. Então eu disse, sim, por que não?

“Foi assim que começou. Fui arrastado da obscuridade de uma loja de música em Lewisham para as alturas movimentadas de Angel Witch quase da noite para o dia. Com Kev Wayborne, Rob Downing, eu e Dave Hogg na bateria, o acordo era que poderíamos ensaiar quantas vezes quiséssemos durante a semana, desde que fizéssemos um show gratuito para ele uma vez por mês.”

Angel Witch ensaiava e planejava três noites por semana com “um quase abuso do privilégio”, colocando a banda em forma.


A música Baphomet foi o grande avanço para a banda quando foi adicionada à compilação Metal For Muthas. “Ficamos encantados em nos tornar uma banda de gravação adequada”, diz Kevin. “Também tivemos uma sessão no Friday Rock Show com Tommy Vance, e essa foi uma das três ou quatro músicas que tocamos lá.”

Metal For Muthas disse que a versão de Baphomet era muito longa. “Nós regravamos e cortamos um verso e um refrão, e essa é a versão do álbum.”

Iron Maiden e Angel Witch foram as únicas bandas a ter duas músicas nesse álbum. “O Maiden teve uma gestão brilhante”, disse Kevin. “Essa combinação de Steve Harris e Rod Smallwood foi uma combinação perfeita e funcionou perfeitamente para eles. Tínhamos o que eu achava que era uma grande banda que precisava de mais direção, mas éramos muito jovens e inexperientes para saber qual era essa direção. Parte do acordo com o Metal For Muthas era que tínhamos as duas faixas do álbum com a opção de um single.

“Mais uma vez, o Maiden tinha o mesmo acordo, e nós dois aceitamos a opção do single. Então conseguimos três faixas desse acordo e, nesse ponto, o Maiden assinou diretamente com a EMI e assinamos com a Bronze. Não tínhamos ideia da diferença na época. Nós apenas pensamos, ótimo, temos um acordo, e vamos embora, você sabe. Claro, olhando para trás agora, havia uma enorme diferença. Mas ficamos gratos por ter a chance de fazer algumas gravações. Estávamos genuinamente na lua.”


A gravação do álbum Angel Witch foi a banda no auge, aproveitando as oportunidades e aproveitando as experiências. “Eu posso olhar para trás agora, e aparece no álbum, mantivemos o entusiasmo de tocar ao vivo”, diz Kevin. “Mantivemos o aspecto divertido disso. Nunca fomos particularmente sérios. Sempre teve aquela atitude de, por Deus, estou gostando disso, sabe. Eu ainda estava trabalhando com a loja de música na época. Eu me casei, me mudei para um apartamento da empresa e fiz a coisa da Angel Witch. Uriah Heep esteve no Roundhouse Studios, e aqui estamos no mesmo Studio. Na verdade, toquei as partes do teclado usando o Hammond de Ken Hensley.”

Seguiu-se uma turnê com o Black Sabbath, que estava na formação clássica do Heaven And Hell. “Depois tive que largar o trabalho. Eu realmente não poderia desaparecer do trabalho por cinco semanas e dizer que era por causa das minhas unhas encravadas, você sabe.”

Bem no meio da gravação, John Henry “Bonzo” Bonham morreu. “Provavelmente sou eu pensando demais”, diz Kevin, “mas realmente nos derrubou por seis. Eu ouço o álbum agora, e quase posso dizer quando isso aconteceu no processo de gravação. Mas, isso foi o mais divertido que eu já tive na minha vida. Querido Deus, eu sou uma estrela do rock. Eu toquei o Marquee, e o Zeppelin tocou neste palco sangrento. Hendrix? Ele provavelmente fez xixi naquele canto. Isso foi importante. É mais ou menos para isso que você faz essa merda. Sentir-se não no mesmo nível, mas na mesma zona e nos passos das pessoas que você cresceu admirando.”

Angel Witch lançou a faixa-título do álbum como single antes do lançamento do álbum, que caiu bem. “Era uma daquelas músicas”, diz Kevin, “onde uma vez você tinha pessoas gritando, berrando e cantando, era muito difícil pará-las”.

Há sugestões online de que ao vivo, eles tiveram que tocar a faixa-título duas vezes em seu show. Isso é algo que Kevin consegue se lembrar? “Fizemos isso algumas vezes. Houve um momento clássico na turnê Heaven And Hell com o Sabbath em que um jovem Bill Ward inadvertidamente caiu do suporte da bateria ou algo assim, quebrou a cabeça e foi levado para o hospital.


“Acho que foi o Portsmouth Guildhall em uma passagem de som. Todo mundo está preocupado com ele, e continuamos tocando nosso set de abertura. No final, seu empresário e Geezer Butler disseram que tínhamos que fazer mais uma vez que Bill não voltou. Acabamos tendo que jogar mais três ou quatro. Nós costumávamos fazer algumas músicas de UFO no passado, então nós as ressuscitamos e chegamos ao ponto em que tivemos que fazer Angel Witch novamente. Eles disseram para continuar tocando enquanto Bill estava voltando, mas a única música que nos restava era Paranoid.”

O plano era acelerá-lo, para que Sabbath não notasse. “Fizemos a versão mais rápida do mundo do Paranoid. Provavelmente durou cerca de um minuto e 45 minutos. Nesse ponto, Bill subiu na bateria, pensando que o Sabbath havia começado o set. Ele tinha uma grande e velha bandagem branca na cabeça.”

Assistir ao lineup do Heaven And Hell foi algo especial. “Até o álbum sair, eu nunca tinha ouvido Ronnie Dio”, diz Kevin. “Eu não posso te dizer por quê. É apenas uma daquelas coisas que passaram por mim. Mas ouvi-lo do lado do palco foi simplesmente incrível. De cair o queixo. Eu não acho que a banda tenha tocado tão bem desde então. Foi literalmente um jogo feito no céu.

“Ele é provavelmente o maior vocalista que já ouvi. Bob Plant provavelmente está lá em cima com ele, mas acho que ao vivo, ele foi simplesmente inacreditável. E ótimo, muito divertido. Eu tenho que dizer, para um pequeno homem americano que tinha feito tudo, ele era tão pé no chão.”

Há, então, a história dos alegres ups de ontem à noite. “Eu trouxe meu cachorro Boris e meu plano era subir no palco enquanto eles tocavam, vestindo um boné chato e uma vassoura. Eu tinha um fone de ouvido e um microfone, e atravessei o palco no intervalo da música, dizendo 'vamos lá, dê o fora daqui, você tem que ir, você terminou aqui' com um sotaque do norte.

“Cerca de uma semana antes disso, Ronnie havia encomendado essas botas de pele de cordeiro até o joelho de algum alfaiate especial em Londres. Ele está no palco com essas botas fantásticas, mas Boris, o cachorro, foi até Ronnie e mijou em uma de suas botas. Uma das poucas coisas que me lembro sobre física na escola era o termo osmose porque, enquanto Boris fazia xixi nas botas, a osmose fazia o xixi nas botas, então elas foram ficando cada vez mais escuras e mais escuras. Ronnie não tinha notado.

“Quando ele se moveu no início da próxima música depois que eu deixei o palco, ele de repente começou a balançar a perna, percebendo o que havia acontecido. Ele apenas olhou para mim com um enorme sorriso no rosto e disse: 'Vou pegar você'”. A vingança de Ronnie foi encher a cama de Kevin com espuma de barbear naquela noite enquanto ele dormia.


Em 1981 veria Kevin Riddles deixar Angel Witch e formar Tytan. “Parecia que tínhamos ido tão longe quanto iríamos. Bronze era uma operação familiar de um homem só. Não havia muito apoio da gravadora. Eles estavam interessados ​​em um segundo álbum, mas parecia que eles estavam seguindo os movimentos.

“Foi apenas um momento muito estranho. Estávamos fazendo os mesmos shows. Nós não poderíamos simplesmente empurrar um pouco mais para a frente. Chegou a um fim natural, realmente. Kev Heybourne meio que concordou, porque ele saiu e fez algumas coisas com outras bandas antes de reunir o Angel Witch novamente alguns anos depois.”

Quando você percorre os anos 80, 90 e o novo século, as pessoas olham para aquela época e falam sobre o álbum Angel Witch ser um dos responsáveis ​​por moldar a ascensão do Thrash Metal em meados dos anos 80. “Lembro-me de ver uma entrevista em um filme com Lars Ulrich”, diz Kevin. “Ele citou Angel Witch como uma das influências por trás do Metallica. Nós o colocamos no Marquee de graça toda vez que jogamos lá. Ele dormiu no meu maldito sofá por semanas a fio porque ele era um sem-teto.

“Ele nunca nos ofereceu um show, o pequeno vagabundo. Eles tiveram a sorte, a gestão, o talento e tudo mais. Eles acertaram o pacote, pegaram suas carreiras e correram com ele. Isso foi brilhante, ouvir que nós os influenciamos. Foi simplesmente uma coisa extraordinária de se ouvir. Você sabe, as pessoas falam sobre o cabelo na parte de trás do pescoço subindo. Esse foi um desses momentos. Eu já vi escrito antes que o álbum Angel Witch estava entre os 20 melhores álbuns da NWOBHM de todos os tempos.”

A ideia para o Baphomet de Kevin Riddles veio da esposa, Julie. “Ela disse, 'por que você não fez algo com aquele primeiro álbum?' Há o primeiro álbum mais meia dúzia de músicas extras com as quais eu estava envolvido. Angel Witch ainda tem que tocar muitas dessas músicas agora, mas não todas.”

A ideia foi trabalhada durante o lockdown, com um setlist elaborado e músicos recrutados. Kev Heybourne deu sua bênção, e o show de 11 de dezembro parece ser o começo de algumas viagens divertidas pela memória.

Gary Bowler, do Satans Empire, tocará bateria, e um cantor convidado especial será anunciado em breve, com mais surpresas reservadas também. Os ensaios estão soando bem, e a lista de shows está crescendo, com shows também agendados na Espanha e na Bélgica.

“Espero que voltemos um pouco da diversão que tínhamos nos anos 80. Essa é a ideia. Se as pessoas revisitarem isso em suas cabeças, quando nos viram no Marquee, ou quando nos viram no Sundown, ou quando nos viram em Hammersmith, ou quando nos viram na Prefeitura de Newcastle, se saírem com um sorriso no seu rosto, isso é tudo que posso pedir.”

Quando o Angel Witch gravou aquele primeiro álbum e tocou naqueles primeiros shows, a atmosfera estava cheia de exuberância juvenil. O show no The Dev é uma maneira perfeita de homenagear esses tempos, e as memórias para muitos ainda serão fortes.

"Eu provavelmente vou cair", diz Kevin. “Vou começar a chorar em algum momento. Estou obrigado. É o que eu faço. Mas, sim, vamos nos divertir.”

Fonte: MetalTalk

19 junho 2022

Algumas palavras sobre Trevor Strnad, do THE BLACK DAHLIA MURDER

Não vou começar este artigo fingindo que tenho uma solução para a dor ou que fiz as pazes com o fato de que Trevor Strnad do THE BLACK DAHLIA MURDER  não está mais conosco. Já se passaram dois meses e alguns dias desde sua morte e, francamente, ainda estou tentando processar isso; dizendo a mim mesmo que não pode ser verdade desde que vi Strnad e seus companheiros de banda aparentemente se divertindo no palco pelo menos sete vezes. Com o tempo, aceitarei o que aconteceu. Mas vamos dar uma olhada para trás.

The Black Dahlia Murder.

Em 2003, o THE BLACK DAHLIA MURDER estava começando a atrair alguma atenção com seus vídeos para "Funeral Thirst" e "Contagion" ocasionalmente fazendo rotação no Headbanger's Ball. Naqueles primeiros dias da "New Wave of American Heavy Metal", a maior parte da atenção da MTV e da Fuse foi direcionada para bandas de metalcore como LAMB OF GOD e SHADOWS FALL. Mas abaixo deles havia um grupo de músicos que não eram tão facilmente categorizados e que também procuravam uma oportunidade de se destacar. BETWEEN BURIED AND ME, DECAPITATED, GOJIRA, MASTODOM, o próprio THE BLACK DAHLIA MURDER, e muitos outros compunham essa classe de artistas talentosos. Com o passar do tempo, esses artistas continuaram em turnê e lançando novos discos com vários graus de sucesso. De alguma forma o BLACK DAHLIA MURDER conseguiu passar na frente e atrair mais atenção a cada lançamento.

A banda passou a segunda metade de 2012 em turnê promovendo seu bem recebido Ritual - o melhor álbum pela estimativa deste escritor - e foi um dos headliners do New England Metal e Hardcore Fest. Apenas um ano depois, eles estavam liderando o Summer Slaughter 2013 com WHITECHAPEL, DYING FETUS e DARKEST HOUR servindo como abertura. Esses adoráveis ​​excêntricos de Michigan levaram o Death Metal a novos patamares desde 2003, desembarcando nas paradas da Billboard e fazendo turnês com alguns dos maiores artistas do metal atualmente.

Olhando além de todo o sucesso e elogios da crítica, agora nos concentramos em Strnad, a pessoa. E parece não haver negatividade para relatar nesta frente. A manifestação de amor desde a notícia de sua morte pinta a imagem de um homem amado por sua comunidade e colegas. Eu tive a grande sorte de poder entrevistá-lo em 2012 e ele era um cara adorável que adorava falar sobre música, principalmente death metal. Mas no palco é onde ele estava em seu elemento, já que BLACK DAHLIA MURDER foi um dos melhores shows ao vivo que eu testemunhei. Eles não tinham pirotecnia, produção elaborada ou cenários digitais, mas ainda podiam comer o almoço de qualquer outra banda apenas com sua energia bruta e riffs. Não acredita? Assista ao DVD Majesty.

O caminho para a aceitação será mais difícil do que nunca, considerando que também perdemos recentemente outros heróis do gênero como Riley Gale , LG Petrov , Joey Jordision , Alexi Laiho e Caleb Scofield. Mas seus legados vivem junto com os de Strnad sempre que uma criança ouve um de seus álbuns, veste uma camiseta ou costura um remendo. Obrigado, Trevor.

18 junho 2022

SKELETAL REMAINS - The Entombment of Chaos (resenha)


Dois anos se passaram desde o lançamento do feroz Devouring Mortality (2018) e, durante este tempo, o SKELETAL REMAINS atualizou sua formação com o fundador Chris Monroy (vocal e guitarra), acompanhado pelo guitarrista Mike De La O, Noah Young no baixo e Charlie Koryn na Bateria. The Entombment of Chaos saiu em 11 de setembro de 2020 (data emblemática para os norte americanos e em meio a pandemia do Coronavírus) e manteve a mistura clássica de death metal com influências de DEATH, OBITUARY, MORBID ANGEL, PESTILENCE e outras tantas que seguem esta linha. E ainda assim, a banda expandiu seu som com mudanças mantêm todas as qualidades terrenas que fizeram de Devouring Mortality um lançamento tão sólido.


O coração da banda é o cantor Chris Monroy, cujo rugido inspirado em Chuck Schuldiner é algo especial. O disco começa com um ritmo de metralhadora em "Illusive Divinity", cortando guitarras de Monroy e De La O perambulando pela seção rítmica brutalmente apertada. É uma declaração propositalmente explosiva que dá o tom para o resto do álbum. Não há dúvida de que este é o trabalho mais impressionante que os californianos criaram; mais "dark", ainda mais consistente. Há um fio condutor ao longo do álbum, mantendo a paridade entre as músicas. A produção é impecável o suficiente para evitar o excesso de polimento enquanto ainda retém grão suficiente para evitar ser polido demais (não é surpresa quando você descobre que a banda mais uma vez chamou Dan Swanö para fazer a mixagem).


A adição de leads melódicos é uma adição bem-vinda, dando às músicas mais profundidade e seriedade. O desempenho de Koryn em particular é impressionante, já que ele foi adicionado ao time no último minuto. Faixas como "Synthetic Impulse" e a impressionante "Unfurling the Casket" demonstram maturidade na composição. Colocar um cover punitivo de "Stench of Burning Paradise" do DISINCARNATE (com vocais convidados de Simon Duson do CARNATION) rendeu um espetacular álbum de death metal clássico.


SKELETAL REMAINS não tentou reinventar a roda com este álbum. Em vez disso, eles se concentraram em seus pontos fortes e expandiram a qualidade que era evidente nos álbuns anteriores, entregando um álbum seriamente bom. Como Monroy comentou: “Sentimos que este é um grande avanço em relação aos nossos lançamentos anteriores e mal podemos esperar para compartilhá-lo com todos os nossos fãs de death metal! Esperamos que todos gostem tanto quanto nós.”

A banda é uma das atrações do Setembro Negro Festival no terceiro dia do evento. Clique no cartaz abaixo para maiores informações sobre outras atrações e ingressos.


01 junho 2022

SETEMBRO NEGRO FESTIVAL 2022 - leia informações sobre o evento

Os shows ocorrerão nos dias 02, 03 e 04 de Setembro (sexta, sábado e domingo) de 2022.
SEXTA 02.09 
11:00 - ABERTURA DA CASA 
12:00 - 12:30 - APOKALYPTIC RAIDS 
12:50 - 13:20 - MALEFACTOR 
13:40 - 14:15 - INTROTYL 
14:35 - 15:15 - FACADA
15:35 - 16:15 - HEADHUNTER DC 
16:35 - 17:15 - MASACRE 
17:35 - 18:20 - CONAN
18:40 - 19:25 - BLOOD RED THRONE
19:45 - 20:35 - HARAKIRI FOR THE SKY
20:55 - 21:55 - ANGEL WITCH 

SABADO 03.09 
11:00 - ABERTURA DA CASA 
12:00 - 12:30 - HAVOK 666 
12:50 - 13:20 - NEUROTICOS
13:40 - 14:15 - KNIFE
14:35 - 15:15 - GATECREEPER
15:35 - 16:15 - PSYCROPTIC
16:35 - 17:15 - HELHEIM
17:35 - 18:20 - WEEDEATER
18:40 - 19:25 - SUICIDAL ANGELS
19:45 - 20:35 - HEATHEN
20:55 - 21:55 - VIO-LENCE

DOMINGO 04.09 
11:00 - ABERTURA DA CASA
12:00 - 12:30 - SODOMA
12:50 - 13:20 - EXTERMINATE
13:40 - 14:15 - ROT 
14:35 - 15:15 - INTER ARMA
15:35 - 16:15 - SOULBURN
16:35 - 17:15 - GRAVE MIASMA
17:35 - 18:20 - SKELETAL REMAINS
18:40 - 19:25 - MORK 
19:45 - 20:35 - TRIBULATION
20:55 - 21:55 - DIAMOND HEAD
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LOCAL: Carioca Clube (Rua Cardeal Arcoverde, 2899 - Pinheiros) Tel. (11) 3813-8598 
APOIO: Ashby Cervejaria | Art Crafts of Raphael Gabrio | Burn Artworks | Clube do Ingresso | DK Cast | Heavy Metal Online | LP Metal Press | Metal na Lata | Roadie Crew | UK Serigrafia | Xaninho Discos 
Durante o evento haverá venda de merchandise das bandas participantes e do festival. Aceita-se cartão de credito, debito e dinheiro.
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INGRESSOS: 
FOREIGNERS - Please contact faleconosco@clubedoingresso.com for a CPF number to complete your order. // EXTRANJEROS - póngase en contacto con faleconosco@clubedoingresso.com para obtener un numero de CPF y completar su compra. 

PISTA (01 DIA) 
LOTE 2 (de 01.02 até 25.08) 
Ingresso - R$ 500
Promocional - R$ 250
Estudante/Meia Entrada - R$ 250 

LOTE 3 (de 26.08 até 04.09) 
Ingresso - R$ 600 
Promocional - R$ 300 
Estudante/Meia Entrada - R$ 300 

COMBO PISTA (03 DIAS) 
LOTE 2 (de 01.02 até 25.08) 
Ingresso - R$ 1.000 
Promocional - R$ 500 
Estudante/Meia Entrada - R$ 500 

LOTE 3 (de 26.08 até 02.09) 
Ingresso - R$ 1.332 
Promocional - R$ 666 (de 02.08 ate 02.09) 
Estudante/Meia Entrada - R$ 666 (de 02.08 ate 02.09) 

CAMAROTE (01 DIA) 
LOTE 2 (de 01.02 até 25.08) 
Ingresso - R$ 700 
Promocional - R$ 350 
Estudante/Meia Entrada - R$ 350 

LOTE 3 (de 26.08 até 04.09) 
Ingresso - R$ 800 
Promocional - R$ 400 
Estudante/Meia Entrada - R$ 400 

COMBO CAMAROTE (03 DIAS) 
LOTE 2 (de 01.02 até 25.08) 
Ingresso - R$ 1.400 
Promocional - R$ 700 
Estudante/Meia Entrada - R$ 700 

LOTE 3 (de 26.08 até 02.09) 
Ingresso - R$ 1.800 
Promocional - R$ 900 
Estudante/Meia Entrada - R$ 900
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MEIA ENTRADA De acordo com a Lei Federal 12.933/2013 e o decreto que a regulamenta, 8.537/2015, em vigor desde 1 de Dezembro de 2015. Saiba quem tem direito a reserva de 40% de ingressos destinados a meia-entrada. Conforme abaixo: ESTUDANTES Desde 1 de Dezembro de 2015, entraram em vigor novas regras e um novo documento (padronizado e emitido pela UBES, UNES, ANPG e entidades filiadas), de identificação estudantil (CIE). Saiba mais e solicite a sua no site oficial. A partir de 31 de Março de 2016, nenhum outro documento sera aceito como comprovante do beneficio a estudantes. A apresentação deste documento, dentro do prazo de validade e com foto, na entrada do evento é obrigatória. 

IDOSOS 
Idoso com idade superior a 60 (sessenta) anos tem direito a meia-entrada. Basta apresentar o documento de identidade. 

PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS 
Possuem direito a meia-entrada, estendido a um acompanhante. Deve apresentar o cartão de beneficio de prestação continuada de assistência social a pessoa com deficiência ou documento emitido pelo INSS que ateste aposentadoria, de acordo com a lei complementar 142, de Maio de 2013. 

QUEM MAIS TEM DIREITO? 
Verifique cada região, de acordo com suas leis estaduais e municipais. Outros beneficiários alem de estudantes, idosos e portadores de necessidades especiais; de meia-entrada em São Paulo, são: Professores de rede publica estadual e das redes municipais de ensino, exercendo docência nos níveis infantil, fundamental e médio. Lei Estadual 14729/2012. Apresentar carteira funcional ou holerite e RG. Estudantes que residam no município de Sao Paulo e que estejam matriculados em cursos profissionalizantes (básico e técnico), pre-vestibulares e pós-graduação. Lei Municipal 13.715/2014. 

PROMOCIONAL 
Ingressos tipo promocional é obrigatória doação de 1KG de alimento ou ração animal 
***Entrada permitida a partir de 16 anos
***É obrigatório apresentação do documento de identidade*** 
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PONTOS DE VENDA - INGRESSOS SEM TAXA DE SERVIÇO/CONVENIÊNCIA APENAS NA BILHETERIA DO CARIOCA CLUBE, EM DINHEIRO, DE 2A À 6A DAS 12H ÀS 18H. 

ONLINE: https://www.clubedoingresso.com/evento/setembronegro 

SAO PAULO | SP 
- Bilheteria do Carioca Clube (R. Cardeal Arcoverde, 2899 
- Pinheiros) de 2a à 6a das 12h às 18h. 
 - Galeria do Rock - Loja 255 (Av. São João, 439 - 1º Andar - Loja 255 - Centro) de 2a à 6a das 10:30 às 19h e sábado das 10:30 às 17h. 
 - Tattoo Company (Alameda Itu, 1124 - Cerqueira César - Metro Consolação) de 2a à 6a das 11h às 20h e sábado das 10h às 18h. 
- Ksa do Surf (Rua Guaicuri, 05 - Cidade Júlia) de 2a à sábado das 10h às 19h. 
- School of Rock Analia Franco (R Eleonora Cintra, 82 - Vila Regente Feijó) de 2a à 6a das 10h às 21h e sábado das 10h às 13h. 

BARUERI | SP 
- Absurdo Alphaville (Alameda Araguaia, 2081 - Barueri) de 2a à 6a das 10h às 18h. 
GUARULHOS | SP 
- Maria Loka Urban Shop (R Paulo Lenk, 16 - Jardim Zaira) de 2a à 6a das 10h às 19h e sábado das 10h às 18h. 
OSASCO | SP 
- Crow Rock Wear (R Dona Primitiva Vianco, 195 - Centro) de 2a à sábado das 09h às 19h. 
SANTO ANDRE | SP 
- Metal Music (R Alvares de Azevedo, 159 - Centro) de 2a à 6a das 10h às 19h e sábado das 10h às 18h. 
BRASÍLIA | DF 
- Melodia Music Center (Geminadas Norte, 706 - Asa Norte) sw 2a à 6a das 09h às 19h e sábado das 09h às 15h. 
BELO HORIZONTE | MG 
- Days Music Store (Rua Alagoas, 730 - Loja 04 - Centro) de 2a à 6a das 09h às 19h e sábado das 10h às 13h. 
CURITIBA | PR 
- Shopping Metropolitan - Loja Dr Rock (R Emiliano Perneta, 297 - Loja 04 - Centro) de 2a à 6a das 09h às 20h e sábado das 09h às 17h. 
FORTALEZA | CE 
- Galeria Pedro Jorge 
- Planet CD (R Senador Pompeu, 834 - Centro) de 2a à 6a das 09h às 17h e sábado das 09h às 15h. 
RIO DE JANEIRO | RJ 
- Scheherazade (Rua Conde de Bonfim, 346 - Loja 209 - Tijuca) de 2a à 6a das 10h às 19h e sábado das 10h às 18h.

28 agosto 2021

KRISIUN lança novo videoclipe e anuncia tour na Europa com CRYPTA e DEICIDE


O KRISIUN acaba de lançar videoclipe para a faixa-título do seu recente álbum Scourge Of The Enthroned e anunciou a renovação de contrato com a Century Media Records, após mais de 20 longos anos de sucesso fazendo parte do cast da gravadora. 

"Estamos muito felizes com a extensão de nossa parceria com o Krisiun. Há muitos anos trabalhamos juntos e somos gratos pela confiança em que Max, Alex e Moyses depositaram em nós. Estamos sempre ansiosos para que possamos comemorar muitos anos na nossa casa", declarou Philipp Schulte, vice-presidente da Century Media. 

Confira o vídeo de “Scourge Of The Enthroned”:

   

Além disso, Alex Camargo (vocal/baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateriam) confirmaram que excursionarão ao lado das bandas CRYPTA e DEICIDE pela Europa e Reino Unido em 2022. Serão 29 shows entre os meses de abril e maio.
O grupo também revelou que está trabalhando na produção do seu próximo disco de inéditas. A previsão de lançamento é que ocorra antes do inicio da turnê pelo Velho Continente. 

"Finalmente chegou a hora! Temos a honra de anunciar que estaremos de volta à estrada acompanhando o lendário DEICIDE e a força feminina CRYPTA. Neste momento, estamos trabalhando duro em um novo material. As composições estão tão brutais e tão rápidas quanto antes. Ainda não definimos um nome para o disco, mas as músicas estão crescendo a todo vapor. Se preparem, pois uma poderosa tempestade está chegando. Confira as datas e garanta já o seu ingresso. Nos vemos em breve”, declarou Moyses Kolesne.

17 agosto 2021

Heavy Metal em Cabul? Sim, havia uma cena por lá.

Por SEAN CARBERRY

DISTRICT UNKNOWN

Quando Solomon "Sully" Omar, de 23 anos, sentiu que a cena musical em sua cidade natal, Denver, não lhe proporcionava o que procurava, ele tomou uma atitude radical: mudou-se para Cabul, capital do Afeganistão, país devastado pela guerra de que seus pais fugiram décadas atrás.

“Eu vim aqui para continuar minha educação e ao mesmo tempo ver o que há na cena musical daqui e também trazer algumas das minhas habilidades à ela”, diz Omar. 

Solomon "Sully" Omar se apresenta com a banda afegã de metal District Unknown no terceiro festival anual Sound Central Festival em Cabul.

Omar é membro do DISTRICT UNKNOWN, uma banda de metal cuja apresentação foi um dos destaques do recente Festival Sound Central de música e artes alternativas em Cabul. Mais de 30 bandas se apresentaram em quatro dias durante o terceiro evento anual.

E se você pode imaginar, o cenário de indução de suor do DISTRICT UNKNOWN teve centenas de espectadores afegãos em pé.

Omar diz que ficou agradavelmente surpreso ao encontrar uma cena musical de verdade quando chegou a Cabul.

"Eu esperava encontrar..." - ele faz uma pausa - "nada." 

"Eu não sabia que existia uma cena metal e dub step", diz Omar. "Eu realmente não esperava que a música estivesse viva e respirando bem e saudável aqui no Afeganistão."

Omar, de 23 anos, nascido no Colorado diz que ficou agradavelmente surpreso com a vibrante cena musical que encontrou quando desembarcou em Cabul no ano passado.

O retorno da família ao Afeganistão

As raízes de Omar são afegãs. Ele nasceu e foi criado no Colorado, onde seus pais se estabeleceram depois de deixar o Afeganistão após a invasão soviética de 1979.

Depois que o Talibã foi retirado do poder em 2001, o pai de Omar voltou ao Afeganistão, onde agora trabalha para o Projeto de Educação Superior da Universidade de Massachusetts em Cabul. Sua mãe trabalha em Cabul aconselhando mulheres empresárias.

Seu irmão e sua irmã também se mudaram para o Afeganistão, e Omar foi o último da família a se reinstalar em Cabul.

Ele chegou em agosto passado e se tornou o tecladista, segundo guitarrista e backing vocal no DISTRICT UNKNOWN, após inicialmente ajudá-los a produzir algumas músicas.

Os pais de Omar compareceram ao Sound Central Festival, e foi a vida se fechando para a família. O pai de Omar - que ele descreve como um artista e ex-hippie - se apresentou no mesmo palco do Centro Cultural Francês nos anos 70.

"Meu pai é um grande defensor da minha carreira musical", diz Omar. "Ele quer que eu termine minha escola como primeira prioridade."

Omar está fazendo exatamente isso. Atualmente estudante da American University em Cabul, ele espera estudar produção de música eletrônica no Berklee College of Music em Boston.

Omar diz que é uma experiência diferente atuar diante de um público afegão.

“É uma mistura de pessoas que são grandes fãs de música e artes alternativas, e pessoas que são completamente novas nisso, e acho que é uma ótima mistura”, diz ele.

Embora tenha fãs em Cabul que apreciam o DISTRICT UNKNOWN e seu trabalho como DJ, ele recebe olhares estranhos das pessoas quando conta sua história.

“A maioria das pessoas que conto que vim para cá, afegãos, olham para mim do tipo: 'O quê? Por quê?' " ele diz.

Mas, pelo menos musicalmente falando, Omar foi capaz de encontrar o que procurava.

“Estou feliz aqui. Aqui está o que eu ansiava nos Estados Unidos como músico - encontrar uma cena musical próspera e virgem. Essa é a coisa mais incrível que eu poderia querer”, diz Omar. "Não está nas circunstâncias perfeitas, mas vou aceitá-lo."

Este artigo foi escrito em 2013 para o website npr. Devido aos últimos acontecimentos no Afeganistão, decidi transcreve-lo no blog para que as pessoas soubessem que apesar de suas adversidades, o Afeganistão também é o lar de muitos metalheads que muito provavelmente serão tolhidos de suas liberdades individuais. 

Deixo aqui minha solidariedade ao povo afegão e todo meu nojo e desprezo a qualquer tipo de regime autoritário que se baseia em religião para oprimir e assassinar outros seres humanos em nome de uma falsa divindade.

28 julho 2021

Da Argentina para o mundo: conheça o black metal dos hermanos LOS MALES DEL MUNDO

Por Julio Feriato / Fotos: Internet
Agradecimentos: Diego Porpatto


O LOS MALES DEL MUNDO é um projeto argentino de black metal formado em 2016 por Cristián Yans (guitarra) e Dany Tee (vocal,bateria).

O primeiro registro da dupla, o ep autointitulado lançado de 2020, chamou atenção do selo alemão Northern Silence Productions e o resultado da parceria foi o estupendo debut Descent Towards Death, lançado em fevereiro deste ano, que exibe um black metal gélido, mas emotivo e estupidamente violento. 

Confira logo abaixo a entrevista que fiz com os músicos, onde eles falam sobre a cena argentina e dão sua opinião sobre algumas bandas brasileiras.

Heavy Nation: LOS MALES DEL MUNDO é composta por dois músicos. Como vocês se conheceram e como surgiu a ideia de formar uma banda de black metal? 
Cristian: Dany e eu nos conhecemos há mais de uma década e ao longo de todos esses anos, tivemos inúmeras conversas sobre o desejo de criar música juntos, mas geralmente devido a limitações de tempo, não podíamos fazer isso acontecer. Naquela época, estávamos muito ocupados com nossos projetos pessoais e era muito difícil coordenar nossas agendas. Em meados de 2016, pudemos começar a trabalhar no LMDM e a partir daí nunca mais paramos. 

Nos shows ao vivo, você mantém a dupla ou tem outros músicos? 
Cristian: Embora LMDM seja um projeto de estúdio, não descartamos a ideia de tocar ao vivo, mas muitas coisas têm que acontecer primeiro para torná-lo realidade. 

Dany: Recebemos ofertas para tocar fora da Argentina com músicos renomados na cena, mas até que toda essa situação pandêmica melhore, teremos tempo para avaliá-la. O que temos certeza é de que o LMDM continuará a ser uma dupla, e, caso tenhamos que tocar ao vivo, a formação será completada com músicos contratados. 


Devo confessar que estou muito impressionado com a qualidade de Descent Towards Death. Como você chegou a uma musicalidade tão intensa? 
Cristian: Eu acho que é porque todo o processo de composição, seja artístico, conceitual ou técnico, foi feito junto no estúdio. Fazemos todo o trabalho juntos, porque gostamos de nos conectar com a música e compor de acordo com o que ela pede. É por isso que, quando se trata de trabalhar em um som, ou observar as estruturas, fazemos de forma cíclica. Uma vez feita, tentamos ver de fora e sentir o que ela precisa para que possamos mergulhar de volta nela e aprimorá-la sem tomar decisões precipitadas, demorando o tempo que precisarmos até estarmos satisfeitos. 

Percebi muitas influências do black metal escandinavo. Suas principais influências musicais realmente vem de lá? 
Dany: Em termos de composição podemos dizer que é baseado em uma mistura de várias influências, mas sempre mantendo as raízes do black metal, que é o que mais gostamos. Você encontrará trechos que vão desde o black metal mais agressivo e melódico dos anos 90 (aquele que ouvíamos quando éramos adolescentes), ao mais atual, desde sua marca sonora, com estruturas um pouco mais densas e arranjos dissonantes. Também gostamos muito e estamos muito presentes de outros gêneros musicais, como doom metal, classic heavy metal e outros estilos que foram deixando seu toque pessoal neste álbum. 


Descent Towards Death foi lançado na Europa pelo selo alemão Northern Silence Productions. Como foram os primeiros contatos com esta gravadora?
Dany: Foi assim que lançamos o ep, depois de alguns meses de espera e, enquanto isso, estávamos analisando qual gravadora entraria em contato caso não obtivéssemos uma resolução favorável. Sempre tivemos a NSP em mente pelos bons comentários que sempre recebemos dos amigos que estão na cena e que trabalharam com eles. Então, semanas após o lançamento do ep, nós os contatamos e nos oferecemos para lançar o álbum. Recebemos um e-mail no dia seguinte e começamos a acertar os detalhes do contrato. 

Cristian: Desde o início tivemos uma série de ofertas de alguns selos interessados, mas a pandemia chegou, e em meados do ano passado estávamos com o álbum finalizado, e sem uma gravadora para lançá-lo. 

Como tem sido a aceitação do disco mundo afora?
Cristian: Estamos muito gratos pela recepção que o álbum teve, tanto do público quanto da imprensa nacional e internacional! A resposta tem sido ótima e nos dá a sensação de que eles se deixaram levar pela música e pelo conceito de Descend Towards Death, pois é um trabalho que vai na contramão da tendência atual, onde o tempo de escuta e atenção são muito curtos. Ao contrário, eles se conectaram e apreciaram nosso trabalho do começo ao fim, gostando da jornada que ele proporciona e nada mais gratificante do que isso. Isso nos motiva a continuar trabalhando. 


No Brasil não temos muitas informações sobre a cena metal argentina. O que você pode me dizer sobre ela? 
Dany: O cenário argentino é pequeno se comparado a outros países latino-americanos. Porém, você pode encontrar algumas bandas de death metal, thrash metal ou classic heavy metal, algumas delas bem conhecidas e com anos de experiência, outras emergindo com um grande potencial em um futuro de curto prazo. Claro que também existe o black metal e o doom metal, com um som mais cru e cada vez mais próximo de uma abordagem mais clássica, do início dos anos 90 ou final dos anos 80. Mas acho que de todos os subgêneros, eles são os menos populares. 

E como estão as coisas hoje em dia na cena do metal durante a pandemia? 
Cristian: No nosso país não houve atividade até quase o final de 2020. No início do verão, as casas de shows receberam permissão para fazer shows com bandas locais, com capacidade máxima para 80 pessoas. Isso não durou muito, pois a atividade teve que ser encerrada novamente, devido a uma segunda onda de contágios. Atualmente existem alguns shows com capacidade limitada, mas são muito poucos. 

Agora vou lhes apresentar 5 bandas brasileiras e quero que comentem sobre cada uma delas.

CRYPTA - From The Ashes
 
Cristian: O disco delas é incrível e essa música é matadora! A vibe black metal nas melodias da guitarra tornou essa faixa obscura e muito poderosa. Elas definitivamente fizeram um trabalho incrível e a produção do vídeo é ótima. 

DOOMSDAY CEREMONY - "I Am"
 
Cristian: Agradavelmente surpreso! Não conhecia a banda. Gostei muito do black metal melódico que aparece nesses riffs, me lembra a influência de algumas bandas suecas que amamos. 

LUXÚRIA DE LILLITH - "Negras Chuvas de Sangue"
 
Cristian: Não conhecia essa banda e gostei muito! Parece que tem muitos lançamentos, com certeza vou tentar pôr em dia com todos eles e lamento não ter conhecido a banda antes!

MIASTHENIA - "Entronizados na Morte"
   
Cristian: Ótima música! Embora o black metal sinfônico não seja o subgênero que mais temos ouvido atualmente, devo admitir que sua proposta é muito bem feita e há muito trabalho por trás da faixa e do vídeo. Vou prestar atenção nos álbuns deles, pois com certeza com algumas rodadas ficarei viciado!

VALHALLA - “Evil Fills Me”
     
Cristian: Achei impressionante a atuação da vocalista! O fato dela cantar enquanto toca bateria com tanta precisão me deixou sem palavras. A proposta musical é muito poderosa, mas vê-las ao vivo acho que adiciona um ponto extra que te deixa em choque. BRILHANTE.

Quais bandas argentinas você recomendaria para quem não conhece nenhuma banda lá e por quê? 
Cristian: Gostamos daquelas bandas que são fiéis à sua proposta e comprometidas com o seu trabalho. Mencionarei alguns deles em nenhuma ordem particular, como GENUFLEXION, PSICOSFERA, PLAGUESTORM, AVERNAL, MORTUORIAL ECLIPSE, ANCESTRUM, M28, MEDIUM, AMOKLAUF, MOSTRO, SUR OCULTO, AMETHIST, HORRENDUM VERMIS, DARK BLASPHEMER, FEANOR, só pra citar algumas. 

Muito obrigado pela entrevista! Gostaria de mandar uma mensagem para headbangers brasileiros? 
Cristian: Obrigado pela difusão e apoio. Também quero agradecer a todos os fãs no Brasil que têm nos apoiado desde o início, ouvindo e compartilhando nossa música.