17 junho 2021

CRYPTA - "Echoes of the Soul" (resenha)

 Por Diego Porpatto

Como todos sabem, após se desligarem da NERVOSA há cerca de um ano, Fernanda Lira (baixo/vocal) e Luana Dametto (bateria) se juntaram com as guitarristas Sonia Anubis (ex-BURNING WITCHES) e Tainá Bergamaschi (ex-HAGBARD) para por em prática um projeto voltado ao death metal old school e o batizaram de CRYPTA. E, após tanta espera, finalmente a banda soltou seu primeiro trabalho, este magnífico "Echoes of the Soul".

O resultado do álbum é devastador! Tudo o que elas insinuaram no videoclipe de "From the Ashes" se reflete ao longo do petardo, e com louvor! O disco começa com uma introdução bem anos 90, para em seguida se despachar para a esmagadora “Starvation”, uma música forte e cheia de variações, que deixa claro o que está por vir. 

É seguido por temas que embora alguns desçam às terras quase da ruína, e do thrash, eles nunca param de soar pesados. O trabalho das guitarras é espetacular tanto nos riffs quanto nos solos melódicos; a bateria é um tanque de guerra que esmaga tudo em seu caminho; e a voz de Fernanda, como sempre, a acompanha como outro instrumento. 

"Echoes of the Soul" deu a sensação de que elas não queriam dar a volta ou reinventar a roda, mas praticar o que é eficaz, e talvez ela devessem ousar um pouco mais em um próximo álbum. Mas, por que mentir? "Echoes of the Soul" é um ótimo trabalho e vai crescendo cada vez mais principalmente com três músicas: “Blood stained Heritage”, mais thrashera; a ótima “Dark night of the soul”, cheia de tempos e variações; e "From the Ashes", que te deixa bangeando e com vontade de continuar ouvindo. 

Por fim, "Echoes of the Soul" é uma grande estreia das garotas, que quando parecia que nos deixaram de mãos vazias ano passado, hoje nos dão duas grandes bandas para curtir.

09 junho 2021

GEHENNA: há 25 anos a banda lançava "Malice", seu melhor disco


Em setembro de 1996, quando as igrejas não eram mais incendiadas, os noruegueses GEHENNA lançavam "Malice (Our Third Spell)", seu terceiro trabalho de estúdio, como o próprio nome já diz. Neste álbum a banda conseguiu criar um híbrido de seus lançamentos anteriores (o EP "First Spell e o full-lenght "Seen Through the Veils of Darkness"), mas com maior ênfase nas guitarras melódicas e teclados para dar aquele clima mais sinfônico. 


Na verdade, “Malice” foi um título bastante adequado. A música é sombria, maligna e maliciosa, mas também estranhamente bela e agressiva, com uma produção mais limpa e amigável para os ouvidos do que a dos discos anteriores. As guitarras estão menos distorcidas e talvez um pouco abaixo na mixagem, mas isso não chega a ser um grande inconveniente no final, pois estão em pé de igualdade com os teclados, onde a tecladista Sarcana fez questão de variar notas e criou melodias que na época não eram tão comuns entre as bandas do estilo (o Dimmu Borgir viria a fazer algo semelhante no "Enthrone Darkness Thriumphant" somente no ano seguinte). 

A música que abre o disco, “She Who Loves the Flames”, é um exemplo de como black metal começava a se tornar sedutor, sendo uma música cativante o suficiente para se tornar a queridinha sonora dos fãs do gênero por causa de sua forte atmosfera melódica e alguns riffs que soam mais heavy metal tradicional do que black metal. Um plus são os vocais roucos e baixos (uma marca registrada da GEHENNA), que mantêm sua maléfica vibração o tempo todo. E a banda não teve medo de trabalhar com essa fórmula composicional mais de uma vez. 


Em "Touched and Left for Dead”, os noruegueses resgataram a atmosfera dos discos anteriores, com aquela combinação do ritmo lento, vocais sombrios e sintetizadores viajantes que criam uma sensação triste e depressiva que se encaixa perfeitamente no clima da letra. Já “Bleeding the Blue Flame” começa com melodias que lembram bastante o AMORPHIS no clássico "Tales from the Thousand Lakes”; uma boa surpresa, diga-se de passagem. 

“Ad Arma Ad Arma” é a faixa mais longa de “Malice”, quase quatorze minutos. Liricamente, ela retrata um mundo inserido no caos após uma guerra nuclear, e apesar de sua abordagem bastante melódica, a banda ocasionalmente criou um tipo de frieza apocalíptica e poderosa, combinando perfeitamente com a aura do álbum. 

As faixas "The Pentagram" e "The Word Became Flesh" caminham na mesma direção e deixam claro que os músicos tinham um talento incrível para criar trilhas fantásticas de black metal com partes ocasionalmente melódicas. 


A faixa-título é interessante por combinar todos os ingredientes essenciais da banda em apenas três minutos: sintetizadores épicos, boas melodias de guitarra, sentimento malicioso, explosões furiosas e, finalmente, um final calmo com violão. 

Por fim, em "Malice (Our Third Spell)" o GEHENNA conseguiu seguir estritamente seu rumo preferido durante todo o disco sem faltar em qualidade devido a enorme quantidade de músicas excelentes e pegajosas. 

Mas, apesar de toda essa bela sonoridade indiscutível, a banda nunca chegou atingir a mesma relevância de seus compatriotas EMPEROR e DIMMU BORGIR. Motivos? Tenho minhas suspeitas. O disco foi lançado na europa pelo selo inglês Cacophonous Records, que veio a falir algum tempo depois e deixou muitas bandas na mão. Triste.


02 junho 2021

CRYPTA: “Já temos muitos planos, mal posso esperar para anunciá-los", revela Fernanda Lira

Por Gary Trueman
Tradução: Júlio Feriato
O metal faz parte da própria fibra da música no Brasil. Quando o SEPULTURA explodiu no cenário mundial há cerca de três décadas e meia, eles chutaram uma porta que permaneceu firmemente fora de suas dobradiças desde então. CRYPTA é um dos últimos atos a emergir da terra da floresta tropical e cidades agitadas. Veloz, furioso e feroz, esta é uma banda pronta para enfrentar o mundo. Gary Trueman conversou com a vocalista do baixista Fernanda Lira sobre a banda, seu novo álbum e com quem ela adoraria fazer uma turnê. 

CRYPTA é uma banda totalmente nova, pelo menos bem nova desde que se formou em 2019. Isso significa que vocês puderam começar a escrever do zero, mesmo que todas tenham vindo de outras bandas conhecidas? 
Embora fossemos uma banda nova, sabíamos desde o início a direção que gostaríamos de seguir ao começar a escrever as músicas. Claro que garantimos que o processo de escrita fosse fluido e orgânico, mas sempre voltado para o death metal. 

Vocês já se conheciam antes de formar a banda? 
Eu e a Luana éramos da NERVOSA, então já nos conhecíamos e criamos a CRYPTA juntas. Quanto à Sonia, nós a conhecemos de em alguns shows que nossas ex-bandas tocaram juntas, mas também, já éramos fãs dela há um tempo, pois a acompanho pessoalmente desde que ela era baixista em algumas de suas bandas anteriores de metal extremo. Com a Tainá, nossa outra guitarrista, foi uma história completamente diferente - nunca tínhamos ouvido falar dela, tínhamos amigos em comum e não tínhamos visto nenhum vídeo dela online. Mas na época ela viu que eu e a Luana estávamos anunciando um projeto paralelo e me mandou uma mensagem perguntando se já tínhamos outra guitarrista e que ela adoraria entrar na banda e mandar algum material. 

Vocês são uma banda brasileira / holandesa. Vocês moram em continentes diferentes ou todas moram no Brasil? 
Três de nós, incluindo eu, moramos no Brasil e a Sonia mora na Holanda, é por isso que dizemos que somos uma banda brasileira / holandesa.
Vamos falar um pouco sobre o álbum "Echoes Of The Soul". É um álbum incrível, tem um som moderno, mas podemos ouvir que suas raízes são uma mistura de diferentes formas de death metal. Vocês se proporam a fazer o álbum ter um som ou tema específico ou foi apenas uma questão de ver aonde o clima iria levar? 
Obrigada! Então, quando começamos a banda, decidimos que gostaríamos de fazer death metal old school, mas quando realmente começamos a escrever, vimos que isso estava indo para outro lugar... Então deixamos acontecer de forma fluida e o resultado é exatamente o que você disse, um tipo híbrido de death metal, com muitos elementos diferentes. Você pode encontrar a crueza da velha escola, mas também algumas melodias épicas modernas e no final nós simplesmente amamos o resultado, embora não seja o que planejamos inicialmente... Mas acho que essa é a mágica da música, certo? Apenas deixe fluir e veja aonde ela o levará. Estamos muito felizes e orgulhosos com o resultado final. 


Vocês escreveram as músicas inteiramente antes de gravar ou foi um processo mais fluido onde algumas coisas foram alteradas ou músicas inteiras foram escritas durante o seu tempo no estúdio? 
O álbum foi totalmente escrito antes de entrarmos em estúdio, exceto por uma faixa bônus, cujas melodias vocais e letras eu terminei enquanto as garotas estavam gravando as guitarras! Mas mesmo que eles estivessem prontos, nós entramos no estúdio realmente abertas a quaisquer mudanças ou adaptações que nosso produtor quisesse sugerir. 

Definitivamente, houve algumas mudanças aqui e ali, principalmente no baixo e nos vocais, mas estamos super bem com isso e achamos que essas mudanças foram muito bem-vindas e que melhoraram as músicas. Mas o material bruto estava quase 100% pronto antes do tempo de estúdio. 

Todas têm a mesma participação na composição das músicas em termos de seus instrumentos e experiências? 
Definitivamente! Nós sempre nos certificamos de que nossas composições sejam muito democráticas e abertas. Todas nós contribuímos com os riffs, embora venham mais de mim e de ambos as guitarristas, mas todas nós também podemos sugerir ideias ou mudanças para os outros instrumentos ou meus vocais. Eu, por exemplo, tenho muitas ideias para riffs de guitarra e adoro bateria, então acabo tendo muitas ideias para bateria também, e a Luana está sempre muito receptiva para experimentá-las.
E quanto às letras, você além de vocalista, também as escreve ou todas contribuem? 
Eu escrevo todas as letras e tenho a maior parte da centelha criativa para escrevê-las, mas as meninas também podem definitivamente contribuir com ideias, inclusive uma delas foi uma sugestão da Luana e já temos algumas letras cozinhando para outras músicas que foram sugeridas pela Tainá. Então sim, estou aberto a ideias, mas gosto de escrevê-las, para me adaptar ao jeito que canto

Vocês sentem que precisam se esforçar mais e ser melhor para serem tratadas como igual porque vocês são um grupo só de garotas? As coisas estão mudando no mundo da música, mas ainda há muita desigualdade, não é? 
Sim, definitivamente. As coisas estão mudando para melhor em uma velocidade incrível, mas ainda existem muitos desafios que as mulheres enfrentam ao ter uma banda na cena do metal. 

Não apenas ter que provar que podemos tocar de verdade, mas há desafios mais "sutis" irritantes como ser impedida de entrar no seu próprio camarim porque as pessoas pensam que você é a namorada dos músicos; ou quando querem te ensinar sobre onde está o botão de volume do amplificador aqui e ali quando você sobe no palco; ou quando as pessoas tentam apertar seu peito enquanto tiram uma foto... 

Todas essas pequenas coisas ainda acontecem muito mais do que deveriam, mas acho que está mudando. Somos uma sociedade patriarcal há séculos, então levará algum tempo até que as pessoas estejam realmente confortáveis e entendendo a ideia de que as mulheres podem desenvolver outros papéis além daqueles tipicamente dirigidos a elas. 

Mas acho que quanto mais meninas se envolverem no cena metal de maneiras diferentes, mais meninas se sentirão inspiradas e seguras para também se juntar e seguir seus sonhos. Então posso prever mudanças incríveis para o futuro. 

Você acha que a desigualdade e a misoginia são mais (ou menos) prevalentes no Brasil do que, digamos, no Reino Unido ou nos Estados Unidos? 
Não que esses países sejam livres de misoginia, pois uma das vezes em que fui impedida de entrar no meu próprio camarim porque o segurança disse que não eram permitidas groupies, foi no Reino Unido... Mas pelo menos com base nas minhas experiências, acho que a América Latina como um todo ainda é um pouco mais misógina; mas isso também está mudando rapidamente. 

Mas tem uma coisa legal sobre isso que eu percebi - pelo fato de as mulheres serem realmente reprimidas nesses países da América Latina, acho que as meninas se rebelam um pouco mais e o resultado é que temos muitas meninas em bandas ou bandas onde todas as musicistas são mulheres aqui na América Latina, muito mais do que eu já vi em qualquer outro lugar, o que é ótimo. Acho que meio que usamos essa repressão para nos rebelar contra o sistema com nossa música, arte e existência.

   

Vocês assinaram com a Napalm Records, que é bem conhecida e respeitada na indústria musical. Quanto foi um incentivo assinar com eles logo após a formação? 
Foi motivador e facilitou muito as coisas. Quando eu deixei minha banda anterior, que estava bem estabelecida na cena, eu me senti muito triste e meio frustrada por ter que começar tudo do zero, mas quando Napalm decidiu nos contratar, isso trouxe uma vibe totalmente revigorante para mim. Não só porque ter uma gravadora apoiando sua estreia torna muitas coisas mais fáceis e tranquilas, mas também porque eu já havia trabalhado com eles quando estava na Nervosa por quase uma década, então, já que era eu quem lidava com eles desde o começo, isso tornaria esse reinício bem menos burocrático e complicado. Parecia que estava de volta à família, então foi ótimo e estou muito agradecida! 

Se você pudesse escolher uma banda para fazer turnê, quem você escolheria? 
Eu adoraria fazer uma turnê com CARCASS, ARCH ENEMY, CANNIBAL CORPSE, KRISIUN - não apenas acho que pode ser um bom começo para um pacote com essas bandas, mas também por termos alguns amigos nessas bandas. Então seria como um sonho se tornado realidade.


Se a CRYPTA fosse convidada para tocar em um show de caridade onde todo o dinheiro pudesse ir para uma instituição de sua escolha, para quem você gostaria que os fundos fossem? 
Essa é uma pergunta realmente difícil, já que sou ativista por causas sociais e estou sempre envolvida em trabalho voluntário ou ajudando financeiramente muitas organizações diferentes... Mas acho que duas delas podem fazer um bom trabalho globalmente e para as quais tenho contribuído para a Medicins Sans Frontiers e também para a Sea Shepherd - organizações honestas e trabalhadoras incríveis que estão definitivamente ajudando a mudar muitas vidas lá fora. 

E se você fizesse um show onde pudesse ter qualquer coisa, literalmente qualquer coisa em relação ao rider, o que você escolheria e por quê? 
Eu adoraria ter buffets veganos incríveis com refeições e sobremesas exóticas, e não apenas macarrão e salada (risos). Um pequeno local privado para meditação e ioga também seria incrível!

   

LOS MALES DEL MUNDO: black metal argentino nível exportação

Por Diego Porpatto
Me falaram tanto, mas tanto sobre essa banda, que eu até fiquei com medo de ouvir esse álbum, pois quando muitas expectativas são geradas e muitas podem não se refletir no trabalho. Mas, felizmente neste caso, todos os elogios ficaram aquém de tal álbum! Estou a falar dos argentinos LOS MALES DEL MUNDO, talvez a banda sul-americana com a maior projeção internacional dentro da cena black metal (obviamente se o mundo não estivesse tão revolucionado pela pandemia). 

Recentemente contratada do selo alemão Northern Silence Productions, o grupo havia feito turnês pela Europa e tocou em todos os festivais de verão por lá.
Da esq. p/ dir.: Dany Tee (vocal/bateria) e Cristian Yans (guitarra)
A música é black metal atmosférico do mais alto nível, onde o "monstro" Dany Tee (vocal/bateria) se destaca tanto na voz quanto na bateria, embora seu parceiro Cristian Yans não fique muito atrás e praticamente faça a guitarra chorar em muitas passagens. 

Eu, pessoalmente, acho que eles são muito influenciados pela cena polonesa, mas essa apreciação é por conta própria. Outro destaque é a narração para dar forma à história e, assim, fechar uma obra tão caprichada e perfeita que não tem nada a invejar a seus pares do primeiro mundo. 

São 40 minutos de riffs, batidas e solos que não desistem de oferecer ao ouvinte muito bom gosto na montagem das músicas; algo que realmente surpreende. 

LOS MALES DEL MUNDO é uma ótima proposta da Argentina com seu black metal para exportação. Um grande motivo para abrir um Malbec e brindar aos males do mundo!

 

13 maio 2021

"Vera Cruz" é o melhor trabalho de Edu Falaschi desde "Temple of Shadows"

Por Júlio Feriato
Edu Falaschi conseguiu compor o seu melhor trabalho desde o "Temple of Shadows" do ANGRA! Digo isso pq "Vera Cruz" é uma bela colcha de retalhos de tudo que o cantor fez com a banda, mas de uma maneira infinitamente aprimorada, com mais brilho e pegada. 

Quem realmente é fã irá entrar em êxtase ao ouvir cada música deste trabalho, que é cheio de músicas rápidas, no melhor estilo melodic power metal. O batera Aquiles Priester não economizou nos bumbos duplos e naquelas viradas que só ele consegue fazer; isso sem falar nos guitarristas Roberto Barros e Diogo Mafra, talvez a melhor dupla do estilo aqui no Brasil atualmente, pois não tiveram modéstia alguma ao tocarem notas rápidas e exibirem solos que deixariam o Kiko e o Bittencourt com cara de tacho.
Quanto as músicas, é difícil destacar alguma, mas vale mencionar a veloz e arpejante "The Ancestry", que abre o disco de uma maneira empolgante, seguida de "Sea Of Uncertainties", que lembra MUITO a "Angels and Demons (do ANGRA).

Outras que merecem menção são: "Face the Storm", com participação de Max Cavalera (o mix de metal melódico com a voz do ex-SEPULTURA ficou maravilhoso!) e "Rainha do Luar", minha favorita até o momento, com participação da Elba Ramalho - antes de torcer o nariz, OUÇA, pois sério, realmente ficou linda. E tem ainda a faixa "Crosses", onde não há como não notar a semelhança com "Spread Your Fire" (do Angra), quase um plágio de tão igual que são os riffs e toda sua construção. 

De qualquer modo, não há dúvidas de que Edu desta vez acertou de longe, e repito o que escrevi no lá no começo: "Vera Cruz" é o melhor disco de sua carreira desde "Temple of Shadows" e incluindo também todos os álbuns do Almah. Mas apesar disso, se pensarmos friamente, dá uma certa dor no coração saber que, fora aqueles que montaram o SHAMAN, praticamente nenhum outro ex-ANGRA conseguiu realmente alavancar sua carreira sem realizar algo ligado à banda. Edu tentou com o ALMAH e não conseguiu; Aquiles tentou com o HANGAR e não conseguiu... Então, ambos devem ter pensado assim: "se é ANGRA que o povo quer, então que assim seja! Vamos compor o melhor disco do ANGRA sem precisar estar na banda!" 

E conseguiram, pois "Vera Cruz" põe no chinelo tudo que o Angra fez desde que Falaschi e Aquiles saíram do grupo (e escrevo isso sem remorso algum).



06 abril 2021

UMA LISTA DE BANDAS DE BLACK METAL ANTIFASCISTAS QUE VOCÊ DEVERIA CONHECER

Em um gênero já pequeno, NSBM contamina a maior e mais legal forma de metal do mundo. Aqui estão algumas bandas que você deveria ouvir em vez de Burzum.
Capa da coletânea “Satan Smashes Fascism”, lançada em 2018 pelo Movimento de Resistência Underground (MRU)

Houve uma época em que o metal era assustador. Agora, homens velhos com pintura facial (KISS) e shorts curtos (AC/DC) não parecem inclinar a balança da indignação enquanto ocupam espaço em trilhas sonoras de filmes de sucesso e anúncios no Youtube. 

Até os BEATLES uma vez lançaram seu próprio pandeiro de controvérsia no traseiro da juventude britânica, de alguma forma superando letras chocantes como "I wanna hold your Hand". Multidões raivosas de presilhas de pérolas protestando sempre foram atraídas por bandas populares de rock, como bateristas por camisas sem mangas, mas o final dos anos 80 trouxe um som mais brutal e pungente. 

Enquanto death e thrash metal vendiam mais discos, um grupo de garotos tristes ansiava por algo mais diabólico, mais sinistro, mais injuriado. E da eterna angústia da puberdade escandinava surgiu o black metal. 

 Notas raivosas, ásperas e não polidas e acordes quebrados ecoam por meio de distorção e vocais estridentes. Subindo como uma maré negra, a primeira onda de bandas como CELTIC FROST e BATHORY traçou a trajetória inicial do gênero, até mesmo pegando seu nome emprestado do álbum “Black Metal” do VENOM. 

A onda inicial diminuiu as luzes o suficiente para alcançar as crianças que viriam a definir a infame e às vezes sangrenta segunda onda do black metal. É aqui que também que entram os neonazistas.
Bandas surgiram em toda a Europa, mas os noruegueses se destacaram pela seriedade incomensurável de algumas de suas figuras fundamentais. Vários fãs e membros das bandas supostamente participaram da queima de igrejas históricas de madeira. 

O vocalista do MAYHEM, Per Yngve Ohlin ("Death") cometeria suicídio, seguido apenas alguns anos mais tarde pelo assassinato do guitarrista Øystein Aarseth (Euronymous), dono de uma loja de discos endividada, Helvete, nas mãos de uma banda solo e prodígio nacional-socialista Kristian “Varg” Vikernes. 

A saga do black metal norueguês foi capturada em livros, artigos, documentários e até mesmo em um longa-metragem lançado em 2018. Todos enfatizam os aspectos sensacionais da história: queimadas de igrejas históricas, um forte interesse nas imagens nazistas e, é claro, o assassinato hediondo de Øystein Aarseth. 

A história de origem contribui para o estado do black metal atual - um gênero repleto de figuras e bandas problemáticas, mas ainda dominado por boas pessoas que amam música brutal. Os neo-nazistas podem chegar às manchetes, mas aqui estão alguns atos antifascistas do black metal para limpar o paladar e reivindicar o que é nosso. 

DAWN RAY'D
DAWN RAY'D é de Liverpool e são tão abertos em sua política anti-racista quanto seus opostos polares na cena NSBM. 

“Eu acredito que o aspecto de extrema direita do black metal é uma minoria muito pequena”, disse o vocalista Sion Barr durante uma entrevista para a Terrorizer, “no entanto, um grande problema é a tolerância da cena mais ampla a essas ideias e o fracasso até agora em esmagá-las. 

Com uma extrema direita crescendo globalmente, acho que as pessoas estão sendo forçadas a olhar diretamente nos olhos da supremacia branca e, de repente, não parece tão fácil engolir ou desculpar. Escolha um lado e lute como o inferno! ”

    

SUMMONING 


Michael Gregor (Silenius) e Richard Lederer (Protector) são a dupla austríaca que compõe a SUMMONING. Formado em Viena em 1993, o grupo nunca hesitou em se afastar dos confins do Black Metal, mas sempre voltou ao rebanho, criando paisagens sinfônicas brutais. 

De acordo com a Vice, a banda começou a trabalhar na Europa tocando em ocupações anarquistas. Emergindo em uma época em que o racismo era mais uma característica do que um bug na segunda onda do Black Metal, o antiracismo e o antifascismo sempre fizeram parte do gênero dark sinfônico. 

No mesmo artigo, a repórter Kim Kelly cita uma declaração no site da banda para melhor ilustrar suas opiniões sobre o NSBM: “No início, eu nunca quis associar o SUMMONING a nenhum tipo de tópico político, pois nossa música não está conectada à realidade de forma alguma. Mas como as bandas de apoio ao nacional-socialismo estão constantemente espalhando seus pensamentos políticos, acho que chegou a hora de finalmente resistir e mostrar às pessoas que o nazismo não é a única ideologia da cena metal atual.”

 

FEMINAZGUL


Apesar dos avanços feitos, todos os subgêneros do metal permanecem firmemente dominados por artistas liderados por homens. Isso é especialmente verdadeiro no Black Metal, onde os homens são tão comuns quanto referências ao “O Senhor dos Anéis”.

Desafiando apenas uma dessas convenções, porque LOTR ainda é meio incrível, está a dupla FEMINAZGUL

A união de Laura Beach e Maggie Killjoy cria um projeto brutal e original que permanece fiel ao amor aberto do gênero por JRR Tolkien. "Nós reconhecemos os problemas relacionados às raças em seus livros, mas somos atraídas pelo conceito do poder de desmontagem", disse Killjoy em uma entrevista ao blog “Astral Noize”.

Ela também não mediu palavras quando se trata de fascistas na cena. "Quando basicamente não há nazistas por perto, andar por aí com uma suástica pode parecer tenso ou algo assim. Agora, porém, é apenas a participação de um movimento do mundo real que é o inimigo de qualquer pessoa com meia onça de compaixão em seu corpo”, explicou Killjoy, que também é uma mulher trans.

“O nazismo também é uma política de medo e covardia. Os nazistas são cagões. Na verdade, é por isso que lutar contra eles é tão eficaz ”.


GAYLORD


Uma exploração espirituosa e brutal de como satirizar um gênero inteiro sem deixar de ser um fã. O produto de um músico residente em Londres, seu álbum de estreia “The Black Metal Scene Needs to Be Destroyed”, trazia faixas que resumem a aparência do NSBM visto de fora.

Saindo logo depois de outra banda abertamente antifascista de metal, Neckbeard Deathcamp, a dupla é líder no humor como arma contra o NSBM .

De “Odin não ouve NSBM You Inbred Alt-right Shitheels” a “Coward Authoritarian Apologist Bootlicking Kvlt”, GAYLORD é um projeto musical de uma pessoa capaz de desarmar a seriedade pesada que cerca a cena Black Metal. 

O melhor de tudo é que o artista é canadense. Richard Weeks, da Nova Escócia, é o cérebro não binário por trás do Gaylord. Em uma conversa com Kim Kelly (ela entrevistou todos), Weeks desvenda sua abordagem para destruir a moda.

“Eu acho que existem vários ângulos para enfrentar o fascismo e o ódio. Você tem bandas 'sérias' como Dawn Ray'd e Underdark escrevendo canções muito sérias sobre a destruição do fascismo - o que é ótimo. O que você tem com [ Neckbeard Deathcamp] e Gaylord é uma abordagem diferente.“


03 abril 2021

DEZ VEZES EM QUE MÚSICOS DO METAL SE ENVOLVERAM NA POLÍTICA

Fonte: Alternative Press

O metal é inerentemente político, mas alguns músicos vão um passo além do que apenas escrever canções.

O metal tem sido inerentemente político desde o início do gênero. Isso fica evidente nas letras, nas imagens e nas personas gerais de incontáveis ​​músicos. Mas às vezes seu envolvimento vai além da música. Seja se tornando um político ou lutando contra movimentos impulsionados por funcionários do governo, os músicos de metal têm se concentrado na política há algum tempo. Abaixo estão 10 músicos que se inseriram na esfera política. 

1. Danica Roem
 
A jornalista e membro da Câmara dos Delegados da Virgínia, Danica Roem, está no Partido Democrata há algum tempo, mas em 2017 ela oficialmente concorreu ao cargo. Roem é conhecida por lutar pelos direitos gays e trans em seu estado. Ela também é conhecida por liderar a banda de death metal melódico CAB RIDE HOME. 

 2. Dee Snider 
 
O vocalista do TWISTED SISTER era instantaneamente reconhecido por suas roupas exóticas e maquiagem que usava, mas isso não o impediu de chegar a uma audiência no Senado organizada pelo Parents Music Resource Center (PMRC) em 1985 vestido para assustar. Snider é um dos músicos originais que lutou contra aqueles irritantes adesivos de aconselhamento dos pais nos álbuns e se posicionou contra o público desinformado para que o metal prosperasse. 

3. Randy Blythe
   
Randy Blythe, do LAMB OF GOD, fala claramente sobre suas opiniões políticas dentro e fora da música. Mas sua acusação de 2012 por homicídio culposo relacionado à morte de um fã na República Tcheca mudou drasticamente a opinião sobre o metal. As acusações do vocalista foram finalmente retiradas, mas seu caso se tornou extremamente público e fez dele um dos rostos para os políticos usarem ao falar sobre segurança em shows de metal. 

4. Joey Shithead
 
O líder do DOA Joe Keithley (também conhecido como Joey Shithead) é um dos criadores da música hardcore no Canadá, mas também tem um cargo no governo. O vocalista foi eleito vereador em Burnaby, British Columbia, em 2018 com o Partido Verde Burnaby. 

5. Gylve Fenris Nagell
 
Normalmente, os políticos têm que se inscrever para serem eleitos, mas na Noruega, o público cria uma lista de backup no caso de surgir um cenário em que um político não seja eleito após a escolha de concorrer a um cargo. O membro do Darkthrone, Gylve Fenris Nagell, incluiu-se em sua lista de backup local com uma foto dele com a legenda de seu gato “por favor, não vote em mim”, que acabou saindo pela culatra porque as pessoas o apoiaram em massa. Apesar de não ter ficado muito satisfeito com a vitória em 2016, ele ficou como vereador por quatro anos. 

6. Marilyn Manson
 
Marilyn Manson não é estranho à controvérsia, mas sua voz se tornou uma grande parte das histórias que giram em torno do trágico massacre de Columbine em 1999. Os dois atiradores frequentemente citavam Manson como um modelo, fazendo com que o roqueiro de choque se defendesse e se defendesse do metal contra políticos que estavam procurando alguém para culpar. 

7. Rage Against The Machine
 
Uma lista de músicos na política não estaria completa sem RAGE AGAINST THE MACHINE. Não só sua música é extremamente inspiradora para o ativismo político hoje, mas eles essencialmente lideraram um protesto que se transformou em um motim durante a Convenção Nacional Democrata de 2000. Os líderes locais expressaram suas preocupações antes do show, mas ele foi adiante como programado. O vocalista Zack de la Rocha irritou a multidão a ponto de a polícia de choque usar força desnecessária contra inúmeras pessoas. 

8. Freddy Lim
 
Se você gosta de metal extremo asiático, provavelmente já ouviu falar de CHTHONIC. Mas o que você pode não saber é que seu vocalista é um membro importante do sistema político de Taiwan. Freddy Lim é o fundador do New Power Party de Taiwan, de onde saiu em agosto . Ele atualmente é membro do Parlamento, frequentemente lutando pela independência do país. 

9. Justin Brannan
   
Riffs com as bandas de hardcore de Nova York INDECISION e MOST PRECIOUS BLOOD mantiveram Justin Brannan ocupado por um longo tempo. Agora, ele passa seu tempo como membro do conselho em Bay Ridge, Nova York. Brannan é um defensor dos direitos dos animais e é membro do conselho desde 2017. 

10. SYSTEM OF A DOWN
   
Ao ouvir as músicas do SYSTEM OF A DOWN, você sabe que a banda tem muito a dizer sobre vários aspectos do cenário político. Embora eles tenham retornado há pouco tempo, a turnê de reunião da banda em 2015 para comemorar o 100º aniversário do genocídio armênio foi um movimento astronomicamente político para trazer a consciência para uma tragédia que alguns governos ainda se recusam a reconhecer que aconteceu.

24 outubro 2020

DARKENED - "Kingdom of Decay"

DARKENED é uma banda que os fãs de death metal irão se interessar por causa dos músicos envolvidos. Formado em 2018, o Darkened inclui o membro fundador do Bolt Thrower Andy Whale, o guitarrista Hempa Brynolfsson (ex-Carbonized, AngelBlast), o guitarrista Linus Nirbrant (A Canorous Quintet), o vocalista Gord Olson (AngelBlast) e o baixista Tobias Cristiansson (Grave, ex-Dismember).   
"Kingdom of Decay" é o álbum de estreia do projeto; e, embora seja um currículo bastante impressionante para os integrantes da banda, 'supergrupos' como esse muitas vezes podem falhar ou parecer um projeto paralelo sem inspiração. Esse não é o caso com Darkened. 

Considerando o envolvimento de Whale, não deve ser surpresa que uma boa parte de "Kingdom of Decay" soe como Bolt Thrower. Tem muitos ritmos estrondosos e, especificamente, soa um pouco como "War Master". No entanto, isso não é tudo. Este trabalho também traz muitas influências do death metal sueco, incluindo o uso de d-beats por Whale (algo que eu nunca tinha ouvido falar dele antes) e algumas das melodias mórbidas de guitarra espalhadas por todo o álbum. 

Os riffs e os vocais de Olson também são em grande parte uma reminiscência do clássico death metal sueco. Os vocais são largamente médios; eles não são particularmente guturais e as letras são bastante fáceis de decifrar, com muitas das canções tendo estruturas de verso / refrão. A masterização de Dan Swanö e a grande e robusta produção dão ao álbum muita força. 

Darkened conhece a combinação de sons que eles procuram em "Kingdom of Decay" e, na maior parte, eles têm sucesso em sua execução. “Dead Body Divination” é uma abertura fantástica, destacando o trabalho de contrabaixo e d-beats de Whale, riffs estridentes e um refrão verdadeiramente grudento. Muitas das canções visam ser cativantes e "Kingdom of Decay" com riffs fortes, enérgicos e da performance estelar de Whale. 

A faixa-título, “Pandemonium” e “1000 Years” também se destacam nesse quesito. "Kingdom of Decay" de forma alguma reinventa a roda do death metal, mas combina dois estilos bem definidos e funciona bem. Atinge todas as marcas para ser um álbum de sucesso neste estilo; os riffs, a energia, a composição e as performances estão todos lá. É certamente derivado das bandas em que seus membros fizeram seus nomes, mas também é um lançamento muito melhor do que a média, que evita as armadilhas de ser um legado chato. 

Resumindo, se você quiser ouvir um álbum clássico de death metal mas com uma produção polida e moderna, este álbum é pra você.

Músicas:
01. Nekros Manteia
02. Dead Body Divination
03. 1000 Years
04. Pandemonium
05. Cage of Flesh
06. The Burning
07. The Old Ones
08. Kingdom of Decay
09. Of Unsound Mind
10. The White Horse of Pestilence
11. Winds of Immortality