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05 maio 2026

ANGRA aposta na nostalgia e prova sua força no Bangers Open Air 2026

Por Júlio Feriato

Reencontro de titãs. Foto: @anderscarvalho

Obs: as fotos que ilustram esta resenha foram ‘emprestadas’ do Instagram e estão devidamente creditadas aos seus autores. Caso alguma seja de sua autoria e você não queira que ela permaneça aqui, entre em contato para que seja removida.

Sempre que digo que, pelo menos no Brasil, o ANGRA é maior que o SEPULTURA, muita gente torce o nariz e trata como exagero. Mas, olhando para o que a banda ainda movimenta por aqui — fãs fiéis, shows cheios e um público que acompanha cada fase — não vejo tanto absurdo assim. No Bangers Open Air, essa impressão ficou ainda mais forte, pelo menos pra mim.

Logo após o encerramento do show do WITHIN TEMPTATION, corri de volta para a frente do setor de imprensa, um dos poucos pontos onde ainda dava para assistir com um mínimo de tranquilidade. Ou pelo menos era o plano. No caminho, precisei cruzar a área em frente ao Hot Stage, e aí a realidade foi outra: um mar de gente espremida, praticamente impossível de atravessar.

Enquanto o ANGRA iniciava a intro, eu ainda estava preso naquele aperto. Quando começaram os primeiros acordes de "Nothing to Say", mal consegui prestar atenção, minha prioridade era sair vivo da muvuca. Só depois de ativar o "modo sobrevivência", consegui me livrar e achar um lugar minimamente decente.

Já mais tranquilo, deu pra perceber que a banda começou do jeito certo: no talo. "Nothing to Say", com Alírio Netto nos vocais, abriu o set com energia alta e um público cantando junto. Na sequência, "Angels Cry" elevou ainda mais o clima, e aí não teve jeito, entrei no coro também.

Alirio Netto e Rafael Bittencourt. Foto: @diegoccamara

Depois de um início assim, o mínimo que se esperava era manter o pé no acelerador. Eu já estava pronto pra uma sequência com "Evil Warning", "Time" e outros clássicos. Mas aí veio o balde de água fria: Fabio Lione sobe ao palco. Até aí, ok. Pensei que viriam os melhores momentos da fase dele como "Black Hearted Soul", "Newborn Me", "War Horns" (que, pra mim, é facilmente uma das melhores dessa fase). Era o caminho mais certeiro. Só que a banda resolveu ir por outro lado.

Em vez de manter a energia, entraram músicas mais lentas, que quebraram o ritmo do show. Isso é algo que me incomoda no ANGRA: com tanto material forte com Lione, por que insistir justamente nas mais arrastadas? A sensação é de uma escolha que desmonta o que a própria banda construiu minutos antes.

Fabio Lione. Foto: @anderscarvalho

Vieram "Tide of Changes – Part I" e "Tide of Changes – Part II", que em estúdio funcionam bem, mas ao vivo não seguram o mesmo impacto. O clima até deu uma leve reagida com "Lisbon", que parecia indicar uma retomada. Pensei: “agora vai”. Não foi. Logo depois, veio "Vida Seca", seguida por "Wuthering Heights", clássico da Kate Bush, dessa vez com Alírio nos vocais, tentando um timbre mais próximo de Andre Matos, e, na minha visão, não funcionou tão bem. Vale dizer: respeito total ao Alírio, ele canta muito e dá conta do repertório. O problema não é sua capacidade, mas quando ele perdeu um pouco da força ao tentar imitar Andre.

A coisa só voltou a engrenar de verdade em "Carolina IV". Mas, a essa altura, a adrenalina do começo já tinha ficado pra trás. E assim se encerrou o primeiro ato.

Poucos minutos depois, começou o que provavelmente era o momento mais esperado: Kiko Loureiro, Aquiles Priester e Edu Falaschi se juntaram a Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para o segundo ato. Quando todos finalmente apareceram no palco, a plateia foi ao delírio. Era um momento histórico não só pro ANGRA, mas pra quem acompanha a banda há anos.

Kiko Loureiro, Edu Falaschi e Rafael Bittencourt. Foto: @diegoccamara

Quando "Nova Era" começou, o festival inteiro cantou junto. Bonito de ver. Mas aqui entra meu lado chato: Edu Falaschi claramente não estava num bom dia. Não sei se era questão de retorno ou qualquer outro fator, mas a voz não estava legal. Lembrei na hora de uma entrevista que fiz com ele em 2011, antes do Rock in Rio, quando ele brincou sobre não poder ficar doente pra não comprometer o show. Pois é… dessa vez, alguma coisa não encaixou.

A voz não melhorou ao longo do set. Sempre que as músicas exigiam mais, especialmente nas partes mais altas, a coisa não vinha. Ainda assim, seguiram com "Waiting Silence", "Millennium Sun", "Heroes of Sand", "Spread Your Fire" (uma das melhores dessa fase), "Acid Rain" e fecharam com "Rebirth".

O terceiro ato começou com uma bela homenagem a Andre Matos, com um vídeo antigo dele ao piano introduzindo "Silence and Distance". Confesso que quase fui às lágrimas — Andre é um dos poucos artistas cuja morte realmente me abalou. A banda seguiu com a música ao vivo, com três guitarras no palco (Kiko Loureiro, Marcelo Araújo e Rafael Bittencourt), além de Alírio e Edu dividindo os vocais. E aqui não tem como não notar: a diferença de potência entre as vozes é bem evidente.

Na sequência, veio mais uma balada, "Late Redemption", novamente com vocais divididos.

Os três tenores: Edu Falaschi, Fabio Lione e Alirio Netto. Foto: @lecasuzukiphoto

O show deu uma pausa e emendou a intro "Unfinished Allegro", que puxou "Carry On". Nesse momento, todo mundo estava no palco: Fabio, Alírio e Edu nos vocais; Bruno Valverde e Aquiles na bateria; Felipe Andreoli no baixo; além de Rafael, Kiko e Marcelo nas guitarras. Foi interessante de ver e talvez tenha sido o clímax da noite.

Os três vocalistas fizeram jus ao Andre Matos? Não. Mas, sendo bem honesto, ninguém esperava isso. "Carry On" sempre foi uma música muito específica na voz dele, e tá tudo bem.

Familia reunida (ou quase). Foto: @marcosoliveirapht

Se você chegou até aqui, já percebeu que essa resenha está carregada de críticas. E sim, são críticas de fã. Acompanho o ANGRA desde sempre, mas não sou fã cego, e também não sou dos mais fáceis de agradar. Senti falta de músicas como "Time" (como assim ficou de fora?), "Evil Warning", que pra mim é essencial, e até "Holy Land", já que a ideia era incluir momentos mais cadenciados. E volto no ponto: com tanto material forte da fase com Fabio Lione, dava pra fazer escolhas mais equilibradas.

Dito isso, a maioria ali claramente não se importou com nada disso. Tenho amigos que se emocionaram de verdade com esse show — o que talvez indique que eu esteja sendo crítico demais, quase um "Régis Tadeu" da vida.

No geral, o Bangers Open Air 2026 foi uma experiência muito positiva. Sinceramente, tenho pouco a reclamar do festival. Vi bandas que gosto, reencontrei amigos (o que, pra mim, é mais importante), e mesmo com o corpo destruído depois, valeu cada segundo. Sair do interior do Paraná pra viver isso foi mais do que válido.

Que venha o Bangers Open Air 2027, estarei lá, sem pensar duas vezes.

03 maio 2026

Minha experiência no BANGERS OPEN AIR 2026 - Parte 2

 Por Júlio Feriato


Eu até tento evitar esse papo sobre idade, mas não tem jeito: o corpo entrega. O domingo amanheceu com cada músculo reclamando, reflexo direto da maratona vivida no dia anterior no Bangers. Não é simples encarar horas andando de um lado para o outro, subir e descer a rampa, repetir o trajeto inúmeras vezes — tudo isso sob um sol sem trégua. Ainda assim, se fosse possível voltar no tempo, faria tudo exatamente igual. E, de certa forma, foi o que aconteceu.

No domingo, 26 de abril, retornei ao Memorial da América Latina para mais uma jornada intensa no Bangers Open Air. Desta vez, a estratégia foi diferente: foquei mais nos palcos principais e deixei as passagens pelos palcos menores em segundo plano. Também corrigi um erro do dia anterior, nada de chegar cedo demais. Quando finalmente entrei, o PROJECT46, responsável pela abertura do dia no Ice Stage, já se encaminhava para o fim do set. Resultado: mal vi a apresentação, então fica difícil até arriscar qualquer comentário.


De qualquer forma, ainda deu tempo de pegar o show do PRIMAL FEAR, que entrou em cena logo na sequência. Eu já fui um grande fã da banda lá no fim dos anos 1990, quando lançaram o disco de estreia. Apesar de não acompanhar tão de perto os trabalhos mais recentes, bateu a curiosidade de ver ao vivo essa nova fase, especialmente com a guitarrista Thalía Bellazecca. E olha, valeu demais.

O show foi muito, mas muito bom. O som estava redondo (pelo menos de onde eu estava dava para ouvir tudo numa boa), e Ralf Scheepers segue cantando de forma impressionante, o cara simplesmente não desafina. A abertura veio com “Destroyer”, do álbum mais recente, Domination. Foi nessa música, inclusive, que Bellazecca deu um tropeço no palco que chegou a assustar quem viu, mas ela se levantou na mesma hora e seguiu como se nada tivesse acontecido. Na sequência, vieram “I Am the Primal Fear” e “Nuclear Fire”, mantendo a energia lá em cima.

Demorei até perceber a ausência do baixista e fundador Matt Sinner (substituído por Dirk Schlächter, do GAMMA RAY), que ficou de fora após passar por uma cirurgia depois de sofrer um corte sério na perna direita, resultado de um acidente com uma plataforma de bateria. Ainda assim, o foco acabou recaindo naturalmente sobre Thalía Bellazecca. Que presença! Além de ser uma guitarrista excelente, ela esbanja carisma, sempre sorrindo e interagindo com o público. E não é só ela: a banda inteira parece muito à vontade no palco, criando uma conexão direta com quem está assistindo, algo que faz toda a diferença na experiência de quem está ali, vivendo o show.

O set foi encerrado com a já clássica “Metal Is Forever”, com Scheepers conduzindo o público em coro, transformando o encerramento em um daqueles momentos coletivos que resumem bem o espírito do festival.

Nevermore no Bangers: memorável. / Foto: @_mariodavid_
Mas, pouco antes de o PRIMAL FEAR encerrar sua excelente apresentação, já fui me esgueirando pelo público até chegar à frente do Ice Stage, onde o NEVERMORE subiria logo na sequência. A expectativa era grande: este marcava o primeiro show da banda no Brasil desde o Live N Louder, em 2006, e também a estreia da nova formação por aqui, agora com o vocalista turco Berzan Önen assumindo a difícil missão de ocupar o lugar do saudoso Warrel Dane, falecido em 2017.

E que show absurdo.

Sem esconder: sou fã da banda desde o debut autointitulado, de 1995, então a ansiedade estava lá em cima — e, ainda assim, foi completamente superada. Berzan Önen não apenas respeita o legado de Dane, como entrega uma performance impressionante. Com todo respeito à história, arrisco dizer que ele canta hoje até melhor do que o próprio Warrel em seus últimos anos, quando já enfrentava limitações por conta de saúde. Ao vivo, sua voz soa potente, precisa e, em vários momentos, remete à fase áurea de Dane, só que com ainda mais fôlego.

O repertório foi enxuto e direto, priorizando as faixas mais intensas, decisão que funcionou muito bem. A abertura com “Narcosynthesis” colocou o público em ebulição, e a sequência manteve o nível: “Enemies of Reality” veio logo depois, seguida por “The River Dragon Has Come”, uma das minhas preferidas (quase fiquei sem voz). 

Berzan Önen, vocalista do Nevermore. / Foto: lecasuzukiphoto
Clássicos como “Beyond Within” e “Inside Four Walls” marcaram presença, sendo esta última um dos pontos mais fortes da apresentação. Houve ainda espaço para uma grata surpresa: “Engines of Hate”, possivelmente minha favorita de Dead Heart in a Dead World. Nessa hora, confesso, quase entrei na roda ali na frente, mas faltou coragem.

O encerramento veio com a dobradinha “My Acid Words” e a brutal “Born”. Antes da última, o baterista Van Williams incentivou o público a abrir um wall of death (em que a plateia se divide para, em seguida, colidir no mosh pit). Foi atendido prontamente e uma galera garantiu a pancadaria logo nos primeiros acordes.

Foi uma apresentação intensa e memorável que, sem medo de ser clichê, deixou aquele "gostinho de quero mais". Para mim, o NEVERMORE entregou o ponto mais alto deste dia no Bangers Open Air.


Assim que o NEVERMORE deixou o palco, os suecos do AMARANTHE já começavam os primeiros acordes no palco ao lado. Não é exatamente uma banda que me conquista — sempre que escuto, por algum motivo, me vem à cabeça algo na linha do BABYMETAL. Ainda assim, é inegável: os caras sabem fazer música “chiclete”, daquelas que grudam fácil, e contam com vocalistas muito competentes.

Particularmente, gosto bastante da voz de Nils Molin, que também canta no DYNAZTY. O cara tem uma presença de palco absurda e, sim, o cara é bonito pra caramba (e não, não tem nada demais em um homem reconhecer isso). Ao lado dele, Elize Ryd segura muito bem as partes melódicas, com uma performance segura e carismática. E Mikael Sehlin, responsável pelos vocais guturais, completa o trio com peso e precisão.

Acabei assistindo até “Digital World”, mas o foco já estava em outro lugar. A ideia era atravessar a área e seguir até o Sun Stage, lá depois da rampa, para não perder o show do CRAZY LIXX.

Vista panorâmica do Sun Stage com Crazy Lixx. Foto: @guiurban
Quando finalmente consegui chegar, o CRAZY LIXX já estava em ação, mandando “Rise Above”. O sol seguia castigando, então a prioridade foi encontrar um canto com sombra para curtir sem sair torrando no processo. Mesmo assim, o espaço estava bem cheio — sinal de que a banda tem publico por aqui. 

O clima ali era outro, mais leve e descontraído. O som do grupo remete direto ao universo do hair metal dos anos 1980, mas com uma pegada atualizada, sem soar datado. E, sinceramente, em vários momentos soa até mais interessante do que muita coisa daquela época.

Achei curioso vê-los em um palco menor — dava a impressão de que a banda já tem público suficiente para ocupar os espaços principais. Ainda assim, a escolha acabou tendo seu lado positivo: no Sun Stage, a proximidade com o palco é maior, o que facilita chegar mais perto e aproveitar melhor cada detalhe. O som também parece mais nítido, provavelmente por conta do espaço reduzido, o que deixa a experiência mais direta e envolvente.

Os sessentões do Winger. / Foto: @diegopadilha
Quando consegui voltar ao Ice Stage, o WINGER já estava em plena execução da clássica “Seventeen”. Antes mesmo do show, alguns colegas de imprensa comentavam que aquela poderia ser a última apresentação de Kip Winger como vocalista, baixista e líder da banda, já que ele pretende se dedicar integralmente à carreira orquestral. Ainda assim, há a possibilidade de um último disco solo, com composições que já estariam praticamente prontas. 

No palco, o clima foi de pura nostalgia. O repertório passeou pelos principais momentos da fase áurea do grupo, com destaques para “Can’t Get Enuff”, “Miles Away”, que certamente transportou muita gente de volta aos comerciais de cigarro Hollywood dos anos 1980, além de “Headed for a Heartbreak”, uma das minhas preferidas. Teve ainda a grudenta “Easy Come Easy Go” e, no encerramento, a indispensável “Madalaine”, fechando a apresentação com aquele sentimento de volta no tempo que combina perfeitamente com a proposta do show.

Na sequência, foi a vez do SMITH/KOTZEN, projeto que reúne Adrian Smith, do IRON MAIDEN, e Richie Kotzen, do THE WINERY DOGS. Mas, dessa vez, optei por passar. Não é um som que me prende muito e, a essa altura do dia, o cansaço já cobrava seu preço. Preferi dar uma pausa, recarregar as energias e me preparar para o WITHIN TEMPTATION, que, ao lado do NEVERMORE, era uma das apresentações mais aguardadas por mim naquele dia.

Sharon den Adel. / Foto: @ayumikranzini

E não me arrependi. O WITHIN TEMPTATION sabe como entregar um espetáculo que fica na memória dos fãs — e, dessa vez, não foi diferente. A abertura com “We Go to War” já deu o tom da apresentação, com a vocalista Sharon den Adel surgindo no palco usando uma máscara dourada. Segundo a própria cantora já comentou em entrevistas, o acessório carrega um forte simbolismo, conectado aos temas centrais do trabalho mais recente da banda.

Honestamente, nem tem muito o que destrinchar: foi um show daqueles que se sentem mais do que se analisam. O WITHIN TEMPTATION entregou uma apresentação impecável, com o público cantando praticamente todas as músicas em uníssono — eu incluso.

O repertório veio recheado de clássicos, com “Stand My Ground”, “In the Middle of the Night”, “Faster” e “Wireless” mantendo a energia lá em cima. “Paradise (What About Us?)”, pelo menos para mim, foi o grande momento da noite, daqueles que arrepiam do começo ao fim.

Foto com a galera. / Foto: Foto: @ayumikranzini
Como já era esperado, o encerramento veio com a dobradinha “Ice Queen” e “Mother Earth”, fechando a apresentação em clima épico e deixando aquela sensação de missão cumprida, tanto da banda quanto de quem estava ali assistindo.

Depois dessa apresentação arrebatadora do WITHIN TEMPTATION, tratei de me apressar em busca de um lugar com menos muvuca para assistir ao ANGRA, que subiria ao palco na sequência — e não foi tarefa simples. O Hot Stage já estava tomado por uma multidão, e atravessar aquele mar de gente exigiu certa paciência (e disposição).

Mas essa já é outra história, que fica para uma terceira parte. Até porque esse show especial do ANGRA merece mesmo uma atenção mais detalhada.

Continua...

01 maio 2026

Minha experiência no BANGERS OPEN AIR 2026 - Parte 1

 Por Júlio Feriato

Lauren Hart, vocalista do Arch Enemy. / Foto: @diegoccamara

No último fim de semana de abril, São Paulo capital recebeu mais uma edição do Bangers Open Air que, somando os anos em que ainda se chamava Summer Breeze Brasil, chega à sua quarta realização cercado de elogios. 

Para driblar as críticas ao line-up do ano passado, a organização desta vez acertou ao apostar em uma mistura equilibrada entre nomes consagrados e bandas mais recentes, reunindo atrações como JINJER, AMARANTHE, WITHIN TEMPTATION, PRIMAL FEAR, TANKARD, VIOLATOR, CRYPTA, TORTURE SQUAD, KRISIUN, IN FLAMES e várias outras. Nos headliners, o ARCH ENEMY fechou o sábado (25) e o ANGRA encerrou o domingo (26), em apresentações que empolgaram o público. No geral, foi bonito de ver — com ressalvas, claro, porque nenhum evento é perfeito, mas com saldo mais do que positivo.

Cobrir um festival desse porte, porém, não é tarefa simples. Com quatro palcos espalhados pelo Memorial da América Latina, o evento exigia fôlego e planejamento. Na área dos palcos principais, Hot Stage e Ice Stage, havia opções de alimentação, bebida e merchandise — com preços salgados, chegando a R$ 200 em camisetas e R$ 400 em moletons — além do Lounge, voltado a quem buscava mais conforto (mas sem acesso para avaliação da imprensa). 

Do outro lado, os palcos Sun Stage e Waves Stage reuniam bandas consideradas “menores”, ainda que algumas merecessem tocar nos palcos principais. Diante de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, foi inevitável fazer um recorte pessoal na cobertura, priorizando os shows de maior interesse — até porque, por mais imparcial que eu tente ser, também sou fã.

DIA 25 - SÁBADO

Johanna Sadonis, do Lucifer. / Foto: @diegoccamara

Cheguei cedo naquele dia e acabei pegando a passagem de som do LUCIFER, primeira atração do Sun Stage. Em um momento meio infeliz (e totalmente desnecessário, diga-se), tentei fazer uma foto da vocalista Johanna Sadonis, e ela, prontamente, fez um gesto claro pedindo para não ser fotografada. Constrangido, respondi com um “joinha” e guardei o celular na hora. Ainda deu tempo de ouvir um sonoro “put down your fucking cell phones!” vindo do palco. Preferi fingir que não era comigo e segui andando. Situação meio sem graça, mas que também serve de lembrete: nem todo momento, especialmente em passagem de som, é convite aberto pra foto.

Mas não vou mentir: peguei um certo ranço depois da situação e acabei assistindo só ao começo do show. Também pesa o fato de que o som da banda nunca me convenceu muito. Ao vivo, até entregam bem, e vale dizer que tinha uma galera considerável que chegou cedo justamente para vê-los, mas, pra mim, não foi o suficiente para segurar até o fim.

Foto: @paauloalexandria

Preferi subir a rampa e seguir para o Hot Stage, onde o KORZUS já estava tacando o terror, no melhor sentido possível. Era o segundo show da banda com os guitarristas Jean Patton (ex-PROJECT46) e Jessica Falchi (ex-CRYPTA), e, não tem muito o que dizer: KORZUS ao vivo é sempre garantia. Se tem uma banda que entrega exatamente o que promete, é essa. Cheguei bem na hora em que rolava o novo single “No Light Within”. Confesso que não tinha curtido tanto quando saiu o clipe, mas ao vivo a música ganhou outra força — uma pena que essa energia toda não tenha sido tão bem captada na versão de estúdio.

Tom S. Englund, vocalista/guitarrista do Evergrey. / Foto: @diegoccamara 

Logo na sequência, o Hot Stage já recebia o EVERGREY. Nunca dei muita bola pra banda, mas depois de vê-los ao vivo na primeira edição do Summer Breeze Brasil, passei a entender melhor o apelo, mesmo sem me tornar fã. Ainda assim, não fiquei até o fim. O sol estava castigando e a ideia era poupar energia para o show do VIOLATOR, que aconteceria “além da rampa”.

Depois de um breve pit stop na sala de imprensa — que, diga-se, estava bem equipada, com água, refrigerante, energéticos, petiscos e frutas à disposição dos profissionais —, recarreguei as energias e voltei à missão. Era hora de subir novamente a rampa e seguir para o outro lado para conferir o show do VIOLATOR.

Violator no Sun Stage. / Foto: @bel.santosfotografia

Sempre achei o VIOLATOR uma banda “injustiçada”. Apesar de fazerem bastante sucesso fora do Brasil - inclusive com um DVD gravado no Chile e disco ao vivo gravado na China — e terem um som consistente, parece que por aqui ainda não conseguiram “virar” de vez. Em entrevistas, o vocalista Poney já comentou que essa permanência no underground é, em grande parte, uma escolha da própria banda. Para se ter uma ideia, eles chegaram a recusar um contrato com a gravadora alemã Nuclear Blast. Mas esse é assunto para outra pauta.

Antes do início do show, enquanto a banda passava o som, muitos fãs já se concentravam na frente do palco, aguardando o começo da apresentação. Poney, no entanto, circulava tranquilamente pelo meio do público, conversando e tirando fotos com quem se aproximasse. Ficou claro ali que o cara é acessível, humilde e tem uma relação próxima com os fãs.


Sem muita enrolação, o show começou com “Ordered to Thrash”, seguida por “Hang the Merchants of Illusion” e “Endless Tyrannies”. Quem conhece a banda sabe bem qual é a posição política e a visão de mundo dos integrantes. Por isso, não surpreendeu quando, entre uma música e outra, Poney fez discursos anti-imperialistas, críticas à extrema direita e manifestações de apoio à Palestina, cuja bandeira, inclusive, estava exposta no palco. 

O clímax veio com o anúncio de “False Messiah”: Poney repetiu várias vezes, com muita autoridade, o coro “Foda-se Jair Messias Bolsonaro”, torcendo o nariz de muitos reaças que acompanhavam de longe. O VIOLATOR deixou claro que não segue a ideia de que “música e política não se misturam”. No caso deles, mistura sim, e sem pedir licença.

Infelizmente, não deu para acompanhar o show até o fim. O horário já se aproximava da apresentação do JINJER no Hot Stage, e lá fui eu novamente atravessar a rampa de volta. E olha, não foi nada fácil chegar até lá. A multidão que seguia no mesmo sentido era enorme, somada ao sol escaldante que castigava o público. Quem não levou protetor solar ou algum tipo de proteção acabou sofrendo bastante. Mas, ainda assim, provavelmente ninguém sofreu mais do que a cantora Tatiana Shmailyuk, do JINJER .

Tatiana Shmailyuk, do Jinjer. / Foto: @diegoccamara
No início, ela até parecia levar numa boa. Mas, com o passar do tempo, ficou claro o incômodo com o sol forte batendo direto no rosto o tempo todo. Honestamente, deu até dó. Convenhamos também que a “vestimenta” escolhida para a apresentação — um vestido rosa — não ajudou muito. Provavelmente, o calor ficou ainda mais intenso com essa roupa. Enfim, escolhas.

Quanto ao show em si, admito que não sou um grande fã da banda. Conheço as músicas mais famosinhas, como “Pisces”, e só. Ainda assim, quis conferir como o JINJER funciona ao vivo e, sendo bem sincero, não me convenceu tanto. É verdade que o calor estava pesado até para quem é fã mais fervoroso, e isso claramente atrapalhou o andamento do show.

Além disso, o repertório escolhido me pareceu um pouco “arrastado” em vários momentos. Por outro lado, conversando com pessoas que realmente acompanham a banda, essa percepção passou longe de ser um problema. Para quem curte, o JINJER ao vivo entrega consistência, e Tatiana, sem dúvida, manda muito bem no palco.

Logo após o show do JINJER, e sem muita demora, teve início, no Ice Stage, a apresentação do Killswitch Engage. Mas eu não estava nem um pouco a fim de assistir. Primeiro, porque já estava cansado demais. Segundo, porque a banda realmente não me desce. Já os vi ao vivo no Monsters of Rock 2013 e na primeira edição do Summer Breeze Brasil, o que, para mim, já foi mais do que suficiente.

Crypta no Sun Stage. / Foto: @bel.santosfotografia
Diante disso, preferi aproveitar o tempo para recarregar as energias e me preparar para enfrentar novamente aquela rampa maldita, desta vez rumo ao show da CRYPTA, que começou pontualmente às 17h20, no Sun Stage.

Vale lembrar que, antes delas, quem subiu ao palco foi o TORTURE SQUAD, escalado para substituir o FEAR FACTORY no line-up poucos dias antes do evento. Infelizmente, não consegui acompanhar essa apresentação.

Já no show da CRYPTA, o espaço estava praticamente lotado para ver as garotas, que, como de costume, deram conta do recado. Se não me falha a memória, essa apresentação no Bangers foi a segunda com a nova guitarrista, a norte-americana Victoria Villarreal, efetivada na banda cerca de uma semana antes. Como ela já havia participado de uma turnê pelos Estados Unidos como guitarrista convidada, o entrosamento com o grupo já estava bem consolidado.

O show começou com “Death Arcana”, faixa que não aparecia no repertório ao vivo há algum tempo, seguida por “Lullaby for the Forsaken” e “Poisonous Apathy”. Sem muito rodeio, foi um show incrível. O som estava limpo, Fernanda, como de costume, teve uma entrega absurda no palco, e o público respondeu à altura.

A única ressalva fica por conta de um ponto específico: na minha opinião, a CRYPTA já tem status suficiente para se apresentar nos palcos principais do Bangers, e não entendo por que isso ainda não aconteceu.

Após esse belíssimo show, encerrei minha passagem por aquele lado do evento. Queria muito ter assistido às apresentações do TANKARD e do ONSLAUGHT, que também tocaram por ali, mas os horários coincidiam com os shows do IN FLAMES e do ARCH ENEMY. Por uma questão de gosto pessoal, acabei optando por essas duas últimas.

Como falei lá no comecinho, é impossível conseguir acompanhar tudo o que acontece em um festival como esse. Por exemplo, não vi nenhuma atração que rolou no Waves Stage, que ficava no mesmo lado do Sun Stage, porém em uma área coberta e até mais confortável, já que funcionava dentro de um auditório.

Por ali também havia diversas barracas de lojas, estandes, lanchonetes e praça de alimentação. Outro ponto que chamava atenção era o estande do Canal Amplifica, onde pessoas aleatórias se reuniam para tocar covers e interagir. Ou seja, ir ao Bangers é uma experiência completa, desde que você tenha disposição para conseguir aproveitar ao máximo tudo o que o festival oferece.

Anders Fridén, vocalista do In Flames. / Foto: @diegoccamara

Quando finalmente consegui atravessar para o outro lado, o BLACK LABEL SOCIETY já estava no meio do set. Mas acabei nem acompanhando. O cansaço já pesava e, naquele momento, o melhor a fazer era me preservar para o que vinha a seguir: o IN FLAMES.

Depois de me recuperar por alguns minutos, segui direto para a frente do Ice Stage. A expectativa estava lá no alto. Afinal, é uma das minhas bandas favoritas, e eu carregava essa vontade desde a última vez que vi um show deles em 2008. 

A banda deu início ao show pontualmente às 19h15, abrindo com a já clássica “Pinball Map”. O público, como era de se esperar, cantou em uníssono. No repertório, não faltaram outros hits, como “The Quiet Place”, “Cloud Connected” e “Only for the Weak”.

Um ponto que me chamou a atenção foi o vocalista Anders Fridén, que aparentava estar bastante cansado - o que não comprometeu em nada a performance da banda como um todo. Comentando esse detalhe com um amigo, ele levantou a hipótese de que o IN FLAMES vinha em uma sequência intensa de shows, praticamente um por dia, há pelo menos um mês. Se for esse o caso, dá para entender o desgaste.

Infelizmente, nenhuma música dos álbuns mais antigos entrou no setlist. Eu ainda tinha a expectativa de ouvir ao menos alguma faixa de Colony, mas a banda acabou priorizando o repertório da fase pós-anos 2000. O encerramento veio com “I Am Above” e “Take This Life”, fechando o set em alta e com boa resposta do público. 

Um momento curioso foi quando, antes de sair do palco, Anders resolveu mandar algumas mensagens ao público, com frases como “sejam sempre gentis com as pessoas” e “sejam bons para seus pais” e outras desse tipo. Foram recados simples, quase até ingênuos, algo pouco comum vindo de uma banda de metal, mas que deram um tom leve e diferente ao encerramento da apresentação.

Os palcos principais ficam lado a lado, então, quando um show termina, cerca de cinco minutos depois já começa outro no palco vizinho. Assim que o IN FLAMES encerrou, tratei de procurar um lugar mais confortável. Mesmo na pista premium, o acúmulo de gente era grande, especialmente quando chega a hora da principal atração da noite. E, naquele caso, estou falando do ARCH ENEMY.

Arch Enemy no Bangers Open Air. / Foto: Marcos Hermes _MHermes
Era a estreia da nova vocalista Lauren Hart em terras brasileiras, então a expectativa do público era grande. E, como diz o ditado, a banda “já chegou chegando”. O set começou com “Yesterday Is Dead and Gone”, seguida de “The World Is Yours”.

Sobre Lauren, dá para dizer que ela é como um lobo em pele de cordeiro. À primeira vista, parece até “fofa”, mas, quando começa a cantar, a impressão muda completamente. Nem loba é, vira praticamente uma leoa no palco. E olha, ela deu conta do recado. Dominou o público como uma veterana e recebeu de volta todos os louros possíveis da multidão, que ficou até o fim do evento para assistir à banda.

A música nova, aquela que gerou toda a polêmica envolvendo Kiko Loureiro, também foi bem recebida. Ainda assim, o repertório não deixou de fora clássicos como “Bury Me an Angel”, “Ravenous” e “War Eternal”.

Um momento marcante veio quando Lauren se emocionou e chegou a derramar algumas lágrimas, em resposta ao carinho do público, que gritava seu nome a todo momento. Um sinal claro de que ela foi mais do que aprovada pelos fãs da banda. O show chegou ao fim com a clássica “Nemesis”, seguida de “Fields of Desolation”. 

Com essa apresentação, o ARCH ENEMY mostrou por que é um dos principais nomes do death metal melódico sueco. Afinal de contas, não adianta soar bem só no estúdio; ao vivo é que a banda prova seu peso, e isso eles fizeram sem dificuldade alguma.

Continua...

18 fevereiro 2026

BANGERS OPEN AIR: DIVULGADA A GRADE DE ATRAÇÕES


A organização do Bangers Open Air divulgou a programação oficial com a ordem das atrações para a edição 2026, marcada para 25 e 26 de abril. 

Ao todo serão 44 shows distribuídos em quatro palcos: Hot Stage, Ice Stage, Sun Stage e Waves Stage.

Confira:

Clique para ampliar imagem


Ingressos: a venda segue acontecendo neste link informado pela organização.

Esta será a segunda edição do festival com o nome Bangers Open Air; as duas edições anteriores foram realizadas sob a marca Summer Breeze Brasil.

10 fevereiro 2026

BANGERS OPEN AIR 2026: CARTAZ OFICIAL É DIVULGADO

A organização do Bangers Open Air divulgou o cartaz oficial da edição que acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. 

A nova arte confirma as bandas ARCH ENEMY, KRISIUN e AMBUSH no line-up, substituindo TWISTED SISTER, ELUVEITIE e COBRA SPELL.


Segundo a organização do evento, o cronograma com os horários das apresentações deverá ser divulgado ainda nesta semana. Inicialmente anunciado como um dos headliners, o TWISTED SISTER se reuniria para celebrar 50 anos de carreira, mas a apresentação — assim como outros compromissos futuros — foi cancelada em razão de problemas de saúde enfrentados pelo vocalista Dee Snider. 

Entre os destaques da edição de 2026 está o ANGRA, que prepara um show especial para o festival, conforme detalhado em nota oficial.

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10 janeiro 2026

BANGERS OPEN AIR 2026: IN FLAMES e o legado do “som de Gotemburgo”

Por Júlio Feriato

Uma das confirmações mais comentadas do Bangers Open Air 2026 é a participação do IN FLAMES, banda sueca que figura entre as mais influentes do metal melódico mundial. Para entender o peso dessa presença no line-up deste ano, é preciso olhar não só para o impacto do grupo ao longo de mais de três décadas, mas também para como eles e sua cidade de origem moldaram uma parte essencial da história do metal.

A banda surgiu no início da década de 1990 em Gothenburg (Gotemburgo), na Suécia, num cenário onde músicos se reuniam, trocavam ideias e experimentavam misturas sonoras sem pensar em rótulos. Com o tempo, aquilo que era apenas um jeito local de tocar evoluiu para o que se conhece hoje como “Gothenburg sound” — uma vertente do death metal melódico que equilibra agressividade com melodias e refrões mais acessíveis do que o death metal tradicional.

Esse estilo nasceu, em parte, da convivência e influência entre bandas que frequentavam os mesmos palcos e estúdios da cidade, assim como da troca de referências com outros centros do metal — desde o death metal de Flórida até a New Wave Of British Heavy Metal e o thrash europeu.


O IN FLAMES não foi só mais uma banda de Gotemburgo: ao longo dos anos, eles se tornaram símbolo desse som melódico, influenciando gerações de músicos que vieram depois. Sua trajetória demonstra não apenas evolução musical, mas também uma capacidade curiosa de ampliar os limites do metal. Se os primeiros discos tratavam de riffs técnicos embutidos em melodias, parte da carreira posterior da banda explorou sonoridades mais modernas, aproximando-se de outras vertentes sem jamais abandonar a intensidade que os tornou relevantes.

Isso explica por que a presença do grupo no Bangers Open Air 2026 causa tanto burburinho. Não se trata apenas de ver um nome consagrado no line-up, mas de assistir ao vivo uma banda diretamente conectada à formação de um gênero que, até hoje, reverbera no metal global.


Desde sua formação em 1990 na cidade de Gothenburg, Suécia, o In Flames construiu uma carreira marcada por mudanças sonoras e experimentação, sem perder sua identidade. A discografia da banda é extensa e reflete essa evolução:

* Discos da primeira fase como Lunar Strain (1994) The Jester Race (1996) Whoracle (1997) e Colony (1999) são considerados clássicos do death metal melódico, com guitarras harmonizadas e velocidade técnica que ajudaram a definir o estilo.

* Clayman (2000) consolidou o grupo como um nome central no metal europeu, misturando melodia intensa com uma estrutura pesada que soava intrigante e acessível ao mesmo tempo.

* Nos anos 2000, álbuns como Reroute to Remain (2002) e Soundtrack to Your Escape (2004) incorporaram elementos mais modernos e experimentais, aproximando a banda de palcos maiores e de um público mais amplo — inclusive nos Estados Unidos e na Europa.

* Come Clarity (2006) é frequentemente citado como um dos melhores discos da carreira, reunindo a agressividade do início com melodias mais refinadas e acessíveis.


* Álbuns posteriores como A Sense of Purpose (2008), Sounds of a Playground Fading (2011), Siren Charms (2014), Battles (2016), I, The Mask (2019) e o mais recente Foregone (2023) mostram uma banda que segue experimentando sem abrir mão da intensidade e da técnica que a tornaram influente.

Essa trajetória não foi linear nem isenta de debates entre fãs — alguns álbuns mais experimentais dividiram opiniões — mas ela ilustra o compromisso da banda em evoluir sem perder sua marca no metal pesado.

Mas, o que esperar do show no Bangers Open Air 2026?

Em termos de performance ao vivo, o In Flames costuma equilibrar passado e presente com naturalidade. Mas não espere por músicas da fase clássica, pois os shows recentes mostram que a banda apenas revisita clássicos como Cloud Connected, Only for the Weak e Take This Life, e integra músicas mais novas como The Great Deceiver e State of Slow Decay em seu repertório — um sinal de que o show no Bangers deve misturar gerações de fãs e épocas da banda.


O vocalista Anders Fridén continua sendo um ponto focal da performance, alternando entre guturais agressivos e vocais limpos mais melodiosos, e a banda inteira demonstra grande sinergia no palco mesmo após tantos anos de carreira.


Com uma carreira que atravessa mais de três décadas, a expectativa é que o setlist — caso seja tão eclético quanto nos shows recentes — traga de 15 a 20 músicas, passando por diferentes fases da discografia e oferecendo uma experiência completa para fãs antigos e novos.

Além disso, a experiência ao vivo da banda é frequentemente descrita como energética, exigente e envolvente: não importa se o público conhece cada álbum ou chegou lá pela primeira vez, a performance ao vivo tende a capturar atenção com riffs marcantes, transições nítidas entre melodias e momentos mais explosivos, e uma presença de palco que respeita tanto os cânones do metal quanto a própria história do In Flames.

IN FLAMES no Bangers Open Air 2026 representa mais do que apenas mais um show internacional em um festival brasileiro. É a oportunidade de ver ao vivo um grupo que não somente ajudou a moldar um gênero, mas que continua a dialogar com diversas eras do metal sem abrir mão de sua personalidade. Se há algo que se pode esperar do set deles é exatamente essa caminhada — de Gotemburgo para o mundo — traduzida em riffs, melodias e energia que atravessam gerações.