O Bangers Open Air 2025, realizado entre 2 e 4 de maio, no Memorial da América Latina, em São Paulo, marcou definitivamente a transição do festival para uma nova fase. Agora desvinculado do nome Summer Breeze Brasil, o evento manteve o padrão de produção elevado das edições anteriores, ao mesmo tempo em que buscou afirmar uma identidade própria. A estrutura foi ampliada, a programação ganhou mais personalidade e o público respondeu com forte presença ao longo dos três dias.
Com um line-up que transitou entre o heavy metal tradicional, o power metal, o thrash, o death e o gothic metal, o festival apostou novamente na diversidade como pilar central, ainda que isso tenha trazido desafios de equilíbrio e logística.
Em um festival com múltiplos palcos, dezenas de atrações e três dias de programação praticamente ininterrupta, é simplesmente impossível assistir a todos os shows. Diante de conflitos de horário e da própria dimensão do evento, esta resenha não pretende dar conta de tudo o que aconteceu no festival, mas sim destacar as apresentações mais marcantes da edição, independentemente do tamanho do nome envolvido ou de seu status dentro do mercado.
Dia 1 (02/05)
| Foto: Gustavo Diakov / @xchicanox |
A abertura oficial do festival ficou marcada pela estreia brasileira do Armored Saint, um nome aguardado há décadas pelos fãs do metal tradicional. Apesar de problemas técnicos que comprometeram os vocais em parte do show, a banda manteve uma postura firme, apostando na entrega direta e na proximidade com o público. O momento em que John Bush desceu para cantar junto à grade simbolizou bem o espírito da apresentação: menos perfeição técnica, mais conexão.
Foto: Diego Padilha / MHermes Arts |
Na sequência, Doro Pesch transformou o palco em um espaço de celebração coletiva. Seu repertório equilibrado entre clássicos do Warlock e faixas da carreira solo funcionou com naturalidade, sustentado por uma comunicação constante e afetiva com o público. O ponto alto veio com “Für Immer”, cantada em coro, reforçando o caráter quase ritualístico do show.
| Foto: Bel Santos |
Encerrando a noite, Glenn Hughes apresentou uma das performances mais consistentes do festival. Aos 73 anos, o músico mostrou domínio absoluto do palco e da própria voz, conduzindo o público por um repertório focado em sua fase no Deep Purple. Sem artifícios ou exageros, entregou um show baseado em técnica, emoção e respeito à própria trajetória.
Dia 2 (03/05)
Já Powerwolf apostou fortemente no aspecto teatral. O palco, a iluminação e a encenação foram parte essencial da experiência, criando um espetáculo visual que funcionou bem ao vivo. A banda conseguiu equilibrar peso, melodia e entretenimento sem comprometer a identidade musical.
| Foto: Jéssica Marinho |
Fechando o dia, o Sabaton apresentou um show narrativo, com forte apelo visual e repertório bem distribuído. A apresentação foi precisa, com momentos de destaque tanto pela execução quanto pela interação com o público, encerrando o sábado em clima de euforia.
Dia 3 (04/05)
| Foto: Igor Aleixo @aleixoox / Rolling Stone Brasil |
O encerramento ficou por conta do W.A.S.P., que apostou em um formato comemorativo, executando o álbum de estreia na íntegra. Mesmo com limitações físicas evidentes, Blackie Lawless conduziu o show com segurança, apoiado por uma banda coesa. A participação de Aquiles Priester na bateria deu novo fôlego à apresentação, que terminou em clima festivo.
Considerações finais
A estrutura do festival funcionou bem na maior parte do tempo. A circulação entre palcos foi fluida, a visibilidade melhorou em relação a edições anteriores e o Memorial da América Latina voltou a se mostrar adequado para eventos desse porte. O principal ponto de atenção ficou na qualidade irregular do som, que variou bastante entre os palcos e apresentações.
Outro aspecto que merece revisão é a duração dos shows, especialmente de atrações principais, além dos conflitos de horário que dificultaram a experiência do público em alguns momentos.
O Bangers Open Air 2025 demonstrou maturidade, ambição e um compromisso claro com a diversidade do metal. Embora ainda existam ajustes a serem feitos, o festival avançou em organização, identidade e curadoria, consolidando-se como um dos eventos mais relevantes do gênero no Brasil.
Até ano que vem!

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