06 julho 2017

"Não há lugar para parasitas na Polônia", diz vocalista do THUNDERWAR, sobre imigrantes muçulmanos

Por Julio Feriato / Fotos: divulgação


O nome Thunderwar inicialmente nos remete à bandas de Power Metal, mas não se deixe enganar: o que esses poloneses querem mesmo é tocar o mais puro e rápido Death Metal. Tá certo que nem tão puro assim, já que desde o EP “The Birth of Thunder” (2013), o grupo formado por Kamil “Madness” Mandes (Vocal/Baixo), Witold Ustapiuk (Guitarra), Maciej “Olszak” Olszewski (Guitarra) e Vit Argasiński (Bateria) tem preferência em dosar a agressividade característica do Death Metal com riffs melódicos, bem na linha das bandas escandinavas.

Essa característica ficou ainda mais latente em seu mais recente trabalho, o poderoso “Black Storm“, lançado em dezembro de 2016.  “Nosso guitarrista, Witold Ustapiuk, deve ter vendido sua alma ao diabo e recebeu uma poderosa habilidade de criar uma suave receita que mistura Death Metal escandinavo e americano”, brinca Kamil “Madness” Mandes, vocalista e baixista do Thunderwar. Junte isso ao seu timbre vocal que lembra nomes como John Tardy (Obituary), Chuck Schuldiner (Death) e Martin Van Drunen (Asphyx) e teremos uma obra musical bem diferente do que geralmente costuma vir das terras polonesas.

Recentemente tive uma conversa com Mandes para falar sobre o novo disco e algumas respostas me surpreenderam de uma forma não positiva. Em certos momentos ele pareceu um pouco conservador, principalmente quando abordei sobre os imigrantes que fogem da guerra para a Europa, entre outras coisas. Tá curioso? Então leia.


Heavy Nation: No que o Thunderwar difere das outras bandas na Polônia?
Kamil “Madness” Mandes: Eu digo que a Polônia não tem outra banda de metal que consiste em pessoas tão bonitas, inteligentes e bem educadas, como nós. Isso nos distingue. Todos os artistas poloneses são alcoólatras e hedonistas degenerados. Nossos pais nos forneceram valores familiares, amor pelo nosso país e respeito pelos idosos.

Comparado ao EP “The Birth of Thunder” (2013), “Black Storm” apresenta músicas com riffs mais trabalhados e melódicos. Esta será uma tendência cada vez mais forte nos próximos álbuns?
Posso compartilhar um pequeno segredo: nosso próximo álbum será muito mais espontâneo, refrigerado e com uma enorme dose de rock and roll. Nós provavelmente reduziremos as melodias, mas definitivamente não vamos renunciar a elas.

Eu vi muitas pessoas dizendo que Thunderwar seria uma mistura entre Dissection com vocais semelhantes a bandas como Asphyx e Death. O que você acha desse tipo de comparação?
Isso é muito lisonjeiro! Adoramos essas bandas e estamos felizes pelo fato de nossa música trazê-las à sua mente. Obrigado a todos os headbangers brasileiros que acham isso! Nós amamos vocês e suas lindas senhoras! (N. do redator: só lembrando que muitas ‘lindas senhoras’ também são headbangers, viu Mandes?)


As bandas polonesas mais populares do Brasil são Behemoth, Vader e Decapitated. Qual é a sua opinião sobre elas?
Acho que o Vader é a essência do Death Metal polonês e adoro todos os seus discos. Sobre Behemoth, eu gosto do último álbum “The Satanist”. Decapitated também é legal, eles têm esse groove agradável agora. No entanto, das três mencionadas, Decapitated é a que menos ouço. Mas concordo que elas são nossa impiedosa trindade e tenho orgulho por representarem o nosso país.

O público polonês apoia as bandas locais ou têm o costume de valorizar primeiro o que vem de fora?
Eles preferem apoiar e ir aos eventos. Aqui na Polônia as pessoas do metal geralmente se conhecem e consideramos que os shows são uma oportunidade de conhecer gente e fazer um pogo com alguma música boa e agressiva. Há, claro, shows em que a frequência é pobre, mas acho que isso não acontece apenas na Polônia. No entanto, na maioria das vezes um fã de metal polonês é um fanático e um cultista que vive e respira metal. Eu sou um louco desse tipo, e, porra, me sinto bem assim!

O que você sabe sobre a cena brasileira?
Gosto muito de Sarcófago, Krisiun e Sepultura, mas não sou um especialista sobre sua cena. Sei que o Brasil é um enorme império da Death Metal e que seu underground é vasto e bem respeitado. Eu realmente gostaria de abandonar minhas terras do norte gelado e visitar seu reino exótico, pelo menos por alguns dias. Espero que isso aconteça um dia!

Bom, então vou te mostrar 5 bandas brasileiras pra você conhecer. Peço que as ouça e depois me diga suas impressões.
Ok, vamos lá!

DESDOMINUS – “Sacred Scrolls of Holy Lies”

Bela introdução… As melodias me dizem que os músicos são pessoas sensíveis, artistas que você conhece… Mas putz, essa voz realmente não é sensível! Eu diria que parece um Gremlin bravo no microfone. (risos) Em geral, é OK, mas tem muitas melodias. Prefiro a velha escola. Próxima!

NERVOSA – “Hostages”

Conheço essa banda muito bem. Eu assisti ao show delas no Brutal Assault, na República Tcheca e fiquei encantado! É um Thrash Metal muito agradável, do jeito que eu gosto. Geralmente não há muitas mulheres em bandas de metal, mas quando elas se juntam podem mostrar seus dentes! Aliás, a vocalista Fernanda é extremamente hot em suas calças legging!

VALHALLA – “Evil Fills Me” (Live)

O nome me diz que vai ser algo bom. Oh merda, são garotas, assim como Nervosa! São as reais Valkirias, sem brincadeira! É difícil ver bateristas que também são vocalistas e esta é uma linda mulher! Fiquei admirado com sua grande habilidade de tocar e a capacidade de ‘rosnar’ ao mesmo tempo! O gutural dela é melhor do que muitos homens… Eu definitivamente não gostaria de discutir com ela. (risos) Death Metal maravilhoso, eu gostei muito! É um golpe musical impressionante e visualmente é ainda melhor!

AUTOPSE – “Better off Dead”

Thrash Metal com riffs simples, cozinha áspera… Eu gosto disso. E, novamente, uma garota cheia de graça e emoção no vocal. Isso me acalma. Parece que as mulheres estão indo muito bem em sua cena musical! Fiquei curioso e ouvi outras músicas desta banda, fiquei impressionado. Esta música é muito boa, intransigente, agressiva e sinistra! Eles tem o poder, continuem assim!

WARSHIPPER – “And the Darkness Calls”

Tive sentimentos mistos sobre esta banda. O som é ‘ok’, mas sendo honesto não vi nada de especial. Por um lado, tudo parece bem e no lugar certo, mas, por outro lado, falta algo que realmente chame minha atenção. O vocal soa um pouco como Jon Nodtveidt (Dissection).

Como os poloneses estão a ver a crescente imigração de muçulmanos para a Europa por causa da guerra na Síria?
Minha opinião aqui é rigorosa e clara: não devemos deixar os muçulmanos na Europa porque eles querem nos superar culturalmente, sem mencionar o fato de que entre os refugiados pode haver terroristas. E há uma ameaça muito maior, a islamização. Basta dar uma olhada em países onde foi isso longe demais: estupros, assaltos, ataques terroristas. Felizmente, a Polônia não tem esses problemas e isso é porque nossa nação é intolerante, conservadora e tem espírito de luta, excelentes características para nossos tempos.

É claro que não estou dizendo que não há pessoas entre os refugiados que estão realmente fugindo da guerra, mas encaremos os fatos, a maioria são homens jovens, sem educação ou ambições que procuram apenas ‘dobras’ europeias. Não há lugar para parasitas aqui, especialmente se eles estão frustrados e perigosos. Felizmente, à parte do ambiente “multicultural”, a maioria dos poloneses é fortemente contra os imigrantes, o que é bom. Devemos derrubar mesquitas e deportar todos os islâmicos ortodoxos!

Quais são os planos para o futuro?
Bem, estamos trabalhando em nossa fama e riqueza! (risos) Mas, sério, não sei, não sou bom em planejamentos. Prefiro agir espontaneamente e com inspiração.


17 março 2017

KING DIAMOND revela que próximo álbum será inspirado no clássico "Abigail"

Por Daniel Pacheco / Fotos: divulgação


No dia 25 de junho acontecerá na capital paulista um  evento que celebra 25 anos de atividades da produtora Liberation, o Liberation Fest. As atrações provocaram algumas discussões nas redes sociais entre os mais radicais, mas não deixam de ser nomes fortes. Entre eles, Lamb of God, Heaven Shall Burn, Carcass, os paulistas do Test, e como atração principal, o lendário King Diamond.

Para falar sobre este show e algumas outras curiosidades, King nos concedeu uma exclusiva e você confere o resultado logo abaixo.

Vocês estão excursionando no momento tocando o álbum Abigail na íntegra. Como é revisitar essa obra todas as noites?
Sim, nós estamos fazendo três shows especiais esse ano e é o mesmo set que nós estivemos tocando desde novembro. Em 2015 também fizemos uma turnê pelos Estados Unidos com esse set e ano passado fizemos uma turnê pela Europa onde tocamos nos maiores festivais de lá. Essas duas turnês foram gravadas para um blu-ray que irá conter um show ao ar livre na Europa e outro fechado nos EUA. Preciso dizer que eu tive uma amostra grátis de como está ficando a edição final e é algo fora do comum! Há muitas coisas maravilhosas nesse blu-ray para serem vistas e ele deve sair ainda esse ano.

Quando isso estiver terminado, nós começaremos a escrever e a gravar o próximo disco do King Diamond. Como estamos tocando tanto o disco Abigail, há um sentimento de que estamos de volta a 1987, então esse próximo álbum promete ser o melhor que fizemos desde então! Além disso, eu não fumo há bastante tempo agora, além de caminhar 10 kms todos os dias, o que faz meu coração ficar cada vez mais forte, por conta de tudo isso eu sinto muita mais facilidade em cantar as músicas do Abigail hoje, do que em 1987.

Desde que li pela primeira vez o encarte de Abigail, eu notei que você insere o número nove de várias maneiras na história. Isso realmente acontece ou é somente uma observação sem sentido?
Não, você tem toda a razão! O nove é um número mágico, é usado muito no satanismo de LeVay. O nove é um círculo completo, é a vida, entende?

Na história eu digo que dezoito se tornarão nove, há também referência a ele no título de uma das músicas “The 7th Day of July 1777”, isso também é um nove, você só precisa olhar para isso de uma maneira especial. A idade da Miriam referência o nove porque ela tem dezoito anos logo 8+1 = 9. Quando você observa todos os números da data, o sétimo dia de julho de 1777 você terá cinco números 7, e um número 1,5×7=35, o resultado mais um é 36, 3+6, você terá mais uma vez o número 9. É um dos números que você sempre chegará ao final de um ciclo, até mesmo 666 também é uma extensão do nove, quando você o multiplica por alguma coisa. Acho que 666 vai dar algo como dezoito, então oito mais um, será nove de novo, ou seja é um número muito mágico e é por isso que ele está lá.

É verdade que a história veio até você em um sonho onde treze pessoas em capuzes se aproximavam e isso o inspirou a fazer os cavaleiros do disco?
Sim e não. Eu realmente sonhei isso, mas este foi utilizado em uma música do Mercyful Fate, a Nightmare. Houve esse sonho em que eu e meu irmão estávamos em um quarto e ao menos treze pessoas de um culto entraram nele, todos eles encapuzados e apontando para mim, eu então tentei gritar, mas eu não tinha voz, eles diziam para mim: “You’re only living on borrowed/Time from your life” (Você está vivendo apenas um tempo emprestado de sua vida.) e eu usei essa frase na letra da música.

Isso é algo velho, mas a inspiração para Abigail também veio de diversos sonhos que eu tive em uma noite em particular. Eu acordei em meio a uma tempestade – acho importante dizer que as tempestades na Dinamarca não são nada parecidas com as que temos aqui no Texas, lá as tempestades são realmente gostosas, algo muito bom de se ouvir para dormir e relaxar. Enfim, este sonho me acordou e não me atrevi a voltar a dormir, pois não queria perder aquelas memórias que estavam frescas na minha cabeça. Eu tomei um copo de café e então comecei a escrever tudo que eu conseguia lembrar, isso se transformou no Abigail.


Qual foi o sua experiência mais próximo com o sobrenatural?
Houveram muitas experiências que eu vivi com relação a bruxaria, fantasmas, assombrações… Coisas as quais eu não gostaria de comentar. O apartamento em que eu vivia era extremamente assombrado e aparentemente esse espírito me segue até hoje na casa em que moro. Eu quem construi esta casa, ninguém viveu aqui antes de mim e existem quatro pontos quentes aqui onde você pode medir e sentir as coisas. Algo diferente está aqui, meu gato algumas vezes se senta nesses lugares e fica olhando para o teto, rosnando, eu costumo até mesmo brincar com a minha mulher algumas vezes perguntando se ela pode ver esses fantasmas no nosso teto, ela fica toda assustada e me pergunta se estou falando sério e eu respondo, “ué, pode estar lá, nós só não podemos vê-los”. Eu sei que existem coisas aqui, é como se eu tivesse meu próprio fantasma de família particular (Family Ghost).

Existem boatos sobre o nome Melissa, da onde você realmente tirou esse nome?
Melissa era o nome de um crânio que eu ganhei. Eu não sei porque eu tive que dar um nome para ele, mas foi esse nome que eu dei. Ele tinha essa marca imensa na testa, bem profunda, onde ele tinha sofrido uma batida tão forte, que você podia ver onde ele havia quebrado e se regenerado! Obviamente a pessoa sobreviveu ao golpe e me peguei imaginando o que havia acontecido com essa pessoa, como ela levou essa porrada e o que aconteceu com ela depois? Então eu inventei algo para mim mesmo e coloquei na letra da música.

Depois de seus múltiplos infartos em 2010, você passou por uma cirurgia muito delicada no coração que o forçou a mudar uma série de hábitos. Muita gente desacreditou que você iria retornar com a mesma qualidade vocal de antes, mas você voltou ainda melhor!
Essa é a melhor época para se ver e ouvir o King Diamond, a banda é a melhor que poderíamos ter e o show é fantástico! Tudo será levado para São Paulo, todos os equipamentos e palco que foram usados nos EUA e na Europa, então vocês terão uma experiência totalmente inesquecível! Isso eu posso te garantir e é muito legal de se ver, as diferentes gerações de pessoas vindo aos shows. A última vez que estive no Brasil boa parte do público de metal de hoje não havia nascido, ou eram jovens demais para entrar em show de grande porte. Eu vejo isso na tour, o número de pessoas jovens aumentando e o público se renovando, todos eles terão a melhor versão de mim agora.


Existem muitas pessoas que o tem como referência na literatura de horror, mesmo você nunca tendo publicado um romance ou um conto. Você se vê escrevendo um romance?
Mas é claro que sim, aqui está outra coisa engraçada que envolve minha esposa: ela me enganou um dia, me mostrando dois capítulos de Abigail escritos em formato de romance e quando eu comecei a ler, era fantástico! Ela me disse que um dos meus fãs havia enviado isso a ela, então eu disse a pedi para localizar essa pessoa para que pudéssemos trabalhar juntos nisso afinal, eu sei todos os rumos que a história pode ou não tomar, o clima, todas as coisas que aconteceram na mansão, junto com um autor poderíamos desenvolver todo um romance.

Ao final ela confessou que ela mesma havia escrito aqueles capítulos e isso me deixou muito feliz! Com certeza está nos nossos planos escrevermos algo do tipo juntos. Acho que isso não aconteceu ainda somente pela minha falta de tempo, mas acho que vocês podem esperar algo assim vindo por aí nos próximos anos. Abigail, Conspiracy, Puppet Master, eu gostaria muito de fazê-los. Esse também é um meio de que alguém da indústria do cinema se interesse nessas histórias, eles não conseguem ignorar um livro de sucesso e isso seria grandioso.

Como fã de horror, não consigo me lembrar de ninguém antes do King Diamond a fazer um disco conceitual de horror.
Sim, outras bandas haviam feito discos conceituais antes, mas não discos de horror, isso é um dos fatores que tornam Abigail tão especial. Este tipo de música e esse estilo literário colocados juntos realmente criou algo único e provavelmente é por isso que o fez ser tão forte quando você o escuta pela primeira vez. Eu encontrei, logo antes de entrarmos em turnê nos EUA em 2015, uma cópia lacrada da primeira prensagem do Abigail, eu a abri e coloquei na vitrola, até hoje a produção desse disco é algo que me deixa feliz! O som é um absurdo, é assustador, mesmo com toda a tecnologia que temos hoje, farei de tudo para que o nosso próximo disco seja realmente fiel ao som e produção que tivemos com o Abigail, porque é incrível, estamos até trabalhando para relançar desse disco sem a remasterização que foi feita quando ele saiu em CD.

Quais são seus autores de horror preferidos e como eles influenciam na hora de compor um disco?
Bom, infelizmente eu não tenho tido tempo de ler um livro já há algum tempo. Mas vou te dar um exemplo prático sobre minha forma de compor. Veja o Puppet Master por exemplo, eu não lia livros naquela época, acho que por falta de tempo principalmente, esse disco foi inspirado simplesmente por eu estar na Hungria, e por ter visto as pessoas que fabricam fantoches de fato.

Nós estávamos lá em 1999 com o Mercyful Fate, fazendo uma turnê com o Metallica, e fomos tocar em Budapeste. Tivemos um domingo de folga e enquanto andávamos pela cidade, todas as lojas estavam fechadas, então nós fomos para uma parte mais velha de Budapeste e lá eles tem algumas vielas bem estreitas. De repente nos deparamos com uma área que estava cheia de marionetes, era bem mal iluminada, mas ainda assim você podia ver todas essas marionetes penduradas pelas paredes. Era algo bem sinistro, mesmo no meio do dia, então nós andamos um pouco mais até nos depararmos com uma espécie de entrada para um quintal dos fundos, onde ficava o Teatro Nacional de Fantoches, que diabos é isso?

Quando eu penso em um teatro de fantoches, vem a minha cabeça duas pessoas em um barraquinha com os fantoches nas mãos. Mas esse era um teatro real, com fantoches do tamanho de pessoas! Quando eu voltei para o hotel naquela noite comecei a imaginar algo como um teatro onde um titereiro ficaria  em cima do teto, controlando esses marionetes gigantes e talvez alguns deles pudessem vir a vida através de bruxaria ou algo assim e a história se desenvolveu deste ponto.

Então é assim que nasce uma história do King Diamond, obviamente meu modo de pensar foi influenciado por meus autores favoritos de antigamente, poderia citar alguns como um autor inglês chamado James Herbert, ele me deu alguns pesadelos e definitivamente é o meu favorito, Stephen King, aliás quem não gosta dele? H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, eles são clássicos!

O que você pensa da influência que você exerceu nas bandas de black metal norueguesas? Você vê essa influência como algo real?
Sim, eu vejo isso e me sinto honrado. Pessoalmente fui muito influenciado por Led Zeppelin, mas eu não queria soar como eles. Eu queria comprar uma guitarra e fazer aquele som, coisas como Dazed and Confused. Eu também fui influenciado pelo Alice Cooper e Peter Gabriel eu os vi ao vivo em 72 e o meu show é muito inspirado no que eu vi naquela noite. Vocalmente falando, meu vocalista preferido é o David Byron do Uriah Heep. Então eu fui influenciado por todas essas coisas, mas eu ainda sou eu mesmo, eu me esforcei para ser eu mesmo, é isso que você pode ver também nas bandas de black metal norueguesas, elas não são nem de longe cópias minhas, são uma versão do que eu faço, e ser inspiração para elas é uma grande honra.

Veja bem, isso não é apenas uma imagem para mim e espero que não seja para elas também, pois eu realmente sigo e vivo a filosofia de Anton Szandor LaVey (fundador da Igreja de Satã), eu já fui até sua igreja e passei uma noite toda lá, sou amigo de suas duas filhas, eu inclusive as encontrei na minha última passagem por São Francisco – CA, nós saímos para jantar depois do show, eu, elas, minha esposa e dois seguranças fomos para o restaurante favorito de Anton LaVey, onde ele costumava ir tarde da noite, e isso foi muito interessante, pude sentar e comer onde ele comeu.

Muito obrigado pela entrevista, King!
Muito obrigado por seu tempo! Nos vemos em São Paulo e preparem-se para um espetáculo totalmente fantástico!



05 março 2016

Novo do SHADOWSIDE terá ex-Hammerfall e participação de Andy La Rocque

Por Julio Feriato / Fotos: divulgação



Na estrada desde o inicio dos anos 2000, a Shadowside sempre foi uma banda focada no profissionalismo, uma característica muito bem refletida em seus três álbuns de estúdio: “Theatre of Shadows” (2005), “Dare to Dream” (2009) e o excelente “Inner Monster Out” (2011, gravado na Suécia com produção do renomado Fredrik Nordström, que já trampou com In Flames, Dimmu Borgir, Soilwork e mais uma penca de bandas suecas que você gosta).

Conversei com Dani Nolden para saber mais detalhes do novo traballho, sobre a inclusão do baixista Magnus Rosén (ex-Hammerfall) como mais novo membro do grupo e sobre a participação do guitarrista Andy LaRocque. Ei-la.

Dani Nolden
Dani, na ultima vez que conversamos vocês tinham acabado de voltar de uma turnê europeia ao lado do Helloween e Gamma Ray. Como foi tocar com grandes ídolos e quais as melhores lembranças dessa tour?
Nós nunca tivemos uma experiência ruim como banda de abertura, e com o Helloween e Gamma Ray, todos sempre nos perguntavam como havia sido o show, se o público estava legal, se estávamos curtindo a turnê, se precisávamos de alguma coisa. A admiração que nós tínhamos pelas bandas só aumentou, pois quando éramos crianças eles já eram rockstars, porém ainda assim fomos tratados como iguais por eles o tempo todo. 

Os shows em si foram simplesmente incríveis! Nós já havíamos estado em alguns países como Polônia e Espanha, que sempre são maravilhosos e não foi diferente dessa vez, mas visitamos alguns lugares em que nunca havíamos tocado antes, como Paris, onde tivemos a oportunidade de ser a primeira banda de Metal brasileira a pisar no Olympia, uma casa lendária fundada em 1888. O público nos recebeu de forma muito calorosa, empolgados, gritando o nome da banda em alguns lugares. 

Quando o público grita o nome da banda de abertura, é sinal de que alguma coisa funcionou (risos).

“Inner Monster Out” foi lançado em 2011 e conseguiu uma bela repercussão mundo afora. Mas em termos de Brasil, como você avalia a repercussão por aqui? 
Eu achei excelente e fiquei muito feliz, especialmente porque o “Inner Monster Out” foi um álbum baseado no nosso gosto e nada mais. Foi um risco, um instinto, que acabou se tornando o mais bem-sucedido da banda até hoje, tanto aqui quanto lá fora. É o nosso álbum mais vendido e o que menos fizemos pra vender (risos). Ele originou a nossa maior turnê, também tanto no Brasil quanto no exterior: foram 20 datas só no Brasil e 36 lá fora. 

Os fãs se envolveram muito na divulgação do álbum, todo o trabalho de lançamento do “Inner Monster Out” foi um esforço conjunto maravilhoso. A promoção do disco foi feita praticamente pelo ‘street team’, pela galera que realmente gosta da banda, pois muita gente chegou até nós por causa de amigos. 

Acho que os fãs ficaram tão empolgados com o resultado do trabalho quanto a gente e isso acabou gerando um entusiasmo que contagiou a todos. Foi algo realmente especial.

Recentemente o baixista sueco Magnus Rosén (ex-Hammerfall) foi anunciado como mais novo membro da banda. Isso é algo definitivo ou será somente durante as gravações do novo trabalho?
É definitivo. Magnus é um membro da banda agora. A aproximação inicial tinha como objetivo chamá-lo só para as gravações, mas depois de algumas conversas, ficou claro que ele era o cara certo e fizemos o convite.

Magnus Rosén
Ele tem fama de ser um artista muito perfeccionista. Como está sendo trabalhar com ele? Ele está ajudando a compor novas músicas? 
Sim! Ele está participando das composições, dando opiniões, trazendo as músicas dele, trabalhando conosco como banda, exatamente como sempre fizemos. Está fluindo tudo muito bem! Esse perfeccionismo é algo fundamental para a Shadowside porque mesmo sendo um baixista extremamente técnico, ele entende melhor que ninguém como é essencial que a “estrela” seja a música, e não nós músicos individualmente, mas que isso não significa que a banda não precisa ser sólida. 

Ele é bastante preocupado com entender todos os detalhes, nunca é desleixado com coisas aparentemente fáceis, e isso é algo muito importante pra nós. Nossa música é simples, direta, sem arranjos ou estruturas complicadas, mas tocar isso com precisão é essencial. Eu considero o Magnus um dos melhores baixistas do mundo, não só pela qualidade técnica dele, mas porque ele tem essa sensibilidade em saber o que a música pede. 

A composição está fluindo de uma maneira muito divertida, tranquila e estamos ainda mais empolgados com o resultado até agora do que estávamos com o “Inner Monster Out”.

Foi noticiado que o guitarrista Andy LaRocque (King Diamond) também está contribuindo neste novo álbum. O que exatamente ele tem feito? 
Ele é amigo do Magnus e eles tinham algumas composições juntos que nunca haviam lançado. Como demos liberdade ao Magnus para compor, ele nos ofereceu essas músicas porque achou que tinham a nossa cara – e realmente tinham! Então ele já chegou contribuindo com um material muito legal e vamos ter a honra de ter algumas composições no álbum com a participação do Andy La Rocque como um dos autores!

Devido ao novo lineup e as participações certamente podemos esperar por um grande álbum! Qual a previsão de lançamento?
Ainda não temos uma previsão de lançamento. A gravação será em junho em Gotemburgo, Suécia, novamente com a produção do Fredrik Nordström. A data de lançamento ainda está em aberto, mas eu acredito que deve ser final deste ano, início de 2017.

Dani, obrigado pela entrevista! 
Muito obrigada pelo apoio e pelo espaço do Heavy Nation, e muito obrigada aos fãs pela paciência e empolgação que eles têm tido conosco! Estamos muito ansiosos para gravar e lançar este novo cd; e o fato de vocês estarem constantemente nos dizendo como estão aguardando por esse material nos deixa ainda mais animados. Vai ser bem pesado, e, como o próprio Fredrik disse, é um passo acima com relação ao “Inner Monster Out”. Fiquem ligados!



14 setembro 2015

JACKDEVIL rebate acusações sobre ser uma banda cristã

Por Julio Feriato / Fotos: divulgação

Da esq. p/ dir.: Renato Speedwolf (B), André Nadler (G/V), Filipe Stress (BT) e Ric Mukura (G)
Jackdevil é uma banda de heavy/thrash metal formada em São Luis/MA em meados de 2010. De lá pra cá, tornaram-se uma das bandas mais ativas da cena brasileira, seja gravando álbuns , eps, realizando apresentações ao vivo ou lançando videoclipes.

Com o lançamento de “Evil Strikes Again”, seu segundo álbum de estúdio, os Jackdevil provam que não são mera modinha passageira, como muitos acusaram no inicio. “Viemos pra ficar e não iremos parar tão cedo!”, afirma André Nadler, vocalista e guitarrista da banda.

Conversei com o vocalista/guitarrista Andre Nadler sobre o novo álbum e não pude deixar de perguntar sobre os boatos no underground sobre ser uma banda de white metal.

“Unholy Sacrifice” (2014) foi um álbum baseado nos livros e filmes de Stephen King. Desta vez, qual temática vocês abordaram em "Evil Strikes Again"?
O “Evil Strikes Again” não é um álbum conceitual como foi o “Unholy Sacrifice”. Dessa vez optamos por temáticas variadas abordando diversas esferas do terror, do real ao imaginário, mas ainda no mesmo clima do que foi feito anteriormente. Músicas como “Death by Red Lights”, que narra a história do bandido da luz vermelha e “Devil Awaits”‘, inspirada no filme “A Morte do Demônio” são bons exemplos para se analisar o que está contido nas canções do novo disco.

O tempo entre o lançamento desses álbuns é relativamente curto. Quais diferenças você aponta entre os dois?
“Unholy Sacrifice” e “Evil Strikes Again” retratam o mesmo Jackdevil, mas em momentos diferentes, pois apesar de apenas um ano de diferença, creio que existe um salto enorme dentro da qualidade sonora e um amadurecimento que nos permitiu envolver de forma frontal o que há de clássico e inovador em nossa música. Conseguimos extrair de forma mais intensa o que havia de influência e de personalidade na banda. Nos dedicamos por meses ao trabalho desse álbum e registramos todos os pontos positivos e negativos da nossa trajetória para que alcançássemos bons resultados.

Este trabalho é o segundo full-lenght da banda. Porém, se juntarmos com os EP’s, esse é praticamente o quarto lançamento em apenas 4 anos, algo que não é muito comum por aqui. Como funciona esse processo pra vocês?
O Jackdevil aposta no ‘faça você mesmo’ e nos últimos anos o empenho em ofícios como edição gráfica, engenharia de som e produção de conteúdo audiovisual foi algo presente em nosso cotidiano. O objetivo principal está sendo aprender ao máximo esse tipo de coisa para que possamos ter ainda mais domínio de tudo que produzimos.

No final das contas, para que hoje o Jackdevil tenha em mãos esses quatro materiais lançados, assassinamos inúmeros momentos de diversão, abdicamos dos dias de descanso, trocamos o tempo com a família pelos dias internados dentro do estúdio apenas com a companhia um do outro.

Contar a história do Jackdevil é falar sobre as nossas quatro vidas, pois dedicamos elas ao que está sendo feito desde que decidimos colocar para frente esse sonho lúcido de tocar heavy metal!


Vocês fizeram alguns shows no sudeste pela primeira vez em 2013. Quais lembranças que você tem sobre essa passagem por aqui?
Os shows que fizemos nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo em nossos primeiros anos de existência fazem parte de muitas das nossas conversas, pois guardamos boas recordações de vários deles. Além das apresentações também posso destacar os inúmeros amigos e excelentes entrevistas que surgiram naquela ocasião. Tocamos por cinco dias seguidos logo na primeira semana! Mas também muita coisa inusitada aconteceu.

Faltou local para ficarmos e acabamos dormindo juntos em um motel daqueles de cama redonda e espelho no teto, o Filipe (Stress, baterista) perdeu os documentos dele no metrô em São Paulo, nos perdemos por várias vezes nas cidades e eu quase fui esmagado pela porta do metrô (risos). Aguentar o fedor dos meus companheiros de banda que passaram dias sem tomar banho foi uma tarefa complicada e já me preocupo com essa próxima turnê que contém mais de 20 shows e por vários países.

Enfim, tentamos sempre nos divertir em todos os momentos e ultrapassar os obstáculos de continuar com o Jackdevil firme e forte.

Em novembro vocês retornam a São Paulo para alguns shows. Como está a expectativa?
São Paulo sempre nos recebe de braços abertos e a maior prova disso é a quantidade de amigos que temos na cidade. Vários parceiros de estrada estão por lá como a Leather Faces, Mad Dög, Nervosa, Fire Strike, e muitas outras. 

Para a ‘Evil Strikes Again Tour 2015’ temos alguns shows já marcados em São Paulo ao lado do Onslaught e estamos nos preparando para fazer o melhor que podemos, por onde passarmos.

O que você tem a dizer sobre o boato que saiu nas redes sociais afirmando que a banda foi formada em uma igreja e que vocês são cristãos?
Imagino que o motivo desse boato seja porque meu primeiro envolvimento com música foi na igreja, quando garoto. Foi onde aprendi a tocar e não tenho vergonha disso. E por que teria? 

De qualquer modo não somos cristãos e não temos ligação nenhuma com religião – qualquer uma que seja! Desde a primeira vez que ouvi esse murmurinho eu me pergunto apenas uma coisa: e se fôssemos? Seríamos massacrados, discriminados ou iriam aproveitar a moda dos linchamentos e providenciar um para cada pessoa religiosa que gosta de metal? Somos contra todo e qualquer tipo de discriminação e intolerância!

O Jackdevil é uma banda de heavy/thrash metal e não uma horda de black metal para levar assuntos extremistas tão a sério. Estamos falando do mesmo metal pesado do Dave Mustaine (Megadeth), Tom Araya (Slayer) e Nicko McBrain (Iron Maiden), que se declararam cristãos e continuam com seus trabalhos dentro do estilo. Afinal de contas, a sua vida pessoal é problema seu, eu quero te ver no palco! 

Eu não quero saber o que você faz no seu dia a dia. Imagino que o metal foi feito para fugir desse regime imposto pelo sistema e não para ser outra maneira de oprimir as pessoas. Acho que temos inimigos maiores dentro do metal brasileiro para nos preocuparmos, como por exemplo, produtores corruptos que não pagam as bandas, um público preguiçoso que trocam shows por seus computadores repletos de mp3, falta de estrutura para eventos do estilo em vários locais do Brasil, etc. 

Por fim, dizem que a ‘inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia’ e boatos acontecem quando alguém que não tem nada de útil a fazer resolve gastar seu tempo falando da vida de outra pessoa. Talvez essa seja a resposta mais objetiva.

No final, você concorda que os headbangers troo acabam se tornando tão fanáticos quanto os fanáticos que eles criticam?
Veja bem, eu acho estranho o criticar todas as religiões e tentar transformar o metal em mais uma. É claro que não há democracia sem liberdade de expressão, mas obrigar as pessoas a acreditar e se comportar como você julga ser a maneira correta se chama regime, e nós, brasileiros, já superamos isso, certo? 

Na minha opinião, no país da corrupção não poderia ser diferente e a religião se torna apenas mais um veículo sanguessuga dos bolsos do cidadão brasileiro, mas cada um segue o quiser e quando quiser. O perigo é até onde o tal extremismo no metal pode chegar. Enquanto todas as reclamações se resumirem aos protestos virtuais e debates está de bom tamanho. Recentemente vi alguns ‘xiitas’ do metal falando que era totalmente inadmissível que bandas de metal de verdade participem de eventos beneficentes porque não devemos ter misericórdia dos fracos, acredita? (risos) 

Essas regras criadas dentro do cenário nacional afastam muitas pessoas que gostariam de fazer parte do movimento. Toda essa história acaba diminuindo o número de garotas no show, a molecada fica inibida de entrar para o rock e esse papo deixa de canto o principal motivo de sairmos de casa em direção aos shows: música e diversão.

Esse tipo de crítica acontece também no estado do Maranhão ou por aí as coisas são mais tranquilas?
Acontece um pouco aqui no Maranhão também através de um grupo específico de pessoas, mas é bem evidente o objetivo dos que estão envolvidos com isso: atrapalhar o trabalho da banda por algum motivo que desconheço. Acho que seria muito mais simples apenas não gostar do Jackdevil, mas tem gente que vai além e perde seu tempo almejando o fracasso das bandas novas que estão se destacando. 

O pior é que ainda tem gente que cai nessa e não procura se informar. Só não sei se isso é burrice ou ignorância porque a ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades e a burrice é uma força da natureza. 

A ignorância quer saber, a burrice acha que já sabe.

Falando em Maranhão, como ficou a cena daí após o fracasso do M.O.A.?
Ultimamente poucas bandas estão surgindo aqui na capital maranhense, os shows estão instáveis porque ora estão lotados, ora estão vazios e poucas turnês de grupos internacionais de rock n’ roll estão passando por aqui, pois falta mesmo até casas de show que possam abrigar os eventos. 

Mas em contrapartida aconteceram coisas boas também e hoje em dia temos ótimas bandas que não deixam nada a desejar em relação aos movimentos de outros cantos do Brasil e do mundo. Em que outra época tínhamos bandas maranhenses tocando fora do país e sendo destaque em revistas, blogs e outros veículos de comunicação ao redor do mundo. 

Realmente, é uma época difícil de ser avaliada, mas nós do Jackdevil nos esforçamos para ajudar como podemos e mesmo que já tenham fechado muitas portas quando começamos por aqui, sempre fazemos questão de abrir outras para aqueles que fazem os corres em nossa cidade natal e faremos isso sempre que possível. 

Vida longa ao metal maranhense, que mesmo mergulhado em tantas “adversidades” (leia-se falta de estrutura, fofoquinhas, mimimi’s e tretas) sempre consegue surpreender e lançar novos talentos como a Leopard Machine, School Thrash, Púrpura Ink, Royal Dogs, RedBeer Club, e outras.

Por fim, deixe seu recado para a galera!
Deixamos aqui o nosso eterno agradecimento aos que compartilham das nossas conquistas e nos ajudam nessa estrada, seja direta ou indiretamente. Que o metal nacional seja cada dia mais valorizado e que tenha menos cuzões. Que o fazer seja mais importante que o falar. Que as pessoas valorizem mais a música e menos os bastidores.



12 setembro 2015

MYTHOLOGICAL COLD TOWERS: "doom metal é um gênero maldito", afirma guitarrista

Por Julio Feriato / Fotos: divulgação

Nechron (G), Yaotzin (B), Hamon (BT), Samej (V) e Shammash (G)
Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre o Mythological Cold Towers. Mas saiba que já se passaram quase vinte anos desde que esses paulistas lançaram o primeiro cd “Sphere of Nebaddon: The Dawn of a Dying Tyffereth”, considerado um verdadeiro clássico do doom metal brasileiro e hoje disputado a tapas pelos fãs do estilo.

De lá para cá, mesmo após longos intervalos, o grupo também lançou “Remoti Meridiani Hymni: Towards the Magnificent Realm of the Sun” (2000), “The Vanished Pantheon” (2005), “Immemorial” (2011) e “Monvmenta Antiqva”, o mais novo trabalho, lançado em abril deste ano.

Conversei com o guitarrista Shammash para falar sobre a atual fase da banda; o resultado você confere logo abaixo.

Samej e Shammash no Heavy Nation, em 2011
Quando conversamos no programa Heavy Nation em 2011 você afirmou que o Doom Metal é um gênero musical maldito. Você ainda acha isso?
Acho sim, pois não só no Brasil como em outros países, o Doom ainda não possui o mesmo espaço como outros estilos têm. Mas não vejo isso como algo de negativo. O Doom é um gênero muito difundido e apreciado por ouvintes com gosto musical mais apurado e abrangente. Então, de certa forma, há uma conexão e proximidade entre os fãs do estilo.

O novo álbum “Monvmenta Antiqva” resgatou o doom clássico que a banda fazia no inicio de sua carreira. Isso foi proposital?
De alguma forma, sim. Além de sermos fãs desse Doom clássico praticado no inicio dos anos noventa, nós acompanhamos o surgimento do estilo e o nascimento das bandas que se tornaram ícones como, por exemplo, My Dying Bride, Anathema, Paradise Lost, Cathedral, Katatonia, entre outras, pois sempre fomos fortemente conectados com a cena underground mundial, desde os anos oitenta. Desta forma, nós temos o imenso orgulho do MCT ter emergido nesse período.

Outro detalhe marcante foi a volta dos teclados, instrumento que vocês haviam meio que deixado de lado no cd anterior.
Na verdade, nós utilizamos o teclado para dar uma ambiência envolta de mistério e climas épicos em nossa música. Chegamos a explorar mais esse instrumento na época dos albuns “Remoti Meridini Hymni” (2000) e “The Vanished Pantheon” (2005). A partir de “Immemorial” (2011), nós preferimos utilizar de forma mais sutil, apenas para harmonizar a atmosfera de opulência que a banda transmite.

Formação do álbum “Remoti Meridiani Hymni…”
Vocês impressionaram muita gente quando lançaram o “Remoti Meridiani Hymni…”, pois ele veio com uma proposta totalmente diferente, mais atmosférica e com músicas longas que passam dos dez minutos. O que inspirava a banda naquela época?
Naquele período a banda tinha outros integrantes que não estão mais hoje. Havia muita diversidade de gostos e influências musicais entre os membros. Lembro que buscávamos inspirações de vários tipos de músicas que combinavam com a atmosfera do MCT, como por exemplo, trilhas sonoras de filmes épicos. Ainda carregamos essas influências, porém, estamos mais focados em fortalecer a nossa identidade.

Foi também quando começaram a explorar o tema sobre as antigas civilizações da America Central, correto?
Isso é outro orgulho que temos: ser uma das primeiras bandas de Metal a incorporar essa temática na música. Então, naturalmente, foi lançada uma trilogia sobre a América pré-colombiana, iniciada no álbum “Remoti Meridini Hymni”, dando continuidade em “The Vanished Pantheon” e finalizando no “Immemorial”. O vocalista e letrista Samej soube através de uma profunda pesquisa e leitura, absorver esse tema e incorporá-lo à nossa música.

Em “Immemorial” as letras abordaram as civilizações perdidas da Amazônia. Um tema bem complexo e que exige muita pesquisa…
Exatamente. Há muitos mistérios e lendas que se formaram naquela região. Samej pesquisou muitos textos de cronistas antigos que estiveram lá e descreveram belas obras cheias de histórias assustadoras e míticas. Sem contar nos emblemáticos rastros deixados por antigas civilizações brasileiras não só na Amazônia, como em várias partes do nosso país.

E qual a concepção lírica de “Monvmenta Antiqva”?
Mudamos da água pro vinho, ou melhor, deixamos o tema sobre a América um pouco de lado e resolvemos falar sobre as civilizações clássicas. Não se trata de um álbum totalmente conceitual como os anteriores. Na verdade, “Monvmenta Antvqua” foi inspirado em nossa admiração pela arte e cultura greco-romana. O álbum reflete nosso fascínio e contemplação pela arte e cultura no mundo clássico, bem como os vestígios de suas construções, templos e todo o legado que deram origem a civilização ocidental.

Ao ouvir “Monvmenta Antiqva” tenho impressão de que ele talvez seja o álbum mais ‘emocional’ da banda. Como vc analisaria este trabalho?
De fato você, conseguiu absorver a verdadeira essência que o álbum transmite. Desta vez, fizemos o possível pra deixar a sonoridade repleta de magnificência e uma produção bem polida, a fim de evocar o sentimento de beleza e deslumbres que a própria arte clássica nos remete.

Vocês deram um rolê pela Europa em 2012. O que deu pra sentir da cena doom de lá?
Apesar de realizamos apenas cinco shows, abrangendo os países Portugal, Irlanda e Holanda, deu pra ter uma ideia de como as coisas funcionam por lá. O público no geral é como o daqui. Vão aos shows, apoiam e mostram grande receptividade às bandas. O diferencial é que na Europa há uma cultura voltada pro Metal em geral. Você percebe isso quando nota o profissionalismo em termos de estrutura e organização de eventos e o estímulo do público em apoiar as bandas, comprando seus materiais.

Quais os planos da banda agora que o novo cd foi lançado?
A ideia é preparar um merchandising e prosseguir com as apresentações pra divulgar o novo trabalho, abrangendo vários lugares possíveis. Temos várias propostas, mas, até o momento, estão confirmados shows no Rio Grande do Sul e Cuiabá. Estamos aptos a tocar em vários estados e regiões do Brasil. Nesse meio tempo, quem sabe não relançamos algum material antigo. 


Discografia:
* “Sphere of Nebaddon: The Dawn of a Dying Tyffereth” (1996)
* “Remoti Meridiani Hymni: Towards the Magnificent Realm of the Sun” (2000)
* “The Vanished Pantheon” (2005)
* “Immemorial” (2011)
* “Monvmenta Antiqva” (2015)

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13 junho 2015

Quando o metal crucifica e ninguém reclama: o preconceito seletivo contra a Parada GLBT

Por Julio Feriato

O assunto que mais bombou nas redes sociais nesta semana foi uma polêmica foto da 19ª Parada do Orgulho GLBT, na qual a transexual Viviany Beleboni encenou uma crucificação para simbolizar a “agressão e a dor que a comunidade LGBT sofre diariamente no país”.

Em entrevista ao Portal G1, Viviany explicou que enxerga a Parada como um protesto, não apenas uma festa. “Usei as marcas de Jesus, que foi humilhado, agredido e morto; justamente o que tem acontecido com muita gente do meio GLS. Mas isso não choca ninguém. Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era, mesmo, protestar contra a homofobia”.

Mesmo assim, a mensagem foi mal interpretada e provocou uma enxurrada de críticas nas redes. Muitos questionaram: “como querem respeito se eles mesmos não respeitam a religião dos outros?”.

Primeiro, desde quando católicos e, principalmente, evangélicos radicais respeitam a sexualidade alheia? Que tipo de respeito é esse que associa homossexuais a pedófilos ou criminosos e chega ao ponto de um deputado pastor propor um projeto popularmente apelidado de “cura gay”?

As ideias preconceituosas vindas de fundamentalistas evangélicos e católicos até são previsíveis. O que chamou atenção foram os diversos posts de pessoas ligadas à cena rock/metal se dizendo ofendidas com a encenação de Viviany — e compartilhando publicações de Silas Malafaia e Marcos Feliciano para criticar o protesto.

Os mesmos “roqueiros/metaleiros” que se orgulham de ser mais cultos e inteligentes do que fãs de gêneros musicais populares, e que escutam e compram discos de Slayer, Deicide, Gorgoroth, Cradle of Filth, Marilyn Manson, Belphegor, Sepultura… ou seja, bandas que já usaram a imagem de Cristo crucificado em capas de álbuns ou videoclipes, agora se dizem ultrajados.


Será que o mesmo fã de Deicide que se indignou com o protesto da Parada GLBT também ficou chocado com a capa e contracapa do disco Once Upon the Cross, ou com o DVD Black Mass Kraków, do Gorgoroth, onde algumas mulheres eram crucificadas no palco?

Achou pouco? Então vamos continuar.



O videoclipe de Arise, do Sepultura, mostra pessoas crucificadas usando máscaras de gás. Por que ninguém do metal se escandalizou com isso? Ou com a capa do LP Rotting, do Sarcófago?


Fora do metal, há exemplos como a capa da revista Placar, em que Neymar aparecia crucificado para simbolizar a “crucificação” que sofria pela pressão da torcida. Alguém ficou irritado? Claro que não! Afinal, é Neymar: homem hétero, futebolista, paixão nacional. Pode tudo.

Já Viviany Beleboni? Não. Beleboni é uma mulher transexual, e, segundo os críticos, “gente suja que não merece estar no planeta”.

A conclusão é clara: a revolta dos hipócritas — sejam católicos, evangélicos ou metaleiros — nunca foi contra o protesto em si, mas contra os "manifestantes". Mais um exemplo de homofobia disfarçada de indignação moral.

Alguns exemplos de bandas que usaram crucificação ou imagens religiosas em capas de discos e vídeos:

O Sarcófago também quis fazer seu protesto no EP "Rotting", em 1989.

Muito antes de usar a crucificação no clipe de “Arise”, o Sepultura já havia usado a imagem da crucificação de Cristo na capa do disco “Morbid Visions”, em 1986.

Capa do EP "Insantification", da banda mineira In Memorian.

Cenas do DVD "Black Mass Kraków 2004", do Gorgoroth

Os austríacos do Belphegor exibiram uma freira nua com corpse paint se esfregando na cruz, no videoclipe “Lucifer Incestus“

O que será que os pseudo-metaleiros cristãos fundamentalistas acharam da capa do primeiro cd do Mysteriis?

Os curitibanos do Amen Corner sempre curtiram satirizar a imagem de Cristo tanto nas letras quantos nas capas.


Capa da demo “Fuck Me Jesus”, lançada em 1991, pela banda sueca Marduk.