31 março 2014

A maratona de shows do mês de março: leia o que rolou

Por Julio Feriato

Realmente não dá para discordar quando dizem que São Paulo tornou-se a capital mundial dos shows de heavy metal. Basta ver quantidade de eventos dedicados ao estilo em praticamente todos os finais de semana (e às vezes até no meio dela), tanto com shows internacionais de bandas consagradas quanto de bandas ditas menores. Ou seja, a única coisa que o headbanger paulistano pode reclamar é se tem dinheiro para acompanhar tudo o que acontece na cidade.
Os dois Mários: Pastore e Linhares / Foto: Pri Secco

A simpática cantora alemã Doro Pesch se apresentou no Carioca Club no dia 8 de março. Com a casa cheia, ela fez um show impecável recheado de clássicos de sua antiga banda, Warlock.

No dia 15, exatamente uma semana depois, a banda baiana de black metal Mystifier tocou na Fofinho, tradicional casa de shows que realiza eventos dedicados ao metal extremo. Na mesma noite, os brasilienses do Dark Avenger fizeram um show especial na Clash Club. Especial porque seria o último do grupo antes do vocalista Mario Linhares enfrentar uma cirurgia na coluna (realizada na semana seguinte). A Clash encheu de fãs fervorosos que sabiam de cor cada música executada do novo álbum "Tales of Avalon - The Lament" e as cantavam em uníssono. Linhares respondeu à altura e não se abalou nem depois do susto de cair do palco, retornando alguns segundos depois como se nada tivesse acontecido. 

O evento também contou com as bandas Pastore e Zaltana. Esta última não agradou muito com seu metal moderno, talvez por ser completamente desconhecida por aqui. Já o Pastore, que entrou em seguida, tinha mais admiradores. Neste show de São Paulo, o grupo estava totalmente reformulado e da formação original ficou apenas o vocalista Mario Pastore. A banda lançou em 2012 o álbum "The End of Our Flames" e foi muito bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público, e ainda foi um dos álbuns de metal mais vendidos no Japão ao lado de nomes consagrados do estilo.
Iced Earth no Carioca Club / Foto: Evandro Camellini

No último dia 23 de março, os norte-americanos do Iced Earth fizeram uma bela apresentação no Carioca Club. A banda divulga "Plagues of Babylon", seu mais recente trabalho de estúdio e segundo com o vocalista canadense Stu Block.


Casa lotada e show impecável apesar do setlist não conter tantos clássicos. Mas não esqueceram de músicas obrigatórias como "The Hunter", "Burning Times" e "Watching Over Me". A banda estava entrosada, mas foi impossível não notar a cara de poucos amigos do guitarrista e líder Jon Schaffer. Tudo bem que ele nunca foi de se movimentar muito, mas neste show ele parecia uma estátua. Mais tarde ficou-se sabendo que o motivo da sua falta de interação foi porque ele estava sentindo muitas dores nas costas. Stu Block também não estava 100% devido uma infecção na garganta que teria tido naquela mesma semana.
Thiago Bianchi e Aquiles Priester, da Noturnall / Foto: Marcos Cesar
E a maratona mês de março fechou em grande estilo neste último final de semana. No sábado (29) o lendário guitarrista alemão Uli Jon Roth (ex-Scorpions) tocou no Manifesto Bar ao mesmo tempo em que a Noturnall, banda formada por integrantes do Shaman e que conta com o baterista Aquiles Priester (Hangar, ex-Angra), se apresentava no Carioca Club com casa lotada.

O show foi memorável, tanto em termos técnicos como qualidade do som e iluminação, quanto da performance dos músicos que estão afinadíssimos e muito bem entrosados. A noite ainda contou com a participação especial de Russel Allen, vocalista da banda norte-americana Symphony X, que praticamente roubou a cena com sua voz poderosa e pela sua altura (Thiago Bianchi, vocalista da Noturnall, ficou baixinho perto dele mesmo usando um par de botas plataforma). Tudo foi registrado para um DVD que pretendem lançar em breve.
Fernanda Lira (Nervosa) / Foto: Julio Feriato
No domingo (30), o trio feminino de thrash metal Nervosa lançou oficialmente seu primeiro álbum, "Victim of Yourself", no Brasil. O show de lançamento foi no Hangar 110 e também contou com as bandas Leatherfaces e Lama Negra, que abriram a tarde em alto estilo. Já a Nervosa fez uma apresentação digna de banda grande. O som estava ótimo e as garotas deixaram todos boquiabertos com sua performance.

Provavelmente alguns que ali estavam fizeram parte da galera que adorava criticá-las no passado, mas essas críticas negativas aos poucos se tornam cada vez mais positivas à medida que o trio consolida seu nome no mercado mundial do heavy metal. Uma grande prova disso é que "Victim of Yourself" já é campeão de vendas do selo Die Hard, tanto no atacado quanto no varejo, e na Europa a gravadora Napalm Records planeja uma turnê da banda tanto no velho continente quanto na América do Norte.

Conquistas que poucos conseguiram em tão pouco tempo e pode "reabrir" as portas para que outros nomes do metal nacional possam conseguir o mesmo.
HIM em São Paulo / Foto: Edi Fortini
Fechando o domingão, após assistir a excelente apresentação da Nervosa, foi a vez de ir ao HSBC Brasil para conferir de perto o show dos finlandeses do HIM, que se apresentaram no Brasil pela primeira vez. A banda tem no currículo o fato de ter sido uma das que mais venderam álbuns nos anos 2000 na Europa e há muito tempo que o público brasileiro esperava por uma apresentação por aqui.

A expectativa foi confirmada com a presença em massa dos fãs que deram um show à parte, pois quando os integrantes entraram no palco e começaram a tocar "Buried Alive by Love", o som que estava um exagero de tão alto foi abafado pelos gritos da plateia. Foi uma apresentação recheada de clássicos como "Join Me in Death", "For You" e "Wicked Game", com direito a invasões de fãs no palco e até um sutiã bordado com o símbolo da banda foi arremessado para o vocalista Ville Valo. 

Ficou nítido que os finlandeses não esperavam uma recepção tão calorosa do público brasileiro e com certeza não irão demorar tanto para voltar ao país.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários ofensivos serão deletados!