Por Krampus
Embora o fato de artistas fingirem ser outros não fosse exatamente uma novidade (vide os dois primeiros álbuns dos Monkees, com músicos e compositores "de verdade"), era algo inédito no mundo do metal. Mas Defeis, numa situação delicada, aceitou o acordo para quitar a dívida. Junto com o guitarrista do Virgin Steele, Edward Pursino, ele se propôs a gravar três álbuns de metal em um mês. Isso mesmo, UM mês! Com cada um tentando ser distinto, diferente e definitivamente fora do estilo Virgin Steele, eles entraram rapidamente no estúdio para criar esse material, tudo sob a forte pressão de se livrarem das pessoas que os cobravam.
O segundo álbum deveria ser um projeto totalmente novo. Uma obra-prima de black metal no estilo do Venom e dos então novatos do Bathory, da Suécia. Defeis ficou encarregado de compor o material, contratar músicos para se juntarem a Pursino, além de supervisionar e produzir o projeto.
Infelizmente — e digo infelizmente mesmo —, como muitas gravadoras daquela época, a Cobra Records faliu antes do fim da década. Por causa disso, Nightmare Theatre nunca foi lançado em CD (apenas alguns bootlegs remasterizados a partir do vinil). Mais de 30 anos se passaram, e só recentemente Defeis admitiu ser o responsável pelo Exorcist. Para nossa sorte, quando ele devolveu as gravações originais desses três álbuns, entregou cópias mixadas, guardando a master original para si, pensando que, quem sabe um dia, pudesse relançar o álbum. Em 2016, ele decidiu que finalmente era a hora certa.
Dito isso, o que eu tenho em casa é a versão mais recente em LP, mas deixe-me contar a vocês como o conjunto de dois CDs foi lançado: completo com luva protetora, novas notas/fotos de encarte e algo que eu jamais imaginei ser possível: não uma, nem duas, mas três versões diferentes do álbum, cada uma ligeiramente diferente das demais. A primeira versão é o álbum original com o qual cresci, remasterizado para os padrões atuais; a segunda é uma mixagem mais alta com algumas pequenas adições; e a terceira, na qual certas partes foram estendidas e regravadas, inclui efeitos assustadores adicionais. No geral, é uma ótima apresentação.
Também há novas faixas "descobertas" do Exorcist, mas que na verdade são novas faixas de Defeis gravadas no clima da banda, que finalmente permitiram que ele fosse ele mesmo, com sua voz característica do Virgin Steele, junto com sua metade sombria "Damian Rath" (sob a qual ele foi creditado no álbum original). Essas novas faixas são interessantes, incluindo duas regravações de "Death By Bewitchment" e "Queen Of The Dead", nas quais ele parece estar fazendo um dueto com ambas as suas versões!
Nightmare Theatre é, sem dúvida, uma obra-prima do thrash/black metal dos anos 80. O fato de um álbum que ouvi pela primeira vez na adolescência me impactar tanto mostra que é algo realmente especial. Um conceito e narrativa únicos (quase dois anos antes de Abigail, do King Diamond), interlúdios aterrorizantes e faixas de metal abrasadoras que ficarão na sua cabeça para sempre.
Por fim, gostaria de acrescentar que, se o Sr. Defeis algum dia ler isto, eu gostaria de lhe agradecer. Sei que o Virgin Steele é seu xodó, seu ganha-pão, mas de todo o seu trabalho, nada me marcou tanto quanto Nightmare Theatre. Uma obra conceitual verdadeiramente original para uma era do metal que jamais morrerá. Ainda soa tão atual e assustadoramente original quanto em 1986. Sua remasterização pessoal ficou excelente.
Espero que, com isso, uma nova geração de fãs o descubra, fazendo com que você perceba que até mesmo grandes momentos podem surgir da adversidade. Como você, e como a criança no final do álbum, diz: "Tudo graças ao Exorcist, Deus o abençoe."
Ah, e quanto ao "terceiro" álbum de que eu estava falando? Esse projeto final se chamava Original Sin e era para ser uma banda só de mulheres, composta e interpretada por três caras e a própria irmã do David nos vocais principais! Soa como uma continuação musical do Nightmare, mas com uma vocalista gótica, o que por si só já é uma história à parte.
Ano de lançamento original: 1986 [Reedição analisada em 2018]
Damien Rath – Vocal, Baixo
Marc Dorian – Guitarras, Baixo
Jamie Locke – Baixo Geoff Fontaine – Bateria
01 – Black Mass
02 – The Invocation
03 – Burnt Offerings
04 – The Hex
05 – Possessed
06 – Call for the Exorcist
07 – Death by Bewitchment
08 – The Trial
09 – Execution of the Witches
10 – Consuming Flames of Redemption
11 – Megawatt Mayhem
12 – Riding to Hell
13 – Queen of the Dead
14 – Lucifer's Lament
15 – The Banishment