24 março 2026

MAJOR MOMENT: O DESAFIO DE SOAR ALÉM DO ALGORITMO

 Por Júlio Feriato


Confesso que tenho um certo preconceito com bandas que surgem em anúncios pagos do Instagram — quase sempre soa artificial demais. Mas, como toda regra tem exceção, o MAJOR MOMENT acabou furando essa bolha. A banda lançou no ano passado seu primeiro disco, The Pain That Makes Us Grow, e está para lançar seu sucessor In Love & War, mostrando que talvez haja mais consistência ali do que eu imaginava à primeira vista.

Formada em 2018 na cidade de Boston (EUA), o som do MAJOR MOMENT pode ser definido como uma mistura entre LACUNA COIL e nomes do metal alternativo como LINKIN PARK e PARAMORE (a própria banda se diz influenciada por eles). 

Capa de The Pain That Makes Us Grow.

A música tem um apelo pop muito forte, e eles acertam em composições “chiclete”, com refrões que ficam grudados na cabeça. Músicas como “Toxic” e “The Flood” deixam claro esse jogo entre o pop e o peso, mostrando como a banda sabe dosar bem melodias grudentas com passagens mais intensas.

A dupla de vocalistas Andrey Borzykin e Sasha Razumova (curiosamente, ambos são russos) funciona muito bem, criando aquele contraste já conhecido entre vocal masculino e feminino, mas sem soar datado. Pelo contrário, há uma certa modernidade na forma como as vozes se complementam, principalmente nas alternâncias entre partes mais suaves e explosões mais pesadas.

O material segue uma linha bastante acessível, com produção polida e foco claro em alcançar um público amplo. Para alguns ouvintes mais puristas, isso pode soar excessivamente comercial — e, sendo sincero, em alguns momentos realmente flerta com esse limite. Ainda assim, é difícil negar a eficiência das faixas: há um cuidado evidente com melodias, estrutura e impacto imediato.

A banda já deu alguns bons indícios do que está por vir com os videoclipes de “Promises” e “Not That Broken”, além do lyric video de “All For None”, que mostram uma bela evolução em relação ao que foi apresentado em The Pain That Makes Us Grow. Há um amadurecimento perceptível tanto na parte estética quanto na musical. As composições parecem mais seguras, os refrões continuam fortes, mas soam menos padronizados, e a produção ganha ainda mais peso e refinamento.


É como se o MAJOR MOMENT estivesse começando a encontrar uma identidade mais própria, deixando de soar apenas como um conjunto de influências bem executadas. Se o álbum completo mantiver esse nível, há boas chances de a banda dar um passo importante dentro do cenário — principalmente entre aqueles que buscam um metal moderno, acessível e com forte apelo melódico.

No fim das contas, meu preconceito inicial acabou sendo deixado de lado. Talvez não seja o tipo de som que eu colocaria como prioridade no dia a dia, mas reconheço que é um trabalho competente — e, principalmente, honesto dentro daquilo que se propõe.