Por Júlio Feriato
Uma das confirmações mais comentadas do Bangers Open Air 2026 é a participação do IN FLAMES, banda sueca que figura entre as mais influentes do metal melódico mundial. Para entender o peso dessa presença no line-up deste ano, é preciso olhar não só para o impacto do grupo ao longo de mais de três décadas, mas também para como eles e sua cidade de origem moldaram uma parte essencial da história do metal.
A banda surgiu no início da década de 1990 em Gothenburg (Gotemburgo), na Suécia, num cenário onde músicos se reuniam, trocavam ideias e experimentavam misturas sonoras sem pensar em rótulos. Com o tempo, aquilo que era apenas um jeito local de tocar evoluiu para o que se conhece hoje como “Gothenburg sound” — uma vertente do death metal melódico que equilibra agressividade com melodias e refrões mais acessíveis do que o death metal tradicional.
Esse estilo nasceu, em parte, da convivência e influência entre bandas que frequentavam os mesmos palcos e estúdios da cidade, assim como da troca de referências com outros centros do metal — desde o death metal de Flórida até a New Wave Of British Heavy Metal e o thrash europeu.
Isso explica por que a presença do grupo no Bangers Open Air 2026 causa tanto burburinho. Não se trata apenas de ver um nome consagrado no line-up, mas de assistir ao vivo uma banda diretamente conectada à formação de um gênero que, até hoje, reverbera no metal global.
* Discos da primeira fase como Lunar Strain (1994) The Jester Race (1996) Whoracle (1997) e Colony (1999) são considerados clássicos do death metal melódico, com guitarras harmonizadas e velocidade técnica que ajudaram a definir o estilo.
* Clayman (2000) consolidou o grupo como um nome central no metal europeu, misturando melodia intensa com uma estrutura pesada que soava intrigante e acessível ao mesmo tempo.
* Nos anos 2000, álbuns como Reroute to Remain (2002) e Soundtrack to Your Escape (2004) incorporaram elementos mais modernos e experimentais, aproximando a banda de palcos maiores e de um público mais amplo — inclusive nos Estados Unidos e na Europa.
* Come Clarity (2006) é frequentemente citado como um dos melhores discos da carreira, reunindo a agressividade do início com melodias mais refinadas e acessíveis.
Essa trajetória não foi linear nem isenta de debates entre fãs — alguns álbuns mais experimentais dividiram opiniões — mas ela ilustra o compromisso da banda em evoluir sem perder sua marca no metal pesado.
Mas, o que esperar do show no Bangers Open Air 2026?
Em termos de performance ao vivo, o In Flames costuma equilibrar passado e presente com naturalidade. Mas não espere por músicas da fase clássica, pois os shows recentes mostram que a banda apenas revisita clássicos como Cloud Connected, Only for the Weak e Take This Life, e integra músicas mais novas como The Great Deceiver e State of Slow Decay em seu repertório — um sinal de que o show no Bangers deve misturar gerações de fãs e épocas da banda.
O vocalista Anders Fridén continua sendo um ponto focal da performance, alternando entre guturais agressivos e vocais limpos mais melodiosos, e a banda inteira demonstra grande sinergia no palco mesmo após tantos anos de carreira.
Além disso, a experiência ao vivo da banda é frequentemente descrita como energética, exigente e envolvente: não importa se o público conhece cada álbum ou chegou lá pela primeira vez, a performance ao vivo tende a capturar atenção com riffs marcantes, transições nítidas entre melodias e momentos mais explosivos, e uma presença de palco que respeita tanto os cânones do metal quanto a própria história do In Flames.
IN FLAMES no Bangers Open Air 2026 representa mais do que apenas mais um show internacional em um festival brasileiro. É a oportunidade de ver ao vivo um grupo que não somente ajudou a moldar um gênero, mas que continua a dialogar com diversas eras do metal sem abrir mão de sua personalidade. Se há algo que se pode esperar do set deles é exatamente essa caminhada — de Gotemburgo para o mundo — traduzida em riffs, melodias e energia que atravessam gerações.
