11 janeiro 2026

Gene Hoglan sobre Chuck Schuldiner: "Ele não era muito fã de pessoas ou da indústria musical"


Na série "Minhas 3 Perguntas Para" de Jonathan Montenegro, o baterista Gene Hoglan (TESTAMENT , DARK ANGEL, DETHKLOK, STRAPPING YOUNG LAD ) compartilhou suas experiências de sua época na lendária banda de metal DEATH, da qual fez parte de 1993 a 1995.

Ele também falou sobre Chuck Schuldiner, o mentor do DEATH , e disse: “ Chuck  era, no fundo, uma pessoa muito… Ele era uma pessoa muito pacífica. Amava animais. Amava jardinagem. Não era muito fã de pessoas ou da indústria musical, mas gostava dos seus amigos; gostava dos seus animais. Esse era  o Chuck. ”

“Além de ser um dos padrinhos do death metal, ele também era um ótimo cozinheiro. Pronto. Ele cozinhava muito bem. Nossa, ele preparou um monte de coisas incríveis para nós durante aqueles anos que passamos juntos. Isso foi muito legal. Seu legado sempre viverá.”

“Eu e [os ex  -membros do DEATH]  Bobby Koelble  e  Steve DiGiorgio , temos [a banda tributo]  DEATH TO ALL  , e começamos uma  turnê com o DEATH TO ALL  na semana que vem aqui nos Estados Unidos. Então, é isso. E é sempre muito divertido tocar  as músicas do Chuck e fazer com que soem legais.”


Em uma conversa de 2019 com Andrew McKaysmith do podcast “Scars And Guitars” , Hoglan discutiu seu período trabalhando com o DEATH . Ele disse na época: “ Chuck  era muito mente aberta e gostava que seus músicos que tocavam com ele simplesmente buscassem o melhor que pudessem fazer. Toda vez que eu criava uma batida maluca, ele dizia: 'Estou bem. Posso tocar meus riffs em cima das suas batidas, então se é isso que você quer, vá em frente. Solte a imaginação; mande ver. Estou bem aqui, então continue fazendo o seu som.' Nesse sentido,  trabalhar com Chuck  sempre foi um verdadeiro prazer. Não havia nenhuma restrição — e era bem óbvio que ninguém me limitava na bateria.”

“Eu toquei tudo em  Symbolic . Definitivamente há alguns exageros, [mas] ele nunca disse: 'Ei, não toque isso' ou 'Isso não está funcionando'. As únicas vezes que me lembro de algo assim ter acontecido foram duas ocasiões diferentes. Uma foi nas  sessões de Individual Thought Patterns  , e foi quando [o produtor]  Scott Burns , enquanto eu gravava  'Jealousy' , me lembro de  Scott  dizendo: 'Ei, cara. Não estou curtindo essa batida. Talvez você possa simplificá-la?' Eu respondi: 'Claro, sem problema'.”


"Aí, em  'Symbolic' , o [produtor]  Jim Morris  praticamente disse a mesma coisa — tipo, 'Não tenho certeza sobre essa'. O engraçado é que, na batida em que o  Jim Morris  disse 'Isso não vai acontecer', era uma batida que eu roubei do  Sean Reinert . Era algo do álbum  Human … quanto ao  Chuck , ele sempre foi muito gentil, tipo, 'É, cara. Faz o que você sabe fazer. Vai ficar ótimo.'"

“Chuck  era um cara bem complexo. Em alguns dias, certas coisas o afetavam de maneiras que talvez não afetassem você ou eu…  Chuck  não tinha muita confiança na indústria da música. Eu entendo isso — eu compreendo totalmente… Ele geralmente era muito legal de se trabalhar, e nos divertimos bastante até ele precisar tomar as decisões necessárias para manter a sanidade. Quando ele teve que deixar  o DEATH  de lado depois do  álbum Symbolic  , ele dissolveu  o DEATH  e precisou seguir em frente. A melhor maneira para  Chuck  seguir em frente foi com o lançamento de  CONTROL DENIED.”

O podcast foi ao ar em 2023, e você pode conferir no video abaixo.


10 janeiro 2026

BANGERS OPEN AIR 2026: IN FLAMES e o legado do “som de Gotemburgo”

Por Júlio Feriato

Uma das confirmações mais comentadas do Bangers Open Air 2026 é a participação do IN FLAMES, banda sueca que figura entre as mais influentes do metal melódico mundial. Para entender o peso dessa presença no line-up deste ano, é preciso olhar não só para o impacto do grupo ao longo de mais de três décadas, mas também para como eles e sua cidade de origem moldaram uma parte essencial da história do metal.

A banda surgiu no início da década de 1990 em Gothenburg (Gotemburgo), na Suécia, num cenário onde músicos se reuniam, trocavam ideias e experimentavam misturas sonoras sem pensar em rótulos. Com o tempo, aquilo que era apenas um jeito local de tocar evoluiu para o que se conhece hoje como “Gothenburg sound” — uma vertente do death metal melódico que equilibra agressividade com melodias e refrões mais acessíveis do que o death metal tradicional.

Esse estilo nasceu, em parte, da convivência e influência entre bandas que frequentavam os mesmos palcos e estúdios da cidade, assim como da troca de referências com outros centros do metal — desde o death metal de Flórida até a New Wave Of British Heavy Metal e o thrash europeu.


O IN FLAMES não foi só mais uma banda de Gotemburgo: ao longo dos anos, eles se tornaram símbolo desse som melódico, influenciando gerações de músicos que vieram depois. Sua trajetória demonstra não apenas evolução musical, mas também uma capacidade curiosa de ampliar os limites do metal. Se os primeiros discos tratavam de riffs técnicos embutidos em melodias, parte da carreira posterior da banda explorou sonoridades mais modernas, aproximando-se de outras vertentes sem jamais abandonar a intensidade que os tornou relevantes.

Isso explica por que a presença do grupo no Bangers Open Air 2026 causa tanto burburinho. Não se trata apenas de ver um nome consagrado no line-up, mas de assistir ao vivo uma banda diretamente conectada à formação de um gênero que, até hoje, reverbera no metal global.


Desde sua formação em 1990 na cidade de Gothenburg, Suécia, o In Flames construiu uma carreira marcada por mudanças sonoras e experimentação, sem perder sua identidade. A discografia da banda é extensa e reflete essa evolução:

* Discos da primeira fase como Lunar Strain (1994) The Jester Race (1996) Whoracle (1997) e Colony (1999) são considerados clássicos do death metal melódico, com guitarras harmonizadas e velocidade técnica que ajudaram a definir o estilo.

* Clayman (2000) consolidou o grupo como um nome central no metal europeu, misturando melodia intensa com uma estrutura pesada que soava intrigante e acessível ao mesmo tempo.

* Nos anos 2000, álbuns como Reroute to Remain (2002) e Soundtrack to Your Escape (2004) incorporaram elementos mais modernos e experimentais, aproximando a banda de palcos maiores e de um público mais amplo — inclusive nos Estados Unidos e na Europa.

* Come Clarity (2006) é frequentemente citado como um dos melhores discos da carreira, reunindo a agressividade do início com melodias mais refinadas e acessíveis.


* Álbuns posteriores como A Sense of Purpose (2008), Sounds of a Playground Fading (2011), Siren Charms (2014), Battles (2016), I, The Mask (2019) e o mais recente Foregone (2023) mostram uma banda que segue experimentando sem abrir mão da intensidade e da técnica que a tornaram influente.

Essa trajetória não foi linear nem isenta de debates entre fãs — alguns álbuns mais experimentais dividiram opiniões — mas ela ilustra o compromisso da banda em evoluir sem perder sua marca no metal pesado.

Mas, o que esperar do show no Bangers Open Air 2026?

Em termos de performance ao vivo, o In Flames costuma equilibrar passado e presente com naturalidade. Mas não espere por músicas da fase clássica, pois os shows recentes mostram que a banda apenas revisita clássicos como Cloud Connected, Only for the Weak e Take This Life, e integra músicas mais novas como The Great Deceiver e State of Slow Decay em seu repertório — um sinal de que o show no Bangers deve misturar gerações de fãs e épocas da banda.


O vocalista Anders Fridén continua sendo um ponto focal da performance, alternando entre guturais agressivos e vocais limpos mais melodiosos, e a banda inteira demonstra grande sinergia no palco mesmo após tantos anos de carreira.


Com uma carreira que atravessa mais de três décadas, a expectativa é que o setlist — caso seja tão eclético quanto nos shows recentes — traga de 15 a 20 músicas, passando por diferentes fases da discografia e oferecendo uma experiência completa para fãs antigos e novos.

Além disso, a experiência ao vivo da banda é frequentemente descrita como energética, exigente e envolvente: não importa se o público conhece cada álbum ou chegou lá pela primeira vez, a performance ao vivo tende a capturar atenção com riffs marcantes, transições nítidas entre melodias e momentos mais explosivos, e uma presença de palco que respeita tanto os cânones do metal quanto a própria história do In Flames.

IN FLAMES no Bangers Open Air 2026 representa mais do que apenas mais um show internacional em um festival brasileiro. É a oportunidade de ver ao vivo um grupo que não somente ajudou a moldar um gênero, mas que continua a dialogar com diversas eras do metal sem abrir mão de sua personalidade. Se há algo que se pode esperar do set deles é exatamente essa caminhada — de Gotemburgo para o mundo — traduzida em riffs, melodias e energia que atravessam gerações.